terça-feira, 2 de junho de 2026

Vamos para o terreiro

Vamos para o terreiro, vamos sambar,

o sol está quente, vamos refrescar.

A alegria é grande, dá para contagiar,

a colheita foi boa, dá para a gente festejar.


O pandeiro está comendo no centro,

lá do fundo vai saindo o coro,

a cantoria vai ecoando no espaço,

da tristeza só ficam os seus traços.


Nos quadris vem o seu molejo,

depois de sairmos do pelejo,

os dedos desfilando no pandeiro,

quero ver quem entra na roda primeiro.


Os movimentos tomam conta do corpo,

dando leveza aos nossos passos,

parece que voamos como pássaros,

as batidas dão ritmo às passadas.



Osvaldo Teles

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Cavalgamos

Cavalgamos juntos em velocidade,

éramos dois seres; por alguns

momentos, éramos um só,

sentindo no rosto o vento


da nossa liberdade.

Não havia hostilidade,

hábios, cortávamos o estradão.

Às vezes, soltei as rédeas.


A viola ia gemendo nas mãos,

o violeiro tocava sua canção.

Como raios, era eu e o mangalarga;

solitários, nós dois viajamos,


deixando de lado minha carga.

O sopro da brisa na face

ia aliviando as tensões da viagem.

Pude apreciar as belezas à margem.


Sigo a estrada sem saber o paradeiro,

me tornei um verdadeiro aventureiro.

Deixei para trás a linha do horizonte,

não vejo mais nada à minha frente.



Osvaldo Teles

domingo, 31 de maio de 2026

Estou com saudade

Estou com saudade dos toques e carícias,

é do seu carinho que o meu corpo precisa.

Sinto falta de suas mãos correndo na pele;

as lembranças que ficam são o que ameniza.

 

O nosso ninho de amor ficou frio e vazio,

a solidão passou a ser minha companheira.

Paixão queria apenas te possuir por inteira:

um amor assim só se sente uma vez na vida.

 

Traga de volta um sorriso aos meus lábios;

a sua presença me preencherá de alegria.

Sou dependente dos seus beijos e dos seus toques,

Fazendo sentir como se estivesse em um bosque.

 

Faz-me esquecer das mesas de bares,

saudades que me levavam para outros ares.

A sua falta vai me consumindo por completo,

mas trago comigo a sensação do seu carinho.

 


Osvaldo Teles

Numa noite de São João

Tudo aconteceu numa noite de São João.

Ao pé da fogueira, a nossa paixão nasceu.

No calor do quentão, os corações palpitaram;

pude sentir as pernas tremendo de emoção.


O coração foi tomado pela paixão e pelo amor.

Nossas peles ardiam em brasa, queimavam.

O frio da noite foi substituído pelo calorão;

seu olhar fazia o sangue queimar em brasa.


Seus olhos traziam consigo seus mistérios,

tornando-se o palco das nossas fantasias,

acendendo em meu coração uma fogueira.

O sanfoneiro dedilhava as notas perfeitas.


O salão era invadido pela suave melodia;

os pares bailavam na mesma harmonia.

Brilhantes de emoção ficavam meus olhos;

na noite de São João encontramos ilusões.



Osvaldo Teles

sábado, 30 de maio de 2026

Beco sem saída

Estou em um beco sem saída,

Nem vem, que não sou de briga.

Só quero viver a minha vida,

Não fique procurando intriga.


A vida é muito maravilhosa,

Pense em uma coisa gostosa:

É poder viver intensamente,

Dando os passos livremente.


Subir e descer sem dar satisfação,

Essa era a minha intenção.

Mas a razão para o coração perde,

As emoções o meu corpo pede.


Não seguirei traçados já prontos,

A intuição me levará ao ponto.

Quero sentir a emoção de viver,

Não pretendo ser um morto-vivo.



Osvaldo Teles

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Pude sentir a leveza

Pude sentir a leveza do galope,

Era muito suave o seu trote.

Correu em disparada pela estrada,

Forcei algumas vezes a parada.


Nessa caminhada, era eu e ele,

Segui segurando a sua rédea,

Para não perder o seu controle,

Cavalgamos juntos, como em um rolê.


Cavalgando livre neste mundão,

Deixo para trás o pedaço de chão.

Tentei apreciar a beleza da vida,

Estava numa estrada comprida.


Não sei o que me espera no final,

A minha fé me liga ao celestial.

O vento sopra saudades do que fui,

Galopando, minha lembrança flui.


Lembrando-me do que está por vir,

A brisa acariciando o resto do sentir.

Dos saudosos momentos me lembrei,

Um dia, em meu pedaço de chão, pisarei.



Osvaldo Teles

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Vou em busca

Viro de um lado para o outro,

querendo encontrar meu sono,

porém a insônia me consome,

vou em busca do meu conforto.


A solidão vai se distanciando,

os passarinhos estão cantando,

um lindo dia está amanhecendo,

o galo está cantando no poleiro.


Tudo ao entorno era magistral,

o mugido do gado ecoa no curral,

o frescor da manhã toca no rosto,

os raios solares entram sorrateiros.


Na fresta da minha janela, adentra

o odor do estrume invade o pasto.

Na baía, o cavalo fica relinchando,

como é lindo o amanhecer na roça.



Osvaldo Teles