domingo, 7 de junho de 2026

Anarriê


O amendoim já tá cozinhando,

O milho está assando no fogão,

O licor está enfeitando a mesa,

A laranja descascada na bandeja.


A fogueira será acesa no terreiro,

Chuva de prata caindo no chão.

Só falta chegar o sanfoneiro

Para animar a noite de São João.


Chamei minha amiga para pular

O figueirão, vamos pular, comadre!

Vai ser festança a noite inteira,

A sanfona vai comer no centro.


Os casais dançando no salão

Até o amanhecer do novo dia.

Vai ter muito quentão para beber,

As pernas bambas de tanto dançar.


O coração fica batendo de emoção

Quando pego a prenda pelas mãos.

Anarriê! A quadrilha está passando,

A alegria toma conta dos corações.


Osvaldo Teles

Dindinha já me dizia

Dindinha já me dizia que a vida era dura,

Não vai adiantar lhe colocar armadura.

Fiz igual a São Tomé, tive que ver para crer,

Já concebido, apanhando para aprender.


Fui recebido por ela à base de palmadas,

Foram muito doídas, me fizeram chorar.

Tenha cuidado lá fora, haverá muitas armadas

Para tentar te aprisionar, vão te amarrar.


Abrindo os meus olhos para o mundo lá fora,

Se não tiver cuidado, ele vai te devorar.

Em cada esquina tem um perigo à espera,

Ande de cabeça erguida, olhando para frente.


Usando a sua sabedoria como a sua guia,

Deixando Deus guiar os seus passos.

Assim encontrará o seu caminho correto,

E não é que minha dindinha estava certa?



Osvaldo Teles

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Saudade

A saudade pula a porteira

E vai em busca do tempo,

No seu trote, na sua carreira,

Sem ver os seus contratempos.

 

As lembranças são um diferencial,

Nos ligando aos tempos bons,

Resgatando momentos felizes —

Solto as rédeas das recordações.

 

Deixando o coração apertado,

Os pensamentos se tornam alados.

Sei que, no avanço dos ponteiros,

Nunca mais vou ser o mesmo.

 

O que passou, nada voltará mais,

Voltar ao meu passado, jamais!

Vou seguindo novos roteiros,

Construindo lindos cenários.

 


Osvaldo Teles

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Comer é gostoso

Comer é bom, comer é gostoso,

Mas tem que ter dinheiro no bolso.

Essa carestia está demais,

Daqui pra frente é só pra trás.


O dinheiro é pouco para as contas,

Não dá para começar o mês.

O resto vai pagar o freguês,

Enquanto isso o patrão fica rico.


Os trabalhadores correm riscos,

Antigamente se dizia: é preço

De banana; hoje é preço de caviar.

O pobre, coitado, só faz trabalhar.


Malmente dá para se alimentar,

O salário é só para enganar.

As contas não dá para pagar.

Mantendo o povo escravizado,


Principalmente o assalariado,

Com a corda sempre no pescoço.

Comer é bom, o sistema não deixa,

Mais é o trabalhador que paga a conta.



Osvaldo Teles

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Trago história

Trago história que o tempo ajudou a ditar,

E as minhas lembranças que irei cantar.

Pelos caminhos que a vida me conduziu,

Deixo para trás as pancadas que me feriram.


Levando apenas a roupa do meu corpo,

Seguirei caminho com a cabeça erguida.

Ao nascer nada trouxe, nada levo comigo,

Agradecerei ao destino seu ombro amigo.


Seguirei em parceria com meu Divino,

Cortando o cordão umbilical com o terreno.

Não vou bater de frente com ninguém,

Na minha caminhada vou distribuir o bem.


Viver é simplesmente maravilhoso, gostoso.

Algumas quedas serão inevitáveis, mas levanto.

O mais importante é ter superação,

Amando o meu próximo como um irmão.


Vai ter choro e também muitos sorrisos,

Esquecer o que machucou, estou disposto.

Pelas estradas vou distribuindo flores,

Do meu coração arrancarei minhas dores.



Osvaldo Teles

terça-feira, 2 de junho de 2026

Renasci em seu amor

Senhor, renasci em seu amor,

Minha fé em ti me fez levantar.

A pequenez foi se agigantando,

Em seu nome, o céu se abriu.


