quinta-feira, 23 de julho de 2026

Noite de lua cheia

É noite de lua cheia

E de céu estrelado,

As gotas prateadas

Enfeitando a terra.


O escuro se encerra,

Refletindo a sua pele.

A seiva do amor

Correndo nas veias.


Foi sempre o que imaginei,

Esse ar de fantasia

Vai me tomando,

Não sei até quando.


As ilusões tomam conta

Da minha cabeça.

Nada será como antes,

Serei levado adiante.


Estou sendo levado

Pelas fases da lua.

Sinto o esplendor

Da sua pele nua.


Fazendo-me sentir

Totalmente perdido

Num mundo de sonhos.

É assim que me sinto.



Osvaldo Teles

quarta-feira, 22 de julho de 2026

A conta sempre chega para os mais pobres

Toda vez que um crime cometido por um adolescente ganha repercussão, a solução apresentada por muitos políticos é a mesma: reduzir a maioridade penal. O discurso é forte, conquista manchetes e agrada parte da população indignada com a violência. Mas quase nunca vem acompanhado de uma reflexão sobre as causas que levam tantos jovens a ingressarem na criminalidade.


Durante anos, o poder público falhou em garantir educação de qualidade, acesso à cultura, ao esporte, à profissionalização e oportunidades reais de ascensão social para milhões de brasileiros. Quando o Estado se ausenta da vida de uma criança, outros caminhos acabam ocupando esse espaço, muitas vezes marcados pela violência e pela exclusão.


É contraditório defender punições cada vez mais severas sem enfrentar as raízes do problema. Prender mais cedo pode satisfazer o desejo imediato de justiça, mas não substitui políticas públicas capazes de impedir que novos jovens sejam empurrados para o crime.


Outro aspecto que alimenta a indignação popular é a sensação de desigualdade diante da lei. Enquanto jovens pobres frequentemente enfrentam todo o rigor do sistema penal, casos de corrupção envolvendo agentes públicos costumam ser vistos pela população como demorados e complexos. Ainda que muitos desses casos resultem em investigações, condenações ou absolvições conforme o devido processo legal, permanece a percepção de que a Justiça pesa de maneira diferente conforme a posição social de cada cidadão.


A lei deve ser igual para todos. Quem desvia recursos públicos também rouba oportunidades, hospitais, escolas, segurança e esperança. A corrupção produz vítimas silenciosas e compromete o futuro de gerações inteiras.


Antes de discutir apenas a idade para prender, o Brasil precisa discutir a idade para educar, proteger e oferecer oportunidades. Uma nação que investe na infância e na juventude colhe menos violência. Uma nação que abandona seus jovens acaba transformando a prisão em resposta para problemas que deveriam ter sido enfrentados muito antes.


Reduzir a maioridade penal pode parecer uma solução rápida. Construir um país mais justo exige muito mais coragem: combater a corrupção, fortalecer a educação, gerar oportunidades e garantir que a lei alcance todos, sem privilégios e sem distinções.



Assistente Social Osvaldo Teles

Em seus braços

Em seus braços acho aconchego,

retirando de mim os meus medos.

O seu toque vem cheio de ternura,

aumentando, no corpo, a temperatura.


A paixão está queimando as veias,

vais me envolvendo em suas teias.

O quarto se enche dos meus gemidos;

são as emoções que vou sentindo.


Bons momentos de felicidade traz;

estando contigo, teu amor me refaz,

suturando, assim, as minhas dores,

enfeitando a minha vida com flores.


Transportou-me para uma bela cena;

no seu abraço vou ser feliz apenas.

O seu ser maravilhoso se revelando;

na junção dos corpos, vou te amando.



Osvaldo Teles

terça-feira, 21 de julho de 2026

Desolado

É, Deus, fico me perguntando:

para que tantos sofrimentos?

Dói que quase não aguento;

em oração, busco a resposta.


Que vai me deixando desolado,

o meu coração fica apertado.

Ficam pingando as lágrimas,

a tristeza toma conta da alma.


Que chega a tirar o meu sono;

no meu canto, fico chorando.

Estou sentindo o seu abandono,

do seu trono, fica me olhando.


Não aguento tanta acusação,

isto machuca o meu coração.

Me doei a esse amor, Senhor;

afasta de mim o cálice de dor.


Quero deste sofrer me refazer,

Nem sei meu amor o que fazer,

Não quero perder a minha fé,

Foi ela que me colocou de pé.



Osvaldo Teles

Oxente, moço

Oxente, moço, venho do Nordeste,

Tenho orgulho de ser dessa terra.

Nesta banda só tem cabra valente,

O belo sol nasce por trás da serra.


O seu amanhecer se tornando belo,

A natureza despertando maravilhosa.

No entardecer, o sino toca na capela,

Anunciando o lindíssimo anoitecer.


A vida vai mostrando a sua pujança,

O canário solta carretilha majestosa.

Esse recanto tem os seus encantos,

Cada pedacinho tem a sua história.


Que guardo, saudoso, na memória.

Suas praias com toda a sua beleza,

A energia de sua gente é contagiante,

Os passos do seu povo têm leveza.



Osvaldo Teles

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Voz do coração

Basta escutar o meu coração,

ele te fala pela voz do amor.

Envolvido nessa doida paixão,

nos seus lábios busca o sabor


que faz dar sabor à minha vida.

Ele vai pulsando no compasso,

está dando ritmo à sua batida,

sentindo o calor do seu abraço.


Vais galopando na sua emoção,

te levo comigo nas lembranças.

Ecoa suave como uma canção,

saudade sobre a cabeça dança.


Imaginei-te uma belíssima deusa,

só pretendia te dar o nome Vênus.

Seu olhar palpitações me causa;

entre os seus braços, estamos nus.


A suave voz do seu coração escutar,

dentro de mim os sonhos acordava.

O amor dentro de nós ia despertar,

prontinho para lhe admirar estava.



Osvaldo Teles

domingo, 19 de julho de 2026

A estrada continua

A estrada continua no mesmo lugar,

Meus passos me levaram para longe.

Olhei para trás, não tenho como voltar,

Solitários, meus pensamentos forjam.


Os olhos ficam perdidos no horizonte,

Um flashback passa na minha mente.

Com os meus fantasmas fico defronte,

Sua miragem aparece na minha frente.


Os velhos sonhos ficaram adormecidos,

Novos sonhos deram sentido à jornada.

O novo homem do seu leito é despertado,

Buscando aconchego no colo da amada.


Os devaneios voam livres como pássaros,

Sossego darei aos meus loucos pesadelos.

Não vou ser mais o dono dos meus passos,

De fantasia em fantasia, construo o castelo.


As passadas seguem livres e sem direção,

Deixando os difíceis caminhos mais belos.

Nesta imensidão, vou perdendo minha visão,

Como a brisa soprando os meus cabelos.



Osvaldo Teles