segunda-feira, 13 de julho de 2026

Fui expulso

Fui expulso do meu pedaço de chão.

Parti para bem distante, fui tristonho.

Meu destino me conduziu para longe;

não sabia qual seria o meu caminho.


Me belisca, acordando desse sonho.

O perigo ficava à espreita, à espera.

Seguir fiel ao propósito me proponho;

queria chegar inteiro à minha tapera.


O eu homem não estava preparado.

Por diversas vezes, o desânimo bateu,

sentindo todo o meu corpo cansado,

mas a minha perseverança venceu.


Tive que ser guiado pela esperança,

fazendo da minha fé a minha aliada.

No coração, tive que aumentar a crença,

deixando minha coragem na retaguarda.



Osvaldo Teles

Triste e sozinho

Quando estou triste e sozinho,

Sinto a falta do meu amorzinho.

A solidão no espaço é reinante,

O pensamento estará distante.


Meus olhos ficam lacrimejando,

As minhas ideias estão viajando.

Uma dor fica apertando meu peito,

Não consigo esquecer seu jeito.


Longe de ti, não sei o que fazer,

Sinto que o amor não vai morrer.

Vivo, na mente, tudo o que vivemos;

Ser feliz é tudo o que queremos.


Fico quieto no cantinho, sonhando,

O coração ganha asas e sai voando.

Ainda continuo um ser sonhador,

Curando a dor nos braços do amor.

O meu amor resiste a essa distância.



Osvaldo Teles

domingo, 12 de julho de 2026

Está quente

Está quente, estou pegando fogo,

Igual à água fervente, quero beber

Para matar minha sede. Pode encher

O copo, vou entornar só de uma vez.


Um fogo vai acendendo as labaredas,

Pode até me causar uma embriaguez.

O calor queimando minhas entranhas.

Vem, amor, vem refrescar esse calor.


O coração está parecendo um tambor.

Desce uma, desce duas, vamos tomar.

Está quente, coloca cerveja para gelar.

A avenida está cheia, está fervendo.


O nosso suor vai ficar escorrendo.

Vamos seguindo esse ritmo quente.

Todo mundo vai descer atrás do trio,

Fazendo o chão da avenida balançar.



Osvaldo Teles

Boteco sujo

Saí para beber no boteco sujo,

Fui à procura da dita-cuja, fujo.

Só tinha bebum do pé rachado,

Era cheio de copo mal lavado.


Ô povinho feio e mal-encarado,

Impregnado no cheiro de pinga.

É o sujo falando do mal lavado,

Como só tinha filho de rapariga.


O casal atracado brigava, parecia,

Carregando a peixeira do lado.

Cada um tinha as suas perícias,

Os movimentos não nos deixavam.


Percebo o garçom botar a talhada;

Hoje só sairei daqui embriagado.

O cheiro do álcool fica no espaço,

Provoca na mente a embriaguez.



Osvaldo Teles

sábado, 11 de julho de 2026

Sabe tudo

Ela diz que sabe tudo,

É muito escalada,

Conhecedora e vivida,

É uma mulher do mundo.


Quando olho para ela,

Já fiz um raio-X profundo.

Sei que é uma tabacuda,

Essa postura é só fachada.


A sua sopa de letras

Não vou comer jamais.

Dá opinião na hora errada,

Ela diz que é esperta,

Na verdade, não sabe.


É de nada, camarada.

Quando armou o bote,

Dei três pulos para trás.

Não sabe do que sou capaz.


Estou a anos-luz à sua frente,

No seu laço não caio mais.

Só fico lhe observando

Para ver o que está tramando.



Osvaldo Teles

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Seja feita a vossa vontade

Pai! Seja feita a vossa vontade.

Estou precisando da sua piedade.

Vou em busca do seu perdão,

retirando o peso do coração.


Sou fruto, Senhor, do seu amor.

Sei que sou um ser pecador.

A sua benevolência comigo

és, para mim, meu ombro amigo.


Serás, ó meu Deus, meu caminho.

Ao seu lado nunca estarei sozinho.

Farei das suas asas meu abrigo;

os meus passos estão contigo.


Eis aqui o seu fiel devoto, Senhor.

Das minhas dores és o curador,

sendo o sopro da minha vida,

vais curando as minhas feridas.


Confio que és o meu amparo.

Entrego minha vida em suas mãos.

Sua misericórdia vai me acompanhar

em cada estrada que eu caminhar.



Osvaldo Teles

Seu rebolado

Fico olhando o seu rebolado;

Ela não anda, ela desfila.

Vou caminhando do seu lado,

De repente, a cabeça oscila.


Sigo seu gingado envolvente,

O coração é um tambor batendo.

Seu olhar chegou penetrante,

Meu coração ficou palpitando.


De ver seu corpo rebolando,

Faz da avenida sua passarela.

Vou seguindo os passos dela,

Anda como se estivesse desfilando.


Ela sabe que é a mais bela,

Por isso passa provocando.

Com seu corpinho violão,

Meus olhos brilham de emoção.


Quando passa, causa alvoroço,

Gritos enlouquecedores ouço.

É a coisa mais linda sua dança;

Na sua ginga, o meu ser balança.



Osvaldo Teles