terça-feira, 9 de junho de 2026

Como foi sofrido

Acredite, não vou mais chorar,

Hoje vou sair para me divertir.

Não queria deixar de te amar,

Chorando, doeu ver você partir.

 

Tentei não deixar as lágrimas

Molharem o meu rosto triste,

Como foi sofrido o seu adeus!

Nada pude fazer para mudar.

 

A única coisa que fiz foi aceitar.

Irei em busca de um novo amor,

Quero recomeçar tudo de novo,

Vou me recuperar desse tombo.

 

Tentando apagar da minha vida

As experiências que foram vividas,

Mas suas marcas estão gravadas

Como tatuagens em minha alma.

 

As feridas ainda não cicatrizaram,

As nossas vidas se cruzaram.

Não tenho como fugir da saudade,

Tenho que aceitar a dor da partida.

 


Osvaldo Teles

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Vamos brindar

Vamos brindar à vida e o amor,

Dando graças ao nosso Senhor.

Vou Te exaltar de todo coração,

A alma se regozija em devoção.


Eis aqui quem vai cantar louvores,

Já ouviste os meus clamores.

Livraste-me do peso dos castigos,

Vais estar para sempre comigo.


Foste, Senhor, a luz que ilumina,

A minha escuridão se dissipou.

Me alegro, Deus, em Tua palavra,

Muitas vezes andaste lado a lado.


Deste-me impulso para continuar firme,

Dando orientação aos meus passos.

Deste leveza às minhas passadas,

Sendo o meu amparo nas quedas.


Senti Tua força quando me seguraste,

O poder do Teu amor pude absorver.

É o Senhor quem me dará a Sua força,

Serás a bússola a me dar direção.



Osvaldo Teles

domingo, 7 de junho de 2026

Anarriê


O amendoim já tá cozinhando,

O milho está assando no fogão,

O licor está enfeitando a mesa,

A laranja descascada na bandeja.


A fogueira será acesa no terreiro,

Chuva de prata caindo no chão.

Só falta chegar o sanfoneiro

Para animar a noite de São João.


Chamei minha amiga para pular

O figueirão, vamos pular, comadre!

Vai ser festança a noite inteira,

A sanfona vai comer no centro.


Os casais dançando no salão

Até o amanhecer do novo dia.

Vai ter muito quentão para beber,

As pernas bambas de tanto dançar.


O coração fica batendo de emoção

Quando pego a prenda pelas mãos.

Anarriê! A quadrilha está passando,

A alegria toma conta dos corações.


Osvaldo Teles

Dindinha já me dizia

Dindinha já me dizia que a vida era dura,

Não vai adiantar lhe colocar armadura.

Fiz igual a São Tomé, tive que ver para crer,

Já concebido, apanhando para aprender.


Fui recebido por ela à base de palmadas,

Foram muito doídas, me fizeram chorar.

Tenha cuidado lá fora, haverá muitas armadas

Para tentar te aprisionar, vão te amarrar.


Abrindo os meus olhos para o mundo lá fora,

Se não tiver cuidado, ele vai te devorar.

Em cada esquina tem um perigo à espera,

Ande de cabeça erguida, olhando para frente.


Usando a sua sabedoria como a sua guia,

Deixando Deus guiar os seus passos.

Assim encontrará o seu caminho correto,

E não é que minha dindinha estava certa?



Osvaldo Teles

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Saudade

A saudade pula a porteira

E vai em busca do tempo,

No seu trote, na sua carreira,

Sem ver os seus contratempos.

 

As lembranças são um diferencial,

Nos ligando aos tempos bons,

Resgatando momentos felizes —

Solto as rédeas das recordações.

 

Deixando o coração apertado,

Os pensamentos se tornam alados.

Sei que, no avanço dos ponteiros,

Nunca mais vou ser o mesmo.

 

O que passou, nada voltará mais,

Voltar ao meu passado, jamais!

Vou seguindo novos roteiros,

Construindo lindos cenários.

 


Osvaldo Teles

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Comer é gostoso

Comer é bom, comer é gostoso,

Mas tem que ter dinheiro no bolso.

Essa carestia está demais,

Daqui pra frente é só pra trás.


O dinheiro é pouco para as contas,

Não dá para começar o mês.

O resto vai pagar o freguês,

Enquanto isso o patrão fica rico.


Os trabalhadores correm riscos,

Antigamente se dizia: é preço

De banana; hoje é preço de caviar.

O pobre, coitado, só faz trabalhar.


Malmente dá para se alimentar,

O salário é só para enganar.

As contas não dá para pagar.

Mantendo o povo escravizado,


Principalmente o assalariado,

Com a corda sempre no pescoço.

Comer é bom, o sistema não deixa,

Mais é o trabalhador que paga a conta.



Osvaldo Teles

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Trago história

Trago história que o tempo ajudou a ditar,

E as minhas lembranças que irei cantar.

Pelos caminhos que a vida me conduziu,

Deixo para trás as pancadas que me feriram.


Levando apenas a roupa do meu corpo,

Seguirei caminho com a cabeça erguida.

Ao nascer nada trouxe, nada levo comigo,

Agradecerei ao destino seu ombro amigo.


Seguirei em parceria com meu Divino,

Cortando o cordão umbilical com o terreno.

Não vou bater de frente com ninguém,

Na minha caminhada vou distribuir o bem.


Viver é simplesmente maravilhoso, gostoso.

Algumas quedas serão inevitáveis, mas levanto.

O mais importante é ter superação,

Amando o meu próximo como um irmão.


Vai ter choro e também muitos sorrisos,

Esquecer o que machucou, estou disposto.

Pelas estradas vou distribuindo flores,

Do meu coração arrancarei minhas dores.



Osvaldo Teles