sexta-feira, 1 de maio de 2026

Abre a roda

Abra a roda que eu vou entrar,

Vou entrar com todo molejo.

Bate palmas que vou sambar,

Sente a emoção do seu cortejo.


Samba de roda é cultura popular,

É muita ginga na cintura, na cintura.

Segura a saia, bota a saia pra rodar,

O corpo girando parece uma pintura.


Vamos dar uma rodada no salão,

Bota poeira para subir do chão.

Solta o corpo ao ritmo do tambor,

O coração vai sentindo a emoção.


A pele vai liberando o seu calor,

Os passos vão sendo sincronizados.

Como um tambor, o coração bate,

Parece que o corpo vai sair voando.



Osvaldo Teles

Escravo moderno

 Escravidão Moderna: a Dominação Invisível no Capitalismo Contemporâneo

Por Osvaldo Teles (baseado no poema “Escravo moderno”)


A ideia de escravidão costuma remeter a um passado marcado por correntes visíveis, senzalas e ausência total de liberdade formal. No entanto, o conceito de “escravo moderno”, como apresentado no poema, convida a refletir sobre formas mais sutis — porém não menos impactantes — de dominação presentes na sociedade contemporânea. Trata-se de uma escravidão que não aprisiona o corpo com correntes de ferro, mas condiciona a mente e limita as possibilidades de existência por meio de estruturas econômicas e sociais.

No centro dessa reflexão está o sistema capitalista, descrito como um mecanismo que “edita sua forma de dominação”, adaptando-se ao tempo e às circunstâncias. Diferentemente da escravidão clássica, o trabalhador moderno é formalmente livre, mas, na prática, precisa vender sua força de trabalho para sobreviver. Essa relação, marcada pela dependência econômica, cria uma dinâmica desigual, em que o capital detém o poder e o trabalho se submete às suas exigências.


O poema evidencia um dos principais conflitos dessa estrutura: a relação entre capital e trabalho. O trabalhador produz riqueza, muitas vezes em níveis superiores ao necessário para sua própria subsistência, mas não recebe de forma proporcional ao que gera. Essa diferença — frequentemente chamada de exploração — sustenta o acúmulo de riqueza nas mãos de poucos, enquanto a maioria permanece com “as sobras”. Assim, o trabalho deixa de ser apenas uma atividade produtiva e passa a ser também um instrumento de manutenção das desigualdades.

Outro ponto importante é a ideia de “grilhões invisíveis”. Esses grilhões representam mecanismos como a necessidade constante de emprego, o medo do desemprego, a falta de oportunidades e a pressão por produtividade. São elementos que não se veem, mas que condicionam comportamentos, limitam escolhas e mantêm o indivíduo preso a uma lógica de sobrevivência. O ambiente de trabalho, nesse contexto, pode se tornar uma espécie de “prisão simbólica”, onde o indivíduo permanece não por escolha plena, mas por necessidade.


A crítica também se estende à postura de parte dos detentores do capital, retratados como insensíveis às condições do trabalhador. O foco exclusivo no lucro, quando desvinculado de responsabilidade social, contribui para a desumanização das relações de trabalho. O resultado é um ciclo em que o trabalhador se desgasta continuamente, enquanto os frutos de seu esforço se concentram em poucos.

No entanto, o poema não deve ser interpretado apenas como denúncia, mas também como convite à reflexão crítica. Compreender essas dinâmicas é o primeiro passo para questioná-las e, eventualmente, transformá-las. A discussão sobre justiça social, valorização do trabalho e distribuição de renda torna-se essencial nesse cenário.


Em síntese, “Escravo moderno” revela que a escravidão não desapareceu por completo — ela apenas se transformou. Hoje, assume formas mais complexas e menos visíveis, exigindo consciência e debate para ser reconhecida e enfrentada. O poema de Osvaldo Teles, ao dar voz a essa realidade, cumpre um papel importante: o de provocar, inquietar e despertar a reflexão sobre o mundo do trabalho e as estruturas que o sustentam.



Osvaldo Teles

quinta-feira, 30 de abril de 2026

A contribuição de Pierre Bourdieu para o Serviço Social

Osvaldo Teles – Assistente Social

Resumo

O presente artigo discute a contribuição de para o Serviço Social, destacando sua relevância na compreensão dos mecanismos de dominação presentes na sociedade. A partir de sua sociologia crítica, fundamentada nas relações de poder e na análise das estruturas sociais, evidencia-se a importância da educação e da conscientização como instrumentos de emancipação dos indivíduos. O estudo ressalta ainda a pertinência dos conceitos de violência simbólica e dominação simbólica para a prática profissional do assistente social.

Palavras-chave

Serviço Social; dominação simbólica; violência simbólica; educação; emancipação social.


1. Introdução

A obra de constitui uma das mais importantes contribuições à renovação da sociologia crítica, influenciando diretamente diversas áreas das ciências humanas, entre elas o Serviço Social. Sua produção teórica permite a análise das relações de poder e dos mecanismos invisíveis que estruturam o corpo social, oferecendo subsídios fundamentais para a compreensão das desigualdades sociais.

Nesse contexto, o Serviço Social se apropria de suas categorias analíticas como forma de fortalecer a intervenção profissional, sobretudo no que se refere à conscientização dos indivíduos e à luta pela emancipação social.


2. Bourdieu e a compreensão da dominação social

A sociologia bourdieusiana constrói-se em torno do desenvolvimento das relações de força entre os agentes sociais e dos mecanismos simbólicos que sustentam essas relações. Para o autor, a dominação não se apresenta apenas de forma explícita, mas também por meio de processos sutis e naturalizados no cotidiano.

