domingo, 25 de outubro de 2026

Macaxeira com manteiga

O dia está nascendo aperreado.

Como é lindo o despertar na roça!

O despertar parece uma poesia.

Eita, como é belo ver a luz do novo dia!


Macaxeira com manteiga e café,

Acompanhada de carne-seca,

Era o que me colocava de pé,

Batendo no rosto a brisa fresca.


Ainda falta buchada com cachaça,

Nordestino gosta de mesa farta.

Tudo é motivo para festejar,

Do amanhecer ao anoitecer.


A sanfona e o triângulo

Vão dando os seus tons.

Vou sentir o gosto do batom,

Com os rostos colados.


Sentirei o seu calor, calor!

A festa começa e não tem hora

Para acabar. Vamos dançar forró!

Só vamos sair do salão no pó.


Quando a luz do novo dia raiar,

Quando os raios solares brilharem,

Os corpos vão se tocando.

Vais passando, e fico só olhando.


As almas vão se apaixonando.

Como é belo acordar ao seu lado,

Com nossas almas apaixonadas,

Estou ficando enfeitiçado!



Osvaldo Teles

sábado, 24 de outubro de 2026

Popozuda

A popozuda vai chegando e agitando,

Vai entrando toda se balançando.

Ela chega para provocar, provoca,

Quando entra na pista, ela broca!

É toda fofinha, toda gostosinha,


Se acha uma verdadeira gatinha.

Não deixa o rebolado cair,

Bota as mãos nos joelhos

E vai sacudindo o bumbum.


Bate o tambor que a Popozuda

Vai dar os seus passos.

Com sua ginga, ela encanta.

Está botando para brocar,


Quando entra na roda,

É só no balanço, no balanço.

Ela sai na pista rebolando.

Bora, bora, bora, Popozuda!

Desce, sobe, mexe os quadris!

Vai, vai, vai, toda boa!

Ô, ô, ô, é de encher os olhos!



— Osvaldo Teles

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Faço parte da sua criação

Senhor, faço parte da sua criação.

Guia-me no caminho da mansidão.

Faz-me repousar no campo verdejante;

Chegarei ao final da trilha triunfante.


Sobre os seus luzeiros descansarei;

Contrito, com o meu Senhor estarei.

Nos mares, navego em águas calmas;

Suas palavras são alívios para a alma.


Sou fruto, ó Deus, do seu santo amor;

Aos seus ouvidos chegou o clamor.

Como louvor, indo aos seus ouvidos,

Os meus pensamentos são despidos.


Derrama sobre mim as suas bênçãos;

Vais, Senhor, guiando-me pelas mãos,

Abrandando do meu coração as dores,

Fazendo-me caminhar pisando em flores.


Farei do meu viver um belíssimo paraíso;

És, ó meu Deus, tudo aquilo de que preciso.

Serás, ó meu Pai, o escudo de proteção,

Devolvendo a paz para o meu coração.



Osvaldo Teles

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Mergulho profundo

Vou cair no meio do mundo,

Em um mergulho profundo.

Irei em busca de aventuras,

Esquecerei as desventuras.


Quero preencher meu vazio,

Lembro com muita saudade

Tudo o que passou conosco,

Até o seu lindo corpo busco.


Diminuía em mim as tensões,

Tentarei deixar para trás tudo

Aquilo que me fizera sofredor.

Retirarei de minha alma a dor.


Ainda sinto no meu peito amor,

Terá no coração efeito curador.

Por esta paixão era consumido,

De longe dá pra ouvir o gemido.


Causou sensações indescritíveis,

Os sentimentos se tornam sensíveis.

Te amarei sem pensar em nada,

Para te ter, vou baixar a guarda.



Osvaldo Teles

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Vou botar pocando

Vou botar pocando, vou tirar filipeta 

Não estou me preocupando só breja 

Essa noite a mulherada está sobrando 

A minha raparigagem vai ser perfeita 


Será muita treta não estou aí pra nada 

Hoje o come quieto vai estar preparado 

Vou traçar o que estiver em meu prato 

Só não vou ficar com a barriga vazia 


Um bon-vivant nesta minha vida seria 

O que cair na minha rede vai ser peixe 

Quem não quiser acompanhar me deixe 

Vai ser uma grade, vai ser duas grades 


Só vai ser eu e as raparigas, pode crer 

O coro vai comer vou botar para descer 

Estou entregue, vou beber a vontade 

Vou deixando o amanhã para depois 


Só se vive, uma vez nesta nossa vida 

Vamos fazer um brinde a vida, Tim, Tim 

Saber viver é maravilhoso, muito gostoso 

E uma bela festa com bebedeira e mulher 



Osvaldo Teles

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Seu balanço

Vou seguindo o balanço da menina,

A sua ginga vai ditando o seu ritmo.

Ela tem um corpinho que me fascina,

Vou seguindo o ritmo da sua dança.


Como tambor, o coração bate no peito,

Vai me envolvendo no seu molejo.

A sua levada tem a cadência perfeita,

O timbal e o agogô vão fazer a marcação.


Ela vai andando, jogando o bumbum,

De um lado para o outro, para lá e para cá.

Ô, ô, ô, ô, vem ser o meu amor, dá o tom!

Deixa a música dominar os movimentos.


Ô, ô, ô, estamos dançando em Salvador,

No meio da multidão, o calor vai aumentar.

Soltando o corpo ao ritmo da percussão,

Rebola, rebola, que vou seguir seu balanço!



Osvaldo Teles

Ó minha paixão

De excitação a minha alma geme,

ó minha paixão, meu corpo treme.

Quando te vejo, aumenta o desejo,

quero te envolver nos meus beijos.

 

Provocando no seu corpo arrepios,

o prazer será questão de momento.

Vou entrando em uma alucinação,

fazendo aumentar as palpitações.

 

As batidas do coração aceleradas,

causando em mim uma fascinação.

Quero aproveitar o tempo que resta,

me entregando ao amor sem pressa.

 

Sentirei na carne o efeito dos toques,

deixando os meus pelos arrepiados.

Ofegante, vou procurar os seus lábios,

a cada carícia faz aumentar o meu cio.

 

Olho para ela e vejo a figura de uma deusa,

fiquei preso entre o tempo e o espaço.

Mesmo sabendo que tenho uma vida,

que pretendo viver na sua plenitude.

 


Osvaldo Teles