domingo, 27 de setembro de 2026

Chicotada no lombo

O negro levou chicotada no lombo,

E os pés, em correntes, acorrentou.

Não chegaram aos deuses seus gritos,

Impedidos de praticarem seus ritos.


Escravidão, a mácula da sociedade,

Homens livres foram escravizados.

A podridão contaminou a humanidade,

Pelo capitão do mato, eram hostilizados.


Suas forças brutas foram exploradas,

O canavial era seu campo de lutas.

Em um cenário adverso, resistiram,

Contra o perverso sistema lutaram.


Conduzidos aos trabalhos forçados,

Revelaram o lado cruel dos homens.

Seus gritos de liberdade ecoaram,

E ecoam tambores no solo brasileiro.


A sua resistência permanecerá viva,

A luta por igualdade está na memória.

Cada um vai contando a sua história,

A violência da escravidão foi imensa.



Osvaldo Teles

sábado, 26 de setembro de 2026

Roupas espalhadas

Roupas espalhadas pelo chão,

A garrafa de vinho está vazia.

Vou extravasar a minha paixão,

Uma mistura de sonhos parecia.


Do seu umbigo fiz o meu cálice,

No caminho da felicidade, me perdi.

Neste momento, de mim esqueci.

A intensidade do amor me guiou.


Até parece que o tempo parou.

Me domina a sensação de prazer.

Pelas fantasias serei dominado.

Em seus quentes braços sou amado.


Os dados mágicos me acariciaram.

Não me preocupo pelo que está por vir.

Pelo fogo da paixão sou consumido,

Em nossas trocas intensas de carícias.



Osvaldo Teles

Porque pedi perdão

Não tenho por que pedir perdão

Darei um basta nesta confusão

Porque não fui eu que errei

Não reconheceu que te amei


Não vou lhe pedir para voltar

Fique tranquila, não irei chorar

Fui fiel nesta nossa relação

Não há como ter reconciliação


O amor que te dei, jogaste fora

Agora só a dor que me consola

Vai demorar, mas vou esquecer

O amor próprio vai prevalecer


Dias lindos ganharam ar de tristeza

O que me resta é saber que passa

Sei que um dia as lágrimas cessarão

E que os sorrisos aos lábios voltarão


Feliz, feliz estarei, pronto para sorrir

A solidão da minha alma vai sair

O meu orgulho ainda fala por mim

Espero que me peça para te perdoar



Osvaldo Teles

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

O aposento caiu

O aposento caiu, vou pra bagunça,

Bem na sexta-feira, dia da safadeza.

Com bufunfa no bolso, é só cachaça,

Hoje a mulherada vai me abraçar.


Fui tomar umas lá no boteco sujo,

Me olhando, tinha muita rapariga,

E eu só golando a dose de pinga.

Cada cachaceiro tem sua história.


Uns tomam todas para desestressar,

Outros bebem para tomar coragem.

Não me preocupo com pabulagem,

Não estou nem para o que vão falar.


Se vacilar, traço até a dona do bar.

Se vacilar, estou pronto para pegar.

Estou pagando, então pode descer.


Sair preparado para beber e comer.

A mesa vai ficar listrada de cervejas,

Pode colocar uns drinks de cerejas.



Osvaldo Teles

Continuarei firme

A rédea está nas minhas mãos,

a estrada está bem à minha frente.

Saí disparado por esse mundão,

a fadiga da caminhada é evidente.


Continuarei firme na caminhada,

os meus obstáculos são grandes.

Deus não me soltou na jornada,

a sensação de paz ficou aparente.


A cada queda, Ele me coloca de pé,

o coração é um reservatório da fé

que fazia prosseguir no estradão,

devolveu tranquilidade ao coração.


Criatura e Criador vivem a comunhão,

transforma minha existência em vida.

Os pensamentos se elevam ao céu,

a felicidade não cabia dentro de mim.


Um ser perseverante está renascendo,

minha força espiritual me faz continuar.

Diante das dificuldades, tive que seguir,

me agarrando às mãos do meu Senhor.



Osvaldo Teles

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O bon vivant

Se piquei, já fui sem olhar para trás,

essas conversas não aguento mais.

Não tinha ouvido prosa ruim da peste,

isto, para mim, é um verdadeiro teste.


Nunca tive certeza alguma de nada,

não perco tempo com conversa fiada.

É coisa de quem não tem o que fazer,

pode acreditar, não vou me defender.


Pense em uma coisa linda: é a vida.

Escuto tudo sem dar uma só palavra.

Aprendi, no decorrer, a ser um bon vivant,

pelas pistas de dança vou deslizando.


Não me preocupo com o que estão falando,

só me preocupava com a beleza dos dias.

Falam mais, os problemas são só meus;

ao final, quem paga minhas contas sou eu.



Osvaldo Teles

Quero viver na paz

Pode ficar com a sua certeza,

que vou ficar com minha paz.

Vou lhe fazer uma gentileza,

sei, amigo, do que sou capaz.


Vou levando tudo numa boa,

nem pense que sou um à toa.

Pensei em um cabra valente,

por favor, não aperta a mente.


Nem transforme tudo em dor,

quero viver na paz e no amor.

Não troco tapas com ninguém,

mas nem sempre direi amém.


Está para nascer esse alguém,

vai depender do jeito que vem.

Rapaz, a cara que mainha beijou,

quero ver quem vai bater, bateu.


O seu troco essa pessoa vai ter,

o cabra macho está para nascer.

Não levarei desaforo para casa,

levar paulada desta vida basta.



Osvaldo Teles