Dessa perspectiva, destaca-se o conceito de dominação simbólica, que se refere à imposição de significados e valores que legitimam a ordem social vigente. Tal dominação ocorre de forma invisível, sendo internalizada pelos indivíduos, o que contribui para a manutenção das desigualdades.

Outro conceito central é o de violência simbólica, entendido como um tipo de coerção exercida de maneira indireta, por meio do reconhecimento e da aceitação das estruturas de poder pelos próprios sujeitos sociais.


3. A contribuição para o Serviço Social

A partir dessas formulações, contribui significativamente para o Serviço Social, especialmente no que se refere à compreensão crítica da realidade social e à intervenção profissional.

O Serviço Social, ao incorporar tais conceitos, busca promover a conscientização dos indivíduos acerca de sua posição na estrutura social, incentivando o reconhecimento das condições históricas e estruturais que determinam suas vivências. Esse processo visa romper com a chamada “falsa consciência”, possibilitando a construção de uma leitura crítica da realidade.

Nesse sentido, a educação social assume papel fundamental, sendo compreendida como instrumento de transformação e de ruptura com os paradigmas de dominação. A prática profissional orienta-se, portanto, pela identificação de classe e pela mobilização dos sujeitos sociais na luta por direitos e por justiça social.


4. Tensões ético-políticas na prática profissional

A incorporação das contribuições de também evidencia tensões no âmbito do Serviço Social, especialmente entre o universo político e o projeto ético-político da profissão.

O assistente social encontra-se inserido em estruturas institucionais que, muitas vezes, reproduzem relações de poder e mecanismos de dominação simbólica. Assim, sua atuação exige constante reflexão crítica sobre o exercício do poder simbólico e seus impactos na prática profissional.

Dessa forma, o desafio consiste em desenvolver uma intervenção que, ao mesmo tempo em que atua dentro dessas estruturas, busque transformá-las, promovendo a emancipação dos sujeitos e a efetivação dos direitos sociais.


5. Considerações finais

A contribuição de para o Serviço Social é significativa, pois oferece instrumentos teóricos que possibilitam a análise crítica das desigualdades sociais e dos mecanismos de dominação presentes na sociedade.

Seus conceitos de dominação simbólica e violência simbólica permitem compreender como as relações de poder se reproduzem de forma sutil e naturalizada, desafiando o Serviço Social a desenvolver práticas que promovam a conscientização e a emancipação dos indivíduos.

Assim, a articulação entre teoria e prática torna-se essencial para o fortalecimento do projeto ético-político da profissão, reafirmando o compromisso com a transformação social e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.



Osvaldo Teles 


É tanta saudade

É tanta saudade que chega a doer,

fazendo a minha tristeza remoer.

As recordações me fazem chorar,

as saudosas lembranças castigam,


fazem regressar ao meu passado.

Os desejos são grandes por demais,

não me olhe assim, senão te traço.

Só quero te ter em meus braços,


vais acalmando o meu coração.

Me seduz no seu jogo de sedução,

é muito amor que tenho para lhe dar.

O penetrante olhar me fez apaixonar,


belas sensações seus carinhos trazem.

Não pretendo te esquecer jamais,

sou dependente dos seus beijos,

só faz aumentar os meus desejos.



Osvaldo Teles

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Meus dilemas

Cada um com seus problemas,

e eu aqui com os meus dilemas.

Fico aqui sem saber o que fazer,

só Deus na causa para resolver.


Paralisado, sem saber a direção,

tomei muita rasteira nessa vida.

Foram muitos tropeços que recebi,

não vou me preocupar com o futuro.


Na correria, não tinha tempo para viver,

não dava para ver a beleza à margem.

As quedas serviram de aprendizagens,

às vezes calei para não ser agressivo.


O inimigo me armava suas ciladas,

nem venha dizendo que é má vontade.

Ficou para trás tudo que me fez mal,

não estou nesta vida de brincadeira.



Osvaldo Teles

terça-feira, 28 de abril de 2026

O eterno menino

Vivia me perguntando qual é a missão.

Fui para o mundo cumprir minha sina,

Mas deixei grandes feridas no coração,

Tentei encontrar a minha perfeita rima.


Tive que deixar para trás toda uma vida

Para dar simetria às minhas passadas,

Contornando as minhas dores sentidas,

Darei os passos harmônicos na jornada.


Viver foi o meu aprendizado contínuo,

Só pretendia ser dono do meu destino.

Em muitos momentos fui um ingênuo,

Na caminhada, não seria um peregrino.


As recordações estão vivas na cabeça,

Levarei dentro de mim o eterno menino.

Ainda não cortei os fios da esperança,

Os meus sonhos continuarão genuínos.



Osvaldo Teles

Mundão de meu Deus

Fui lançado neste mundão de meu Deus,

Não pude nem dar adeus ao meu amor.

Estou em prantos, com o coração partido,

Me sinto totalmente perdido nesse espaço.


Solitário, adentro a gélida madrugada,

A tristeza vai deixando no rosto os traços.

As gotas de tristeza molham a minha face,

Em soluços, vou tentar abafar o meu choro.


Dei adeus ao melhor da minha existência,

Tive, que viver novas experiências.

Fui levado a te amar à distância, à distância,

Do chão de barro batido fui me distanciando.


As paisagens cinzentas foram se apagando,

Os cantos dos passarinhos se desafinando.

Em meu coração ficaram apenas saudades,

As lembranças faziam escorrer as lágrimas.



Osvaldo Teles