domingo, 22 de fevereiro de 2026

Tive que partir

Tive que partir, deixando para trás

o melhor de mim, estradas trilhei.

Pensei que o mundo ia me abraçar,

no decorrer, armadilhas encontrei.


Tentei me desvencilhar das armadas,

estavam devidamente preparadas.

Era só eu e minha inconsistência,

algumas vezes perdi a prudência.


Meu instinto animal, por vez, aflora,

quis deixar o que me acometia lá fora.

Neste instante, fugia a consciência,

os empecilhos iam se agigantando.


Sentindo em minha carne arrepios,

ficava amarrado à vida por um fio.

Meus sentimentos me acompanham,

é o que me mantém firme na estrada.


Quem dera que o medo ficasse longe,

andei adentrando por terras distantes.

O amor foi o companheiro constante,

dando às minhas passadas agilidade.



Osvaldo Teles

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Seu colo

Busquei no seu colo aconchego,

quero estar só no seu chamego,

sentir a maciez da pele desnuda,

a alma de felicidade se inunda.


Vou contemplar a face da deusa,

meu coração está aqui em brasa,

louco, louquinho, para me entregar.

Vem, se achega, venha se apaixonar.


Te prometo que não vais esquecer,

sentirás na alma o verdadeiro amar,

vais sentir nos toques suas emoções.

Neste momento, quero seus carinhos,


acendendo em mim o fogo da paixão,

retirando do meu coração as tensões.

Não me deixe, neste momento, sozinho,

por favor, faz do meu peito o seu ninho.



Osvaldo Teles

A Luz que Brilha

És, Senhor, a luz que brilha

Bem no alto da montanha,

O farol que indica a direção,

És paz para o meu coração.


Sinto a felicidade de caminhar

Lado a lado com meu Senhor,

Fazendo-me repousar tranquilo,

Devolvendo a paz dos anjos.


A tristeza o seu amor tange,

Se tornando minha fortaleza.

Serás o escudo de proteção,

Segura-me com as suas mãos.


Sou pequeno, Senhor, diante de Ti,

Em suas mãos coloco minha vida.

Serei, ó Senhor, eternamente grato,

De todo mal me afasto, meu Deus.



Osvaldo Teles

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Antigos São João

Que saudade dos antigos São João!

As fogueiras acesas nos terreiros,

As noites embaladas com forrozão,

Os corações pareciam um fogareiro.


O fumaceiro ia ganhando espaço,

Era festa de fartura e de alegria.

Todo mundo se enfeitava para o festão:

Amendoim, milho, laranja e quentão.


No terreiro, ouvia-se foguetes e rojões,

As noites ganhavam um ar de magia,

Nossas fantasias bailavam no salão.

Tudo corria na mais pura animação,


A zabumba e o triângulo davam o tom,

Faziam os corpos seguirem a marcação.

No barro batido, subia o maior poeirão.



Osvaldo Teles

Os efeitos da lua

Os olhos ganham brilho

Quando veem as estrelas,

Vão seguir suas trilhas.

Aqui dentro a luz brilha,


O seu amor faz morada

Nos braços da amada.

A paixão arde nas veias,

Me envolvendo nas teias,


O fogo vai me queimando,

Os corações se namorando.

Nos lábios encontro a bebida

Que vai nos deixar excitados,


Sentindo os efeitos da lua.

Minha alma vai ficando nua,

A magia da noite nos envolve,

A beleza do viver nos devolve.



Osvaldo Teles

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Meu coração

Meu coração não tem espaço

Para guardar minhas mágoas.

Vou lhes destilando aos poucos,

Peço à vida para me dar trégua.


Quero que Deus ocupe o vazio,

Esvaziando as dores contidas,

Agravadas pelas suas rejeições.

Não fico esperando aceitações.


Pretendo deixar o espaço livre,

Vou fazendo prece para o amor,

Para que fortaleça nossos elos.

Querida, já estou naquele ponto,


Só esperando a sua chegada.

Te peço que seja o mais breve,

Só aguardando a sua resposta,

Na ânsia de que venhas positiva,

Quebrando, assim, minha rotina.



Osvaldo Teles

Cansei

Cansei, deixei tudo para trás,

levando só a roupa do corpo.

Até o amor que tinha se desfez

depois dos seus duros golpes.


Chorei com a sua insensatez;

as pancadas deixaram marcas.

O amor que te dei não foi capaz

de fazer você mudar o seu jeito.


Deixou uma ferida no meu peito;

a minha fidelidade lhe entreguei.

Vou sair por esse mundo afora,

não adianta mais, vou embora.


Sofri por demais com as ofensas;

o meu coração já não aguenta

viver com tantas desconfianças.


Quando me lembro das palavras,

a dor corta o meu peito, violenta.

Às vezes tentei evitar o invisível.



Osvaldo Teles