Osvaldo Teles – Assistente Social
Resumo
O presente artigo discute a contribuição de para o Serviço Social, destacando sua relevância na compreensão dos mecanismos de dominação presentes na sociedade. A partir de sua sociologia crítica, fundamentada nas relações de poder e na análise das estruturas sociais, evidencia-se a importância da educação e da conscientização como instrumentos de emancipação dos indivíduos. O estudo ressalta ainda a pertinência dos conceitos de violência simbólica e dominação simbólica para a prática profissional do assistente social.
Palavras-chave
Serviço Social; dominação simbólica; violência simbólica; educação; emancipação social.
1. Introdução
A obra de constitui uma das mais importantes contribuições à renovação da sociologia crítica, influenciando diretamente diversas áreas das ciências humanas, entre elas o Serviço Social. Sua produção teórica permite a análise das relações de poder e dos mecanismos invisíveis que estruturam o corpo social, oferecendo subsídios fundamentais para a compreensão das desigualdades sociais.
Nesse contexto, o Serviço Social se apropria de suas categorias analíticas como forma de fortalecer a intervenção profissional, sobretudo no que se refere à conscientização dos indivíduos e à luta pela emancipação social.
2. Bourdieu e a compreensão da dominação social
A sociologia bourdieusiana constrói-se em torno do desenvolvimento das relações de força entre os agentes sociais e dos mecanismos simbólicos que sustentam essas relações. Para o autor, a dominação não se apresenta apenas de forma explícita, mas também por meio de processos sutis e naturalizados no cotidiano.
Dessa perspectiva, destaca-se o conceito de dominação simbólica, que se refere à imposição de significados e valores que legitimam a ordem social vigente. Tal dominação ocorre de forma invisível, sendo internalizada pelos indivíduos, o que contribui para a manutenção das desigualdades.
Outro conceito central é o de violência simbólica, entendido como um tipo de coerção exercida de maneira indireta, por meio do reconhecimento e da aceitação das estruturas de poder pelos próprios sujeitos sociais.
3. A contribuição para o Serviço Social
A partir dessas formulações, contribui significativamente para o Serviço Social, especialmente no que se refere à compreensão crítica da realidade social e à intervenção profissional.
O Serviço Social, ao incorporar tais conceitos, busca promover a conscientização dos indivíduos acerca de sua posição na estrutura social, incentivando o reconhecimento das condições históricas e estruturais que determinam suas vivências. Esse processo visa romper com a chamada “falsa consciência”, possibilitando a construção de uma leitura crítica da realidade.
Nesse sentido, a educação social assume papel fundamental, sendo compreendida como instrumento de transformação e de ruptura com os paradigmas de dominação. A prática profissional orienta-se, portanto, pela identificação de classe e pela mobilização dos sujeitos sociais na luta por direitos e por justiça social.
4. Tensões ético-políticas na prática profissional
A incorporação das contribuições de também evidencia tensões no âmbito do Serviço Social, especialmente entre o universo político e o projeto ético-político da profissão.
O assistente social encontra-se inserido em estruturas institucionais que, muitas vezes, reproduzem relações de poder e mecanismos de dominação simbólica. Assim, sua atuação exige constante reflexão crítica sobre o exercício do poder simbólico e seus impactos na prática profissional.
Dessa forma, o desafio consiste em desenvolver uma intervenção que, ao mesmo tempo em que atua dentro dessas estruturas, busque transformá-las, promovendo a emancipação dos sujeitos e a efetivação dos direitos sociais.
5. Considerações finais
A contribuição de para o Serviço Social é significativa, pois oferece instrumentos teóricos que possibilitam a análise crítica das desigualdades sociais e dos mecanismos de dominação presentes na sociedade.
Seus conceitos de dominação simbólica e violência simbólica permitem compreender como as relações de poder se reproduzem de forma sutil e naturalizada, desafiando o Serviço Social a desenvolver práticas que promovam a conscientização e a emancipação dos indivíduos.
Assim, a articulação entre teoria e prática torna-se essencial para o fortalecimento do projeto ético-político da profissão, reafirmando o compromisso com a transformação social e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Osvaldo Teles