Quando o silêncio faz morada

Em meu coração, faço oração.

Coloco em prática a devoção,

Meu peito se torna um oráculo.


Seu nome é, para mim, sagrado,

Estarás sempre ao meu lado.

Em ti encontro minha fortaleza,

Que seja feita a sua vontade.


Sabes, Senhor, tudo o que me faz

Longe de duvidar do seu poder.

És o Senhor de todos os exércitos,

Em minha defesa, vem, Senhor.



Osvaldo Teles

Faz transbordar

Senhor, afasta de mim as dores,

Enche o meu caminho de flores,

Faz transbordar em mim o amor,

Protege-me do mal, ó meu Senhor.


Faz-me caminhar na tua estrada,

Seja o orientador da minha jornada,

Das suas palavras serei portador,

Da sua compaixão serei devedor.


Acompanhando-me até os confins,

Levando-me a passear pelos jardins,

Pai nosso caridoso, tenha piedade,

Retira da minha mente a ansiedade.


Guiando-nos pelo caminho correto,

De amor, meu coração está repleto,

És o guardião dos meus pensamentos,

Vais amenizando os meus sofrimentos.


Buscando no Senhor a minha paz,

Vou me religando com o meu Pai,

Percebo a tranquilidade que me traz,

E toda a minha dor de mim se vai.



Osvaldo Teles

Vamos para o terreiro

Vamos para o terreiro, vamos sambar,

o sol está quente, vamos refrescar.

A alegria é grande, dá para contagiar,

a colheita foi boa, dá para a gente festejar.


O pandeiro está comendo no centro,

lá do fundo vai saindo o coro,

a cantoria vai ecoando no espaço,

da tristeza só ficam os seus traços.


Nos quadris vem o seu molejo,

depois de sairmos do pelejo,

os dedos desfilando no pandeiro,

quero ver quem entra na roda primeiro.


Os movimentos tomam conta do corpo,

dando leveza aos nossos passos,

parece que voamos como pássaros,

as batidas dão ritmo às passadas.



Osvaldo Teles

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Cavalgamos

Cavalgamos juntos em velocidade,

éramos dois seres; por alguns

momentos, éramos um só,

sentindo no rosto o vento


da nossa liberdade.

Não havia hostilidade,

hábios, cortávamos o estradão.

Às vezes, soltei as rédeas.


A viola ia gemendo nas mãos,

o violeiro tocava sua canção.

Como raios, era eu e o mangalarga;

solitários, nós dois viajamos,


deixando de lado minha carga.

O sopro da brisa na face

ia aliviando as tensões da viagem.

Pude apreciar as belezas à margem.


Sigo a estrada sem saber o paradeiro,

me tornei um verdadeiro aventureiro.

Deixei para trás a linha do horizonte,

não vejo mais nada à minha frente.



Osvaldo Teles

domingo, 31 de maio de 2026

Estou com saudade

Estou com saudade dos toques e carícias,

é do seu carinho que o meu corpo precisa.

Sinto falta de suas mãos correndo na pele;

as lembranças que ficam são o que ameniza.

 

O nosso ninho de amor ficou frio e vazio,

a solidão passou a ser minha companheira.

Paixão queria apenas te possuir por inteira:

um amor assim só se sente uma vez na vida.

 

Traga de volta um sorriso aos meus lábios;

a sua presença me preencherá de alegria.

Sou dependente dos seus beijos e dos seus toques,

Fazendo sentir como se estivesse em um bosque.

 

Faz-me esquecer das mesas de bares,

saudades que me levavam para outros ares.

A sua falta vai me consumindo por completo,

mas trago comigo a sensação do seu carinho.

 


Osvaldo Teles

Numa noite de São João

Tudo aconteceu numa noite de São João.

Ao pé da fogueira, a nossa paixão nasceu.

No calor do quentão, os corações palpitaram;

pude sentir as pernas tremendo de emoção.


O coração foi tomado pela paixão e pelo amor.

Nossas peles ardiam em brasa, queimavam.

O frio da noite foi substituído pelo calorão;

seu olhar fazia o sangue queimar em brasa.


Seus olhos traziam consigo seus mistérios,

tornando-se o palco das nossas fantasias,

acendendo em meu coração uma fogueira.

O sanfoneiro dedilhava as notas perfeitas.


