quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Extas

Até o coração valente se aperreia

Quando o amor chega de repente,

Fazendo sorrir uma alma tristonha.

A minha vida se tornou diferente.


Viverei o amor em sua plenitude,

Lendo tudo na manha, na manha.

Quando o tempo passa, te amo.

Pelo seu nome, o meu ser clama.


No meu interior, aumenta a chama.

Vou sentindo a paz em meu ser.

Foi amor que nasceu dentro de mim,

Fez o coração bater no compasso.


A minha tristeza vai para o espaço.

No meu rosto, ficaram os seus traços.

Já sinto a felicidade tomando conta,

Os meus desejos vão aflorando.


As nossas almas se completando,

Prazeroso será o nosso encontro,

Parecendo um verdadeiro conto.

Os corpos vão entrar em êxtase.



Osvaldo Teles

O som das palavras

O som das palavras ainda ecoa,

Sinto as lágrimas molhando a face.

Não estou encarando tudo na boa;

Para curar, vou enchendo o cálice.


Tens uma língua bastante afiada,

Causou no meu peito uma ferida.

Dos males de amor, eu padeço;

As mesas dos bares são o endereço.


Estou me tornando um ébrio,

Aos poucos, vou perder meu brio.

A esse amor puro me entreguei;

Amar era tudo que um dia sonhei.


Só pretendia amar e ser amado,

Podendo repousar ao seu lado.

O meu coração tentei te entregar;

O que fizeste comigo foi brincar.


Amor, por favor, me deixa te amar!

Não sei por que fui me apaixonar.

Vulnerável fiquei em suas mãos;

Só fizeste maldade com meu coração.



Osvaldo Teles

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Respeita a tradição nordestina

Sinta a pegada de quem tem intimidade,

Derrubando touro brabo com os braços.

Meu caro, aqui é terra de cabra macho,

Fui criado à base de mocotó e buchada.


Dando ao meu coração muita vitalidade,

Não venha para cá me oferecer salada.

Uma boa chamada você não vai aguentar,

A feijoada comia com uma boa pimenta.


Pense em um nordestino cabra da peste,

Criado à base de amendoim e rapadura.

Uma dose de pinga era para abrir o apetite,

O copo de coalhada servia de sobremesa.


Seu moço, respeite a tradição nordestina,

Cabra, respeito é bom, e o nordestino gosta.

O plantão é duro, não é para qualquer um,

Trabalha sob o sol a pino, não é para menino.



Osvaldo Teles

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Sou favelado

Sou favelado, mas não sou coitado.

Os antepassados foram açoitados.

O sistema do destino se apropriou;

Os seus lombos, o chicote cortou.


Favela, o medo domina suas vielas.

Tem que andar com muita cautela,

Sendo o Estado aparelho ideológico,

Criando regras para seus cidadãos.


Sem poder quebrar os paradigmas,

O seu salário pago é uma bagatela.

Vai criando nas mentes um enigma,

Deixando em seus corpos sequelas.


O Estado deveria ser uma sentinela

Para proteger os seus indivíduos.

O que fazem é lavar as suas mãos,

Tornando este sistema promíscuo.


A desigualdade persiste na sociedade,

Privando o ser humano de dignidade.

Vivendo um cotidiano de insegurança,

Só faz dificultar a mobilidade social.



Osvaldo Teles

Deus Pai

Deus Pai Todo-Poderoso, a Ti rogo,

Sei que sou o Teu filho pródigo.

Em Teus braços quero repousar,

Estou pronto para de novo Te amar.


És a seta que indica meu caminho

Para encontrar o meu cantinho.

Andei por estradas tortuosas,

Vivia uma vida pecaminosa.


Trilhei por muitos caminhos errantes,

O abismo estava à minha frente.

Eu me via só nesta longa caminhada,

Não tinha um ombro nas paradas.


Encontrei armadilhas perniciosas,

Faze-me refazer o caminho de volta.

Baterei, ó Senhor, à Tua porta,

Rejubilarei alegre em Teu nome.


Pequei e buscarei o Teu perdão,

Livra-me das armadilhas do mundão.

O meu Deus é um Deus que salva,

Libertando o homem desta selva.



— Osvaldo Teles

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Doeu

Doeu, está difícil entre você e eu

Cadê o amor, que você me prometeu

Foi muito amor que a você dediquei

De corpo e alma a ti me entreguei

 

Só me retribuiu com a sua ingratidão

Deixando uma ferida no meu coração

Olho no espelho e não me reconheço

A sua aceitação é a única que te peço

 

Vou seguir o meu caminho sozinho

Como um passarinho saindo do ninho

A sua indiferença comigo foi doída

Ficando em meu coração uma ferida

 

Como deixar as lágrimas contidas

Se as suas palavras foram sofridas

Da forma que elas foram proferidas

Como uma faca cravada no peito

 

Queria ter o seu amor por toda vida

Deixa no meu peito uma grande dor

Só o Senhor, o tempo pode me curar

 


Osvaldo Teles

domingo, 25 de outubro de 2026

Macaxeira com manteiga

O dia está nascendo aperreado.

Como é lindo o despertar na roça!

O despertar parece uma poesia.

Eita, como é belo ver a luz do novo dia!


Macaxeira com manteiga e café,

Acompanhada de carne-seca,

Era o que me colocava de pé,

Batendo no rosto a brisa fresca.


Ainda falta buchada com cachaça,

Nordestino gosta de mesa farta.

Tudo é motivo para festejar,

Do amanhecer ao anoitecer.


A sanfona e o triângulo

Vão dando os seus tons.

Vou sentir o gosto do batom,

Com os rostos colados.


Sentirei o seu calor, calor!

A festa começa e não tem hora

Para acabar. Vamos dançar forró!

Só vamos sair do salão no pó.


Quando a luz do novo dia raiar,

Quando os raios solares brilharem,

Os corpos vão se tocando.

Vais passando, e fico só olhando.


As almas vão se apaixonando.

Como é belo acordar ao seu lado,

Com nossas almas apaixonadas,

Estou ficando enfeitiçado!



Osvaldo Teles