Não se aperreie, não, seu moço,
Só faz adiantar os seus passos.
Ainda tem um dia após o outro,
Tudo vai acontecer naturalmente.
Para recalcular e seguir em frente,
O cabra nasce no sertão valente,
Fica armado até os seus dentes,
Vivendo em detrimento do outro.
O sol castiga o ombro da gente,
Subindo do chão vapor escaldante,
Nos tornando um sobrevivente.
Do solo sobe uma poeira cinzenta,
Tirando da gente a nossa alegria.
A enxada trinca ao tocar a terra,
As sementes morrem nas covas,
Deixando a esperança à prova.
A vida continua, mas não é fácil,
Mas, quando chove, tudo floresce,
Devolvendo a alegria do sertanejo.
Osvaldo Teles