O salão era invadido pela suave melodia;

os pares bailavam na mesma harmonia.

Brilhantes de emoção ficavam meus olhos;

na noite de São João encontramos ilusões.



Osvaldo Teles

sábado, 30 de maio de 2026

Beco sem saída

Estou em um beco sem saída,

Nem vem, que não sou de briga.

Só quero viver a minha vida,

Não fique procurando intriga.


A vida é muito maravilhosa,

Pense em uma coisa gostosa:

É poder viver intensamente,

Dando os passos livremente.


Subir e descer sem dar satisfação,

Essa era a minha intenção.

Mas a razão para o coração perde,

As emoções o meu corpo pede.


Não seguirei traçados já prontos,

A intuição me levará ao ponto.

Quero sentir a emoção de viver,

Não pretendo ser um morto-vivo.



Osvaldo Teles

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Pude sentir a leveza

Pude sentir a leveza do galope,

Era muito suave o seu trote.

Correu em disparada pela estrada,

Forcei algumas vezes a parada.


Nessa caminhada, era eu e ele,

Segui segurando a sua rédea,

Para não perder o seu controle,

Cavalgamos juntos, como em um rolê.


Cavalgando livre neste mundão,

Deixo para trás o pedaço de chão.

Tentei apreciar a beleza da vida,

Estava numa estrada comprida.


Não sei o que me espera no final,

A minha fé me liga ao celestial.

O vento sopra saudades do que fui,

Galopando, minha lembrança flui.


Lembrando-me do que está por vir,

A brisa acariciando o resto do sentir.

Dos saudosos momentos me lembrei,

Um dia, em meu pedaço de chão, pisarei.



Osvaldo Teles

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Vou em busca

Viro de um lado para o outro,

querendo encontrar meu sono,

porém a insônia me consome,

vou em busca do meu conforto.


A solidão vai se distanciando,

os passarinhos estão cantando,

um lindo dia está amanhecendo,

o galo está cantando no poleiro.


Tudo ao entorno era magistral,

o mugido do gado ecoa no curral,

o frescor da manhã toca no rosto,

os raios solares entram sorrateiros.


Na fresta da minha janela, adentra

o odor do estrume invade o pasto.

Na baía, o cavalo fica relinchando,

como é lindo o amanhecer na roça.



Osvaldo Teles

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Diante da sua beleza

 Diante da Sua Beleza


Diante da sua beleza, me apaixonei

O seu encanto jamais imaginei,

Podendo sentir, no meu coração,

Passei a te amar com devoção.


À perfeição chegam seus traços,

Como é lindo estar em seus braços,

Vem a sensação de estar no paraíso,

Nos lábios fica aberto um belo sorriso.


O planeta Terra vira um lindo jardim,

O ar vem com o perfume do jasmim,

A vida vem para mim toda sorridente,

Neste momento, me torno seu amante.


Sinto o meu sangue correr nas veias,

Aleatoriamente, meu pensamento vagueia,

Seu olhar chega e vai me hipnotizando,

Vais chegando, deixando-me te amando.


Fico imaginando os seus suaves toques,

Tocando suavemente em minha pele,

Abrindo o portal para a minha felicidade,

Fazendo-me sentir sensações indescritíveis.



Osvaldo Teles

terça-feira, 26 de maio de 2026

Vacilão

Vacilei não pensei nas consequências 

Não queria me machucar tanto assim 

Busquei no tempo minha paciência 

Só pensava primeiro em mim 

Nem sabia que iria doer tanto 


Fui um tremendo vacilão, vacilei,

Deixei o fogo da paixão esfriar.

Mesmo assim, com você sonharei,

Vou me esquecer do que passou.


Vamos para a pista, vamos bailar,

Coloca o seu corpo, sente o calor.

A seiva do amor correrá nas veias,

Nas estrelas, nossa mente passeia.


Perdida nas constelações, vagueia,

Fui em busca do meu elo partido,

Querendo reacender o nosso amor,

Deixei desabrochar a belíssima flor.


Que vai exalando o suave perfume,

Meus olhos brilham como os lumes.

Vão aumentando em mim as tensões,

A realidade se transformou em ilusões.



Osvaldo Teles

domingo, 24 de maio de 2026

Fiz loucura

Fiz loucura, não pensei em nada,

Queria te fazer de minha amada.

