sexta-feira, 10 de julho de 2026

Seu rebolado

Fico olhando o seu rebolado;

Ela não anda, ela desfila.

Vou caminhando do seu lado,

De repente, a cabeça oscila.


Sigo seu gingado envolvente,

O coração é um tambor batendo.

Seu olhar chegou penetrante,

Meu coração ficou palpitando.


De ver seu corpo rebolando,

Faz da avenida sua passarela.

Vou seguindo os passos dela,

Anda como se estivesse desfilando.


Ela sabe que é a mais bela,

Por isso passa provocando.

Com seu corpinho violão,

Meus olhos brilham de emoção.


Quando passa, causa alvoroço,

Gritos enlouquecedores ouço.

É a coisa mais linda sua dança;

Na sua ginga, o meu ser balança.



Osvaldo Teles

quarta-feira, 8 de julho de 2026

A nossa canção

A nossa canção escuto, tristonho,

Os meus sonhos vão se reavivando.

Esquecer este amor me proponho,

Em meu canto, continuo sonhando.


As tristezas quero deixar para trás;

Comigo vão as minhas saudades.

Dos devaneios, minha alma se refaz;

No passar do tempo, perco a serenidade.


Nos olhos pingam gotas de tristeza,

Expondo, na face, marcas de lágrimas.

Tento me desviar com toda destreza,

Retirando da alma os meus traumas.


Quis apagar as minhas lembranças;

Estavam gravadas na minha memória.

Como queria estar em tua presença,

Revivendo a nossa lindíssima história.


A saudade e o amor andam juntinhos;

Como foram bons os nossos momentos!

Era gostoso te chamar de amorzinho,

Deixando nos olhos o contentamento.



Osvaldo Teles

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Ave Maria

Ave Maria, cheia de graça, rogai por nós.

Ó Virgem, interceda pelos seus filhos.

Em seus braços encontro sua proteção.

No silêncio, ficarei diante da Senhora, sós.


Quando o sino toca na hora do Ângelus,

a Estrela-d'Alva, brilhante, fica lá no céu.

O celestial está sendo descortinado,

meu ser se volta para o céu, maravilhado.


Sinto o meu coração se enchendo de paz.

De gratidão, vais preenchendo minha alma.

Com suas bênçãos, o meu ser se compraz.

Em oração, a ti, o meu espírito se acalma.


Vou sendo envolvido com o seu amor.

Aos seus caminhos vou sendo conduzido.

És, para mim, tudo aquilo de que preciso.

Deixai-me entrar em seu reino maravilhoso.



Osvaldo Teles

Fico olhando

Fico olhando para o nada,

Choro sozinho no silêncio,

Deixando a mente parada,

A solidão como prenúncio.


Chega, maltrata o coração;

Alheios ficam meus olhos,

Fixados em uma só direção,

Vão bem longe, sem atalhos.


Não quero a tristeza comigo,

Quero, nos lábios, um sorriso.

Me afastar disso não consigo;

Está comigo mesmo, preciso.


Arredio igual a um touro brabo,

Estou com as ideias paradas.

A alma busca seu desagravo,

Deixando a minha voz calada.


Fiquei quieto, a mente distante,

Num espaço que não me cabe,

Tornando-me um ser caminhante;

Numa mágica, o ser feliz se abre.



Osvaldo Teles

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Tento

Tento, mas não sei o que faço

Para esquecer os momentos.

Da felicidade, só ficou o traço;

Ainda guardo os sentimentos.


Aquele ser feliz se foi embora,

Aqui no peito, a tristeza aflora,

Me entregando a essa paixão.

Ficou machucado meu coração.


Dei asas à minha imaginação;

O seu "não" foi uma decepção.

Fiz planos para uma vida a dois,

Não pensei no que aconteceria depois.


Só pensava em meu presente;

O futuro só a Deus pertence.

Vivi cada instante como único,

Envolvido em seus carinhos.


Nossas vidas tinham sido cruzadas,

Aos poucos, se perderam nas estradas,

Ficando doces lembranças.

Hoje, as desilusões comandam.



Osvaldo Teles

quinta-feira, 2 de julho de 2026

A saudade machuca

A saudade machuca o coração

Quando me lembro das noites

festivas, festivas de São João.

Era um festival de xotes.


O sanfoneiro puxava o fole,

A sanfona comia no centro,

O poeirão subia pelo salão.

Era festa a noite inteira,


Corpos colados e suados.

Como era boa a festança!

Só rolava a dança,

Só se ouvia o grito: "Anarriê!",


Fazendo o salão ferver.

O povo só era animação,

Seguia a batida do coração.

Tudo em torno era só fantasia,


A felicidade nos trazia.

Vamos beber e brincar,

Que a festa está começando.


Só vai acabar no alvorecer,

Quando a fogueira apagar

E o sol lá no céu brilhar.



Osvaldo Teles

Lágrimas nos olhos

Foi com lágrimas nos olhos

Que ouvi o seu triste adeus.

Fui longe, cortei o horizonte;

Dispersas ficaram as ideias.


O pensamento foi distante,

Como um cavalo galopante.

Ia correndo como um corisco,

Não vi nada à minha frente.


Poeira encontrei no caminho,

Passei a caminhar sozinho,

Em uma caminhada solitária.

Vinham, em lágrimas, a tristeza


E pude sentir a sua malvadeza,

Tirando o brilho do meu olhar.

Chorando por diversas vezes,

Meus sonhos foram desfeitos.


Sonhei que era tudo perfeito;

Esqueceu que o amor terminou,

E o outro não fora avisado.

E cada um foi para o seu lado.



Osvaldo Teles