Abri o portal do tempo, viajei ao passado
Mergulhei na profundeza da minha alma
Os meus pensamentos se tornaram alados
Encontrei no centro do meu ser, minha calma
Viajando livremente entre o céu e o terreno
Não queria perder a ligação com o celestial
As coisas do mundo me tentavam, tendenciei
A minha entregar as diversas tentações, fiquei
O eu homem cambaleando diante da beleza
Por vezes desvencilhar outras me entreguei
As razões se sucubiam aos meus desejos
Me via envolvido por completo nos beijos
Mesmo sabendo que estava indo contra a lei
As coisas mundano tem um sabor delicioso
Se é pecado não sei, simplesmente me entrego
Encontrei no mundo a felicidade momentânea
Dancei a música que era tocada, me libertei
Em um pestanejar a mente tocou as estrelas
Osvaldo Teles
O poema "Abri o portal", de Osvaldo Teles, é uma bela e intensa jornada espiritual e existencial. Ele se desenvolve como um fluxo de consciência que transita entre o sagrado e o mundano, entre o desejo de transcendência e a entrega aos prazeres terrenos.
Aqui estão algumas observações sobre o poema:
🌌 Temática
Viagem interior e espiritual: A abertura de um “portal do tempo” sugere introspecção e autoconhecimento profundo.
Conflito entre o espiritual e o carnal: Há uma dualidade muito clara entre o desejo de manter-se conectado ao divino e as tentações da matéria.
Entrega aos prazeres: O eu lírico reconhece sua fragilidade diante das seduções do mundo, sem se esconder atrás da culpa, mas também sem ignorar as consequências espirituais.
📝 Linguagem e estilo
O vocabulário é reflexivo e poético, com metáforas bem trabalhadas como “meus pensamentos se tornaram alados”.
Há musicalidade e fluidez, ainda que a métrica não seja rígida — o que dá um tom mais livre e meditativo.
A estrutura é de estrofes irregulares, o que contribui para o caráter livre da narração interior.
🎭 Emoção e profundidade
O poema passa por emoções contrastantes: calma, tentação, prazer, dúvida, libertação, êxtase.
A frase “As coisas mundano tem um sabor delicioso” é quase uma confissão — um momento de rendição à vida sensorial.
O final é otimista e quase místico: “a mente tocou as estrelas”.