quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Respeita a tradição nordestina

Sinta a pegada de quem tem intimidade,

Derrubando touro brabo com os braços.

Meu caro, aqui é terra de cabra macho,

Fui criado à base de mocotó e buchada.


Dando ao meu coração muita vitalidade,

Não venha para cá me oferecer salada.

Uma boa chamada você não vai aguentar,

A feijoada comia com uma boa pimenta.


Pense em um nordestino cabra da peste,

Criado à base de amendoim e rapadura.

Uma dose de pinga era para abrir o apetite,

O copo de coalhada servia de sobremesa.


Seu moço, respeite a tradição nordestina,

Cabra, respeito é bom, e o nordestino gosta.

O plantão é duro, não é para qualquer um,

Trabalha sob o sol a pino, não é para menino.



Osvaldo Teles

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Sou favelado

Sou favelado, mas não sou coitado.

Os antepassados foram açoitados.

O sistema do destino se apropriou;

Os seus lombos, o chicote cortou.


Favela, o medo domina suas vielas.

Tem que andar com muita cautela,

Sendo o Estado aparelho ideológico,

Criando regras para seus cidadãos.


Sem poder quebrar os paradigmas,

O seu salário pago é uma bagatela.

Vai criando nas mentes um enigma,

Deixando em seus corpos sequelas.


O Estado deveria ser uma sentinela

Para proteger os seus indivíduos.

O que fazem é lavar as suas mãos,

Tornando este sistema promíscuo.


A desigualdade persiste na sociedade,

Privando o ser humano de dignidade.

Vivendo um cotidiano de insegurança,

Só faz dificultar a mobilidade social.



Osvaldo Teles

Deus Pai

Deus Pai Todo-Poderoso, a Ti rogo,

Sei que sou o Teu filho pródigo.

Em Teus braços quero repousar,

Estou pronto para de novo Te amar.


És a seta que indica meu caminho

Para encontrar o meu cantinho.

Andei por estradas tortuosas,

Vivia uma vida pecaminosa.


Trilhei por muitos caminhos errantes,

O abismo estava à minha frente.

Eu me via só nesta longa caminhada,

Não tinha um ombro nas paradas.


Encontrei armadilhas perniciosas,

Faze-me refazer o caminho de volta.

Baterei, ó Senhor, à Tua porta,

Rejubilarei alegre em Teu nome.


Pequei e buscarei o Teu perdão,

Livra-me das armadilhas do mundão.

O meu Deus é um Deus que salva,

Libertando o homem desta selva.



— Osvaldo Teles

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Doeu

Doeu, está difícil entre você e eu

Cadê o amor, que você me prometeu

Foi muito amor que a você dediquei

De corpo e alma a ti me entreguei

 

Só me retribuiu com a sua ingratidão

Deixando uma ferida no meu coração

Olho no espelho e não me reconheço

A sua aceitação é a única que te peço

 

Vou seguir o meu caminho sozinho

Como um passarinho saindo do ninho

A sua indiferença comigo foi doída

Ficando em meu coração uma ferida

 

Como deixar as lágrimas contidas

Se as suas palavras foram sofridas

Da forma que elas foram proferidas

Como uma faca cravada no peito

 

Queria ter o seu amor por toda vida

Deixa no meu peito uma grande dor

Só o Senhor, o tempo pode me curar

 


Osvaldo Teles

domingo, 25 de outubro de 2026

Macaxeira com manteiga

O dia está nascendo aperreado.

Como é lindo o despertar na roça!

O despertar parece uma poesia.

Eita, como é belo ver a luz do novo dia!


Macaxeira com manteiga e café,

Acompanhada de carne-seca,

Era o que me colocava de pé,

Batendo no rosto a brisa fresca.


Ainda falta buchada com cachaça,

Nordestino gosta de mesa farta.

Tudo é motivo para festejar,

Do amanhecer ao anoitecer.


A sanfona e o triângulo

Vão dando os seus tons.

Vou sentir o gosto do batom,

Com os rostos colados.


Sentirei o seu calor, calor!

A festa começa e não tem hora

Para acabar. Vamos dançar forró!

Só vamos sair do salão no pó.


Quando a luz do novo dia raiar,

Quando os raios solares brilharem,

Os corpos vão se tocando.

Vais passando, e fico só olhando.


As almas vão se apaixonando.

Como é belo acordar ao seu lado,

Com nossas almas apaixonadas,

Estou ficando enfeitiçado!



Osvaldo Teles

sábado, 24 de outubro de 2026

Popozuda

A popozuda vai chegando e agitando,

Vai entrando toda se balançando.

Ela chega para provocar, provoca,

Quando entra na pista, ela broca!

É toda fofinha, toda gostosinha,


Se acha uma verdadeira gatinha.

Não deixa o rebolado cair,

Bota as mãos nos joelhos

E vai sacudindo o bumbum.


Bate o tambor que a Popozuda

Vai dar os seus passos.

Com sua ginga, ela encanta.

Está botando para brocar,


Quando entra na roda,

É só no balanço, no balanço.

Ela sai na pista rebolando.

Bora, bora, bora, Popozuda!

Desce, sobe, mexe os quadris!

Vai, vai, vai, toda boa!

Ô, ô, ô, é de encher os olhos!



— Osvaldo Teles

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Faço parte da sua criação

Senhor, faço parte da sua criação.

Guia-me no caminho da mansidão.

Faz-me repousar no campo verdejante;

Chegarei ao final da trilha triunfante.


Sobre os seus luzeiros descansarei;

Contrito, com o meu Senhor estarei.

Nos mares, navego em águas calmas;

Suas palavras são alívios para a alma.


Sou fruto, ó Deus, do seu santo amor;

Aos seus ouvidos chegou o clamor.

Como louvor, indo aos seus ouvidos,

Os meus pensamentos são despidos.


Derrama sobre mim as suas bênçãos;

Vais, Senhor, guiando-me pelas mãos,

Abrandando do meu coração as dores,

Fazendo-me caminhar pisando em flores.


Farei do meu viver um belíssimo paraíso;

És, ó meu Deus, tudo aquilo de que preciso.

Serás, ó meu Pai, o escudo de proteção,

Devolvendo a paz para o meu coração.



Osvaldo Teles