Me entreguei ao amor por completo,

De paixão, o coração está repleto.


Sua total indiferença me maltrata,

Fostes, para mim, uma ingrata.

Não vou te dizer que tudo acabou,

Apesar de tudo, o amor não terminou.


A sua atitude era difícil de prever,

Vivia para fazer minha mulher feliz.

Nessa relação, esqueci de viver,

A minha felicidade está por um triz.


Quis tê-la comigo na minha jornada,

O ciúme nos afastou da caminhada,

Deixando minha cabeça perturbada

E o meu coração com muitas feridas.



— Osvaldo Teles

sábado, 23 de maio de 2026

Meu anjo

Gostaria que soubesse que te amo,

Meus desejos por ti ficam clamando.

Algo dentro de mim ainda não partiu,

Guardo nas narinas a sua essência.


O meu corpo a sua ausência sentiu,

Tirou da minha mente a consciência,

Arrancou dos meus lábios o sorriso,

Pensei que seria meu anjo da guarda.


Volte ao meu caminho, não irei sozinho,

Não consigo viver sem o seu carinho.

Até que tentei, porém eu não consigo,

Passo minhas noites sonhando contigo.


Vejo à minha frente sua bela imagem,

Passando na tela como uma miragem.

Muitas vezes lhe procuro no silêncio.


Fiquei me lembrando do nosso início,

Fico imaginando o nosso recomeço,

O meu olhar fica perdido no caminho.



Osvaldo Teles

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Caminhos tortuosos

Andei por caminhos tortuosos,

Tentei encontrar a felicidade,

Sem saber que estava em mim,

Larguei de mão a capacidade.


Me joguei à minha própria sorte,

Era minha sentença de morte.

Busco, na jornada, me encontrar

E com o meu Deus me religar.


Nos meus momentos difíceis,

Segurei nas Suas mãos e segui.

Deixei Deus guiar meus passos,

Seguindo comigo no meu caminho.


Com Ele nunca estaria sozinho,

Com Ele fui criando nossos laços.

Encontro em Suas palavras a paz,

Nas minhas tristezas, Ele me protege.



— Osvaldo Teles

terça-feira, 19 de maio de 2026

Vou destilar as mágoas

Gota a gota vou destilar as mágoas,

Vou beber uma cachaça como água.

Ô, seu moço, coloca mais uma pinga,

Hoje não quero saber de sua intriga.


Não compro com você nenhuma briga,

A sua indiferença não vai me afetar.

Neste encontro, só queria me entregar,

Essa dor me faz perder a consciência.


Não queira encontrar em mim coerência,

Nunca vou me tornar num raparigueiro.

Pretendia apenas seu amor verdadeiro,

Ficariam para trás os meus sofrimentos.


No coração, cicatrizavam os ferimentos,

Eu esqueceria os endereços dos bares,

Livremente ia viajando por outros ares,

Tirando da minha vida todos os vícios.



— Osvaldo Teles

segunda-feira, 18 de maio de 2026

A dor da saudade

Cerveja gelada, hoje vou tomar todas,

Apagarei da memória as lembranças.

Nada pior do que a dor da saudade,

Não quero depender da sua caridade.


Se for por amor, posso até repensar,

A mesa do bar agora é meu endereço.

Fiz de tudo, amor, mas não te esqueço,

Passei por diversas camas, não esqueci.


O jeito que você ama me fez apaixonar,

Vai me deixar prontinho para te amar.

Pedirei ao garçom para colocar mais uma,

Não pensarei no mundo lá fora, esquecerei.


Vou estourar um champanhe para festejar,

Por favor, não venha encher o meu saco.

Só vou sair do bar quando me embriagar,

Pretendo destilar as minhas mágoas.



— Osvaldo Teles

domingo, 17 de maio de 2026

Caminhando com Jesus

Vou caminhando com Jesus,

Serás para sempre minha luz.

Nunca me perco no caminho,

Com Ele não estou sozinho.


A jornada tem destino certo,

Pega na mão e me conduz.

Sou fruto do seu amor, Senhor,

Será para sempre meu protetor.


Sem Ele não serei ninguém,

É o único que quer o meu bem.

Quando clamo, sou atendido,

Em seu nome, portas se abrem.


És o meu Deus de compreensão,

A minha vida está em suas mãos.

