terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Lá Vem Maria

Levanta-se no raiar do dia.

Lá vem Maria com feixe

de lenha na cabeça,

subindo a ladeira.


Sua lida era grande,

ainda tinha a casa

e a criançada para cuidar;

dava conta também da roça.


Ainda pega água da fonte

ou das cacimbas.

Mulher guerreira

é a mulher nordestina.


Trabalha de sol a sol,

o dia a dia lhe castiga.

Não tem tempo

nem para sonhar.


Assim é a vida das Marias,

a sabedoria já vem com elas,

fazem de suas vidas aquarela.



Osvaldo Teles

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Sonhei Contigo

Sonhei contigo a vida inteira,

quis dar a paixão verdadeira.

Foram os sonhos mais lindos,

transformei-te em minha deusa.


Botei-te no palácio encantado,

farei da vida linda e colorida;

minha existência ficava florida,

voo perdido no mundo ilusório.


Tudo está ficando compulsório,

nesse instante a cabeça viaja;

encontrei na viagem a imagem,

mais parecia uma linda miragem.


Ficam esquecidos os pesadelos

depois que atamos nossos elos;

no mundo dos sonhos fico preso,

no imaginário ficaremos coesos.



Osvaldo Teles

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Venho

Venho através desta carta

Saber como estás passando

Faz tempo que não nos falamos

Quero saber das suas andanças


Fique sabendo que sinto sua falta

É tanta dor que me maltrata

Às vezes me pego chorando

Gostaria de continuar nos falando


Ainda me pego te chamando

De meu amor, minha querida 

Gostaria da sua resposta

Para saber que a mensagem


Chegou em suas mãos, responda

Não me deixe sem notícias suas

Dói muito a sua distância

Sei que foi culpa do destino


Ou já estava escrito no livro da vida 

Que cada um iria seguir seu rumo

O amor ainda continua em mim

Fazendo as lágrimas rolarem

Mas tudo vai depender do Divino



Osvaldo Teles

Tive que partir

Tive que partir, deixando para trás

o melhor de mim, estradas trilhei.

Pensei que o mundo ia me abraçar,

no decorrer, armadilhas encontrei.


Tentei me desvencilhar das armadas,

estavam devidamente preparadas.

Era só eu e minha inconsistência,

algumas vezes perdi a prudência.


Meu instinto animal, por vez, aflora,

quis deixar o que me acometia lá fora.

Neste instante, fugia a consciência,

os empecilhos iam se agigantando.


Sentindo em minha carne arrepios,

ficava amarrado à vida por um fio.

Meus sentimentos me acompanham,

é o que me mantém firme na estrada.


Quem dera que o medo ficasse longe,

andei adentrando por terras distantes.

O amor foi o companheiro constante,

dando às minhas passadas agilidade.



Osvaldo Teles

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Seu colo

Busquei no seu colo aconchego,

quero estar só no seu chamego,

sentir a maciez da pele desnuda,

a alma de felicidade se inunda.


Vou contemplar a face da deusa,

meu coração está aqui em brasa,

louco, louquinho, para me entregar.

Vem, se achega, venha se apaixonar.


Te prometo que não vais esquecer,

sentirás na alma o verdadeiro amar,

vais sentir nos toques suas emoções.

Neste momento, quero seus carinhos,


acendendo em mim o fogo da paixão,

retirando do meu coração as tensões.

Não me deixe, neste momento, sozinho,

por favor, faz do meu peito o seu ninho.



Osvaldo Teles

A Luz que Brilha

És, Senhor, a luz que brilha

Bem no alto da montanha,

O farol que indica a direção,

És paz para o meu coração.


Sinto a felicidade de caminhar

Lado a lado com meu Senhor,

Fazendo-me repousar tranquilo,

Devolvendo a paz dos anjos.


A tristeza o seu amor tange,

Se tornando minha fortaleza.

Serás o escudo de proteção,

Segura-me com as suas mãos.


Sou pequeno, Senhor, diante de Ti,

Em suas mãos coloco minha vida.

Serei, ó Senhor, eternamente grato,

De todo mal me afasto, meu Deus.



Osvaldo Teles

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Antigos São João

Que saudade dos antigos São João!

As fogueiras acesas nos terreiros,

As noites embaladas com forrozão,

Os corações pareciam um fogareiro.


O fumaceiro ia ganhando espaço,

Era festa de fartura e de alegria.

Todo mundo se enfeitava para o festão:

Amendoim, milho, laranja e quentão.


No terreiro, ouvia-se foguetes e rojões,

As noites ganhavam um ar de magia,

Nossas fantasias bailavam no salão.

Tudo corria na mais pura animação,


A zabumba e o triângulo davam o tom,

Faziam os corpos seguirem a marcação.

No barro batido, subia o maior poeirão.



Osvaldo Teles