domingo, 26 de julho de 2026

Bota para subir

Bota para subir, bota para descer,

Chama que o pandeiro responde,

Está fazendo seu bumbum tremer,

A melodia no espaço se expande.


Deixando a harmonia vir do íntimo,

A ginga nasce nas pontas dos pés,

O corpo vai seguindo o seu ritmo.

Venha para trás, vem de ré, venha!


Vem batendo na palma das mãos,

A coreografia já nasceu prontinha,

Sentindo as nossas vibrações, sente,

Vem pisando devagarinho, pianinho.


Cola seu corpo ao meu e vai sentir

Todas as nossas emoções vibrantes.

Vamos dançar ao som da levada.


A batida do timbal vai vibrando,

Sua ginga toma conta da cintura,

Corpo e alma dançam juntinhos.



Osvaldo Teles

sábado, 25 de julho de 2026

Pode chorar

Não deixe o seu medo crescer;

Se deixar, ele vai te esmorecer.

Que essa queda vai ser grande,

Não se preocupe, vou te aparar.


Vou amparar na hora da queda;

Vai aguentar essa dor caladinho.

Se você deu um chute na pedra,

Agora pode chorar escondidinho.


Esqueci, por momentos, a topada;

Não achará uma mão estendida.

Ainda vais receber muita paulada

No decorrer desta longa estrada.


Cada um é dono de sua escolha;

Só você poderá dar sua passada.

A vontade de Deus vai prevalecer,

Seguindo firme nas suas jornadas.



Osvaldo Teles

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Escuto

Escuto tudo e fico em silêncio.

Às vezes, tenho que usar lenço

para conter as minhas lágrimas.

Não pretendo aumentar o clima.


As palavras cortam como navalha.

Me calo para não causar a batalha.

Não sabe o que ocorre aqui dentro;

queria, em seus braços, o encontro.


És uma pessoa sem nenhuma noção.

Ela sabe a dor que causa ao coração.

Em silêncio, buscarei a minha calma;

sem lhe possuir, meu corpo reclama.


Em sua trama, pretendo me envolver

e a sua quentura pretendo absorver.

Peço apenas que se cale um pouco,

ouvindo a voz que do coração vem.



Osvaldo Teles

Viver o presente

Olho para o passado,

Pensando no futuro.

Ficando no presente,

Vão ficar as mágoas.


A tristeza vou acalmar,

Quero que fique comigo

Somente minha alegria,

Alimentando a fantasia.


Fazendo da minha vida

Uma belíssima aquarela,

Vou sonhando com ela,

Na certeza de que és bela.


Te sonhei bem assim,

Todinha só para mim.

Era um amor sem fim,

Em meio às luzes.


Sua beleza aparece,

O amor resplandece.

Vou sendo libertado,

Vou viver o presente.



Osvaldo Teles

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Bebuns


Prepara uma dose com limão,

o povo do sindicato chegou.

A bombinha já está na mão,

a dose, de uma vez só, golou.


O povo está com o pé inchado,

pode falar o que quiser, vou beber.

Passo o dia todo fazendo maré,

só andam de quatro pés.


Parem, que andam dopados,

todos esfarrapados,

vão catando cocô.

Vai para lá, vem para cá.


Ficam de cachorro a lamber a boca,

o banco da praça são seus leitos.

Os bebuns estão escornados,

se encontram embriagados.



Osvaldo Teles

Noite de lua cheia

É noite de lua cheia

E de céu estrelado,

As gotas prateadas

Enfeitando a terra.


O escuro se encerra,

Refletindo a sua pele.

A seiva do amor

Correndo nas veias.


Foi sempre o que imaginei,

Esse ar de fantasia

Vai me tomando,

Não sei até quando.


As ilusões tomam conta

Da minha cabeça.

Nada será como antes,

Serei levado adiante.


Estou sendo levado

Pelas fases da lua.

Sinto o esplendor

Da sua pele nua.


Fazendo-me sentir

Totalmente perdido

Num mundo de sonhos.

É assim que me sinto.



Osvaldo Teles

quarta-feira, 22 de julho de 2026

A conta sempre chega para os mais pobres

Toda vez que um crime cometido por um adolescente ganha repercussão, a solução apresentada por muitos políticos é a mesma: reduzir a maioridade penal. O discurso é forte, conquista manchetes e agrada parte da população indignada com a violência. Mas quase nunca vem acompanhado de uma reflexão sobre as causas que levam tantos jovens a ingressarem na criminalidade.


Durante anos, o poder público falhou em garantir educação de qualidade, acesso à cultura, ao esporte, à profissionalização e oportunidades reais de ascensão social para milhões de brasileiros. Quando o Estado se ausenta da vida de uma criança, outros caminhos acabam ocupando esse espaço, muitas vezes marcados pela violência e pela exclusão.


É contraditório defender punições cada vez mais severas sem enfrentar as raízes do problema. Prender mais cedo pode satisfazer o desejo imediato de justiça, mas não substitui políticas públicas capazes de impedir que novos jovens sejam empurrados para o crime.


Outro aspecto que alimenta a indignação popular é a sensação de desigualdade diante da lei. Enquanto jovens pobres frequentemente enfrentam todo o rigor do sistema penal, casos de corrupção envolvendo agentes públicos costumam ser vistos pela população como demorados e complexos. Ainda que muitos desses casos resultem em investigações, condenações ou absolvições conforme o devido processo legal, permanece a percepção de que a Justiça pesa de maneira diferente conforme a posição social de cada cidadão.


A lei deve ser igual para todos. Quem desvia recursos públicos também rouba oportunidades, hospitais, escolas, segurança e esperança. A corrupção produz vítimas silenciosas e compromete o futuro de gerações inteiras.


Antes de discutir apenas a idade para prender, o Brasil precisa discutir a idade para educar, proteger e oferecer oportunidades. Uma nação que investe na infância e na juventude colhe menos violência. Uma nação que abandona seus jovens acaba transformando a prisão em resposta para problemas que deveriam ter sido enfrentados muito antes.


Reduzir a maioridade penal pode parecer uma solução rápida. Construir um país mais justo exige muito mais coragem: combater a corrupção, fortalecer a educação, gerar oportunidades e garantir que a lei alcance todos, sem privilégios e sem distinções.



Assistente Social Osvaldo Teles