Os meus pedidos são atendidos,

Os passos se tornam mais leves.



— Osvaldo Teles

sábado, 16 de maio de 2026

Minha fé

Nasci brigando com o destino

Desde os tempos de menino

A vida nunca sorriu para mim

Ela nunca me deu o seu sim


Pense em um cabra teimoso

Briguei muito, não fui temeroso

Até vencido, não me entreguei

Mesmo com adversidades, lutei


Nada na minha vida foi em vão

Deus tinha o controle na mão

Tenho como arma a minha fé

Nas quedas, me colocou de pé


Meu Senhor ia me orientando

Minha alma seguia lhe louvando

A missão ainda não está definida

Assim, buscarei o sentido da vida



— Osvaldo Teles

Carrego no coração

Carrego no coração minhas tristezas,

Deixando para trás minhas incertezas.

Vou seguindo a luz do sol nascente,

Meu triste olhar vai ficando reluzente.


Na algibeira, levo o pouco que tinha,

Dependurada no ombro, levo a viola.

Tive que partir para cumprir minha sina,

As lembranças vão ficar na memória.


Apreciar as paisagens era obrigatório,

Para serem contadas em minha história.

Algumas ficam largadas pela estrada,

Busquei repouso em minhas paradas.


O vento soprava as minhas saudades,

Iam dando ao meu cavalo velocidade.

O som do berrante dava para ouvir de longe,

A imagem surgia na linha do horizonte.



— Osvaldo Teles

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Se achega

Se achega de mansinho,

Me abraça devagarinho,

Apertando em seu peito,

Sinto o calor da sua pele.


Toco no seu corpo perfeito,

Sinto a energia que vem dele,

A magia do amor nos toma,

Fluindo dos poros o aroma.


Como é lindíssima sua face,

Com seu carinho me abrace,

Sentirei toda a sua ternura,

Deixando a minha alma nua.


Vou ficando embriagado,

Amor e paixão se confundem,

O corpo vai ficando extasiado,

A mente viaja livre no espaço.


Perde contato com a realidade,

Sendo tomado pelas fantasias,

Sou envolvido no conto de fadas,

As ilusões assumem meus dias.



— Osvaldo Teles

Olha a cocada! Gostosa.

Lá vem a menina subindo a ladeira,

Com o cesto na cabeça, ela desce,

Desfilando no maior malabarismo,

Ela vai gritando: “Olha a cocada!”


Vou seguindo a sua rebolada,

Com sua sensualidade provocante,

Fico de longe olhando seu molejo,

Despertando o pervertido desejo.


Vou seguindo o seu rebolado,

O meu coração bate acelerado,

O seu andar parece uma dança,

O seu olhar vem como uma lança.


Adianto os passos, vou ao seu lado,

Suas passadas saem cadenciadas,

Anda como se estivesse na passarela,

Atento, vou seguindo os passos dela,

Olhando o compasso do seu rebolado.



— Osvaldo Teles

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Cachaceiro no piseiro

A minha ideia está cravada,

Vou tomar suco de cevada,

Com muito suco de cana,

Nem me chame de sacana.


Pode até chamar de leviano,

Eita! Vou filtrar como um pano,

Estou vivendo a minha vida,

Posso ficar de cabeça doída.


Não vou pensar no amanhã,

Só irei sair daqui de manhã,

Vai ficar lastrada minha mesa,

Quero saber quem é a presa.


Deixa eu beber minha breja,

Não vai subir para a mente,

Será muita cachaça na cachola,

Para ela não dar nenhuma bola.



— Osvaldo Teles

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Peixe fora d'água

Enquanto a mente voa,

O corpo inerte fica aqui.

A cabeça fica girando,

E eu não sei para onde ir.


Senhor homem lá de cima,

Manda-me um sinal aí.

Mostra o rumo a seguir,

Não me deixes perdido,


Sem saber para onde ir.

Já não sou compreendido,

O mundo aqui embaixo

Está ficando muito louco.


O bom senso ficou de lado,

O ser humano só pensa em si.

Sinto-me um peixe fora d’água,

Peço-te apenas uma trégua.


Estou deslocado neste planeta,

Tento entender os seus planos.

Às vezes, sinto-me numa sarjeta.



Osvaldo Teles

terça-feira, 12 de maio de 2026

Quero seu dengo

De você, eu quero seu dengo,

Vou te envolver no chamego.

Em seus braços, chego ao céu,

Minha lucidez vai para o beleléu.


Pelas nuvens viaja minha mente,

Assim, te vou amar eternamente.

Para sua gostosura, tiro o chapéu,

Fazendo minha cabeça dar giros.


Na sua forma de amor me inspiro,

Seus beijos são a chave para o prazer,

Deixando-me arrepiado com os toques,

Parece que caminho pelos bosques.


Em seu ser darei mergulho profundo,

Vais me envolvendo em seu mundo.

Sua suave essência vou absorvendo,

O seu perfume está me embriagando.



— Osvaldo Teles

Partiu

Partiu sem me dizer nada,

Se foi sem me dar adeus.

Deixou-me perdido na estrada,

Fiquei com o olhar ao léu.


Nenhum aceno me destes,

Tirando o brilho dos olhos.

Arrancou um pedaço de mim,

Deixou a tristeza sem fim.


Pulastes da minha garupa,

Na certeza que não tinha culpa 

Tive que prosseguir sozinho,

Eu e meu alazão no caminho.


Essa seria minha triste cena,

Buscar a felicidade motivava,

Não fazia mais parte da vida.


Em disparada, soltei as rédeas,

As ideias ficam comprometidas,

No meu peito ficaram as feridas.



— Osvaldo Teles

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Deus é simplesmente Perfeito

Deus é simplesmente perfeito,

Fizera tudo lindo e do seu jeito.

Fez da criação uma maravilha,

Só pretendo seguir a sua trilha.


Ele criou o lindo firmamento,

Nele colocou os seus luzeiros.

Maravilhas fez em nossas vidas,

Suas promessas foram cumpridas.


Na criação estão as suas mãos,

Demonstrando toda a sua perfeição.

Com muito carinho cuida da gente,

Em cada obra Ele está presente.


Fez-nos à sua imagem e semelhança,

O seu amor nos deu como herança.

Foi muito amor que nos dedicou,

Por amor a nós, seu Filho sacrificou.



— Osvaldo Teles

Artimanhas do sistema

O sistema é bruto, tentei lutar contra ele.

Se vacilar, nos prende com correntes,

Usa suas artimanhas para nos prender,

Muitas vezes, não temos como nos defender.


O capitalismo selvagem nos escraviza,

Condicionando-nos a aceitar suas condições.

Em nome da sobrevivência, aceitamos

A imposição colocada pelos patrões.


Tornando a mão de obra mercadoria

Barata nesse processo de produção,

Vai beirando ao estado de escravidão,

Alienando por completo nossas mentes.


Se torna tão natural que nem se sente,

É luta, é luta, meu irmão, pela libertação.

O Estado é o maior aparelho de dominação,

Onde quem tem a força é a classe dominante.



— Osvaldo Teles

domingo, 10 de maio de 2026

Tenho que fazer tudo hoje

Tenho que fazer tudo hoje,

não sei se terei o amanhã.

Ainda sinto os seus toques

correndo pelo meu corpo.


Como se fosse no momento,

os pelos estão se arrepiando.

Torno-me passageiro do tempo,

vou seguir sem me preocupar.


Com os contratempos, deixe virem,

irei preparar a minha montaria.

Meu amigo inseparável me guia,

seus latidos vão abrindo caminho.


Ela vai seguindo os meus passos,

vou viajando livre como pássaros.

A vontade da chegada impulsiona,

os pensamentos se condicionam.



— Osvaldo Teles

Fiel

Não quero mais saber de sofrer,

As dificuldades me fizeram aprender.

A sua desconfiança me deixa mal,

Está mais parecendo uma doença.


Porque a ti serei eternamente fiel,

O meu amor vai pertencer a você.

Cada dia aumenta o meu querer,

Não vejo uma luz no final do túnel.


Esta situação está me consumindo,

Uma dor no peito vai me possuindo.

O que fiz não está sendo levado em conta,

Viver assim vai tirando meu encanto.


Dos meus olhos escorre o meu pranto,

Deus, eu não preciso passar por isto.

Está sendo sofrido, mostra a direção,

Alivia as dores do meu pobre coração.



— Osvaldo Teles

Venci todos obstáculos

Venci todos obstáculos colocados,

Mas tinha meu Deus como aliado.

Viajando no lombo da esperança,

Encontrei dentro de mim a crença.


Em mim estava a minha felicidade,

Foi colocada à prova a capacidade

De adaptar-me às novas adversidades.

Preparei-me para minhas fatalidades.


Ainda falta caminho a ser percorrido,

Não me preocupava com o tempo ido.

Dentro do peito pulsava um coração,

Que ficava acelerado de muita emoção.


As tentações ficavam à espreita,

Tentei me desviar de suas tretas.

Recorro à fé para me manter firme,

Na mente vai passando meu filme.



— Osvaldo Teles

sábado, 9 de maio de 2026

Meu pangaré

Coloquei a cela no meu pangaré,

Pode falar, é melhor do que a pé.

O poeirão vai desenhando o rosto,

A alegria vai ser o meu entreposto.


Procurando meu rumo no estradão,

Tirei das lembranças minha solidão.

Ficou para trás o que me machucou,

Levei na memória o que me alegrou.


Estacionei no planeta das fantasias,

Me causando uma grande paralisia.

O meu pangaré aumentava o trote,

Para não ser acertado pelo golpe


Que o destino tinha devidamente armado.

Adentrei o meu caminho desarmado,

Carreguei comigo a vontade de chegar,

Não tivemos nem um tempo para aproveitar.


Não tinha como as pegadas apagar,

O meu companheiro cavalgou comigo.

Estávamos exauridos da longa cavalgada,

Deixamos para trás muitas poeiras.



Osvaldo Teles

Não adianta


Não adianta pedir desculpas,

estou machucado por demais.

Não vou mais correr atrás,

é muito dolorido lhe dizer isso.


Deixou meu ser cheio de tristeza,

brincou com meus sentimentos.

Sabes que causou sofrimentos,

tens um homem que te ama.


Mas tudo você causa drama,

aumentando minha sofrência.

Queria que tivesse consciência,

sonhava em ser feliz contigo.


Deste chance para o inimigo.

Se não queres ser minha amada,

não pretendo ser o seu amigo.

Ainda sinto o sabor do seu batom.


— Osvaldo Teles

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Meu refúgio

Não serás o subterfúgio,

És, Senhor, o meu refúgio,

Meu abrigo, meu amparo;

Diante do Senhor, paro.


Buscarei em Ti minha paz,

Os seus planos se refazem.

Sou dependente do amor

Para aliviar minhas dores,


Que emanam do seu coração,

Preenchendo o meu vazio.

Estou aprisionado pelo fio,

Que será quebrado pela fé.


Tenho por Deus devoção,

Que suas bênçãos invadam

O espaço vazio do meu ser.


Pretendo apenas Te conhecer,

Seus ensinamentos absorver;

Quero receber a vida plena.



— Osvaldo Teles

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Eterno aprendiz

Não tenho tempo para perder,

tenho a minha vida para viver.

Tento esquecer o que me fez,

fico procurando o que fazer.


Há coisas que não pude mudar,

mesmo que as lágrimas rolem.

Tudo na vida tem os porquês,

só não quero ser seu freguês.


O tempo vai ser minha escola,

pretendo aprender sem demora.

A vida é curta, a morte é eterna,

não tem sentido brigar com ela.


Serei, assim, um eterno aprendiz,

é o que minha experiência me diz.

Eu, homem, só tenho a aprender,

a minha vida me proponho viver.



Osvaldo Teles

terça-feira, 5 de maio de 2026

Cantos majestosos

Acordava no belo raiar do dia,

Ia absorvendo a sua maresia,

Sentindo toda a sua lindeza,

Me sentia a mais bela realeza.


O cantar do galo, o despertador,

As afinadas carretilhas do canário

Desenhavam na mente belo cenário,

O sol fazia as neblinas dissiparem.


Como era lindo o novo amanhecer,

A natureza em júbilo despertava,

Os pássaros, na maior algazarra,

Soltavam seus cantos majestosos.


Ecoando por todos os cantos,

Pulando de galho em galho,

Os cardeais faziam sua festa,

Despertando feliz para a vida.



Osvaldo Teles

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Lágrimas da minha solidão

A água vai correr para o Riachão,

igual às lágrimas da minha solidão.

Náufrago dentro de mim mesmo,

à estação transitória me aproximo.


O coração machucado se encontra

numa nascente de água cristalina.

Derramo os prantos de minhas dores,

não dá para ouvir os meus clamores.


Por fora, reflete o que sinto por dentro.

Nas estradas, deixei minhas lamúrias,

no decorrer, fui esquecendo as juras,

buscando no amor as minhas curas.


Em um mar de angústia me encontro,

ficando desorientado nessa procura.

Procurei no mundo o ser encantado

para tornar o nosso jardim colorido.



Osvaldo Teles

Sociedade excludente: quem controla

 Sociedade Excludente: quem controla o jogo social no Brasil?


Por Osvaldo Teles


Em meio aos discursos recorrentes sobre combate à corrupção e defesa da igualdade, uma pergunta incômoda precisa ser feita: quem, de fato, controla o sistema? A resposta, ainda que desconfortável, aponta para uma elite que historicamente detém o poder econômico e político, influenciando diretamente as estruturas do Estado.


A máquina pública, longe de ser neutra, reflete desigualdades profundas. Nos espaços de decisão — como ministérios e cortes superiores — a diversidade muitas vezes aparece apenas de forma simbólica. A ausência significativa de pessoas negras em posições de maior poder levanta um debate urgente: trata-se de falta de qualificação ou de um sistema que, desde sua origem, reproduz barreiras estruturais?


A sociedade brasileira, nesse sentido, parece repetir padrões antigos de dominação. Enquanto o discurso oficial enfatiza a igualdade de oportunidades, a prática revela um cenário diferente, onde a ascensão social ainda encontra obstáculos bem definidos. A presença da população negra em ambientes de prestígio, especialmente no campo do conhecimento, frequentemente provoca incômodo, pois rompe com uma lógica historicamente estabelecida.


Esse fenômeno dialoga com teorias clássicas da sociologia. De um lado, a ideia de que as estruturas sociais tendem a perpetuar desigualdades ao longo das gerações. De outro, a compreensão de que o acesso ao conhecimento pode ser um instrumento de transformação e mobilidade social. Entre esses dois polos, encontra-se a realidade de milhões de brasileiros que lutam diariamente para romper ciclos de exclusão.


Não se pode ignorar, ainda, a dívida histórica do país com a população negra. Após séculos de exploração e ausência de políticas de inclusão efetivas, os impactos permanecem visíveis. Comunidades periféricas enfrentam condições precárias de moradia, acesso limitado à educação de qualidade e inserção majoritária em trabalhos informais ou de baixa remuneração. Trata-se de um quadro que não é fruto do acaso, mas de escolhas históricas.


Nesse contexto, cresce o sentimento de distanciamento em relação à classe política. Para muitos, ela parece mais alinhada aos interesses da elite econômica do que às necessidades da população em geral. Soma-se a isso a atuação de setores que, em vez de promover mudanças sociais amplas, acabam reforçando relações de poder já consolidadas, muitas vezes por meio de influência direta nas decisões políticas e econômicas.


Diante desse cenário, a reflexão que se impõe é clara: é possível falar em igualdade real em um sistema que, estruturalmente, ainda exclui? Reconhecer o problema é o primeiro passo. O desafio seguinte é transformar essa consciência em ação — por meio da educação, da participação social e da construção de políticas públicas mais justas e inclusivas.


Enquanto isso não acontece, o país segue convivendo com uma contradição evidente: a de se apresentar como uma nação plural e democrática, mas manter, na prática, mecanismos que limitam o acesso de muitos aos mesmos direitos e oportunidades.



Sociedade excludente

 Sociedade Excludente


Osvaldo Teles


Introdução


Quem rouba de verdade não é apenas o indivíduo comum exposto diariamente nos noticiários, mas sim a elite branca que detém a máquina do Estado. O sistema, estruturado dessa forma, revela-se profundamente excludente. Nos ministérios, a presença de uma ou outra figura negra muitas vezes serve apenas para maquiar uma falsa diversidade, enquanto, nas supremas cortes, a ausência de pessoas pretas levanta um questionamento inevitável: trata-se realmente de falta de competência ou de um reflexo de um Estado historicamente marcado pelo preconceito da elite dominante?


Desenvolvimento


A sociedade contemporânea não rompeu com as práticas de dominação do passado; ao contrário, frