segunda-feira, 4 de maio de 2026

Lágrimas da minha solidão

A água vai correr para o Riachão,

igual às lágrimas da minha solidão.

Náufrago dentro de mim mesmo,

à estação transitória me aproximo.


O coração machucado se encontra

numa nascente de água cristalina.

Derramo os prantos de minhas dores,

não dá para ouvir os meus clamores.


Por fora, reflete o que sinto por dentro.

Nas estradas, deixei minhas lamúrias,

no decorrer, fui esquecendo as juras,

buscando no amor as minhas curas.


Em um mar de angústia me encontro,

ficando desorientado nessa procura.

Procurei no mundo o ser encantado

para tornar o nosso jardim colorido.



Osvaldo Teles

Sociedade excludente: quem controla

 Sociedade Excludente: quem controla o jogo social no Brasil?


Por Osvaldo Teles


Em meio aos discursos recorrentes sobre combate à corrupção e defesa da igualdade, uma pergunta incômoda precisa ser feita: quem, de fato, controla o sistema? A resposta, ainda que desconfortável, aponta para uma elite que historicamente detém o poder econômico e político, influenciando diretamente as estruturas do Estado.


A máquina pública, longe de ser neutra, reflete desigualdades profundas. Nos espaços de decisão — como ministérios e cortes superiores — a diversidade muitas vezes aparece apenas de forma simbólica. A ausência significativa de pessoas negras em posições de maior poder levanta um debate urgente: trata-se de falta de qualificação ou de um sistema que, desde sua origem, reproduz barreiras estruturais?


A sociedade brasileira, nesse sentido, parece repetir padrões antigos de dominação. Enquanto o discurso oficial enfatiza a igualdade de oportunidades, a prática revela um cenário diferente, onde a ascensão social ainda encontra obstáculos bem definidos. A presença da população negra em ambientes de prestígio, especialmente no campo do conhecimento, frequentemente provoca incômodo, pois rompe com uma lógica historicamente estabelecida.


Esse fenômeno dialoga com teorias clássicas da sociologia. De um lado, a ideia de que as estruturas sociais tendem a perpetuar desigualdades ao longo das gerações. De outro, a compreensão de que o acesso ao conhecimento pode ser um instrumento de transformação e mobilidade social. Entre esses dois polos, encontra-se a realidade de milhões de brasileiros que lutam diariamente para romper ciclos de exclusão.


Não se pode ignorar, ainda, a dívida histórica do país com a população negra. Após séculos de exploração e ausência de políticas de inclusão efetivas, os impactos permanecem visíveis. Comunidades periféricas enfrentam condições precárias de moradia, acesso limitado à educação de qualidade e inserção majoritária em trabalhos informais ou de baixa remuneração. Trata-se de um quadro que não é fruto do acaso, mas de escolhas históricas.


Nesse contexto, cresce o sentimento de distanciamento em relação à classe política. Para muitos, ela parece mais alinhada aos interesses da elite econômica do que às necessidades da população em geral. Soma-se a isso a atuação de setores que, em vez de promover mudanças sociais amplas, acabam reforçando relações de poder já consolidadas, muitas vezes por meio de influência direta nas decisões políticas e econômicas.


Diante desse cenário, a reflexão que se impõe é clara: é possível falar em igualdade real em um sistema que, estruturalmente, ainda exclui? Reconhecer o problema é o primeiro passo. O desafio seguinte é transformar essa consciência em ação — por meio da educação, da participação social e da construção de políticas públicas mais justas e inclusivas.


Enquanto isso não acontece, o país segue convivendo com uma contradição evidente: a de se apresentar como uma nação plural e democrática, mas manter, na prática, mecanismos que limitam o acesso de muitos aos mesmos direitos e oportunidades.



Sociedade excludente

 Sociedade Excludente


Osvaldo Teles


Introdução


Quem rouba de verdade não é apenas o indivíduo comum exposto diariamente nos noticiários, mas sim a elite branca que detém a máquina do Estado. O sistema, estruturado dessa forma, revela-se profundamente excludente. Nos ministérios, a presença de uma ou outra figura negra muitas vezes serve apenas para maquiar uma falsa diversidade, enquanto, nas supremas cortes, a ausência de pessoas pretas levanta um questionamento inevitável: trata-se realmente de falta de competência ou de um reflexo de um Estado historicamente marcado pelo preconceito da elite dominante?


Desenvolvimento


A sociedade contemporânea não rompeu com as práticas de dominação do passado; ao contrário, frequentemente as reedita sob novas formas, enquanto, contraditoriamente, prega uma igualdade que não se concretiza. É possível perceber que as estruturas de poder resistem à ascensão da população negra, sobretudo quando essa ascensão ocorre por meio do conhecimento — um dos principais instrumentos de transformação social.


Nesse contexto, a presença do afrodescendente em espaços de saber e poder incomoda, pois desafia padrões historicamente estabelecidos. Essa realidade dialoga com reflexões de Max Weber sobre as limitações impostas pela estrutura social, na qual o indivíduo tende a permanecer na condição em que nasce, ao mesmo tempo em que confronta a perspectiva de Pierre Bourdieu, que aponta o conhecimento como um caminho possível para a ascensão social.


Além disso, é inegável que o país carrega uma dívida histórica com a população negra. Após séculos de exploração, os antepassados foram abandonados sem qualquer garantia de direitos. Hoje, os reflexos desse passado permanecem evidentes: grande parte da população negra ainda vive nas favelas, em condições precárias, com acesso limitado à educação de qualidade e inserida majoritariamente em subempregos, o que perpetua o ciclo de desigualdade.


Conclusão


Diante desse cenário, torna-se difícil sentir-se representado pela classe política atual. Em grande medida, ela atende aos interesses da burguesia, enquanto setores religiosos, em muitos casos, atuam alinhados aos grandes empresários. São esses grupos que, na prática, influenciam e determinam as regras do jogo social e econômico.



domingo, 3 de maio de 2026

Não adiantou nada

Não adiantou nada me afastar,

continuo com você na cabeça.

A sua lembrança comigo está,

mesmo que eu peça que esqueça.


Fiz de tudo para lhe esquecer,

amo, por mais imaturo que seja.

Fiz de tudo para você perceber,

lhe possuir o coração, enseja.


Te carrego nas minhas ilusões,

vais aumentando as fantasias.

Ainda sinto fortes palpitações,

provoca sonhos em demasia.


Quis ficar quieto no meu canto,

remoendo minha dor sozinho.

Tentei fugir dos seus encantos,

mudando até o meu caminho.



Osvaldo Teles

Atravessava as noites

Atravessava as noites, solitário,

No amanhecer, levantava abatido,

Passando a ser um suplício diário,

E com meu coração no peito, ferido.


E as gotas de tristeza no meu rosto,

Nos olhos, ficaram os traços da dor,

A alegria tinha perdido o seu posto,

A alma sentia a falta do seu amor.


Chorei por diversas vezes sua falta,

Deixei de lado minhas expectativas,

Fica turvo e se apaga a luz da ribalta,

Não encontro nenhuma perspectiva.


Tudo ao entorno ficará na penumbra,

A sua ausência só faz me maltratar,

Diante da sua beleza, a alma deslumbra,

A sua presença vem me completar.



Osvaldo Teles

sábado, 2 de maio de 2026

Vou vivendo a vida

Vou vivendo a vida a cada dia,

sem me preocupar com o amanhã.

Assim farei dela uma linda poesia,

dela só pegarei a sua manha.


O amanhã só a Deus pertence,

darei passos em câmera lenta.

Na batalha, não sei quem vence,

dizem: feliz é quem tenta.


De qualquer forma, a morte chega,

corri demais, agora vou devagar.

Fico parado, esperando passar,

nas esquinas, ela pode me pegar.


De qualquer forma, a morte bate,

na porta vai bater — para que correr?

Não tem jeito, um dia vai me abraçar.

Irei aproveitar o tempo que me resta.



Osvaldo Teles

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Abre a roda

Abra a roda que eu vou entrar,

Vou entrar com todo molejo.

Bate palmas que vou sambar,

Sente a emoção do seu cortejo.


Samba de roda é cultura popular,

É muita ginga na cintura, na cintura.

Segura a saia, bota a saia pra rodar,

O corpo girando parece uma pintura.


Vamos dar uma rodada no salão,

Bota poeira para subir do chão.

Solta o corpo ao ritmo do tambor,

O coração vai sentindo a emoção.


A pele vai liberando o seu calor,

Os passos vão sendo sincronizados.

Como um tambor, o coração bate,

Parece que o corpo vai sair voando.



Osvaldo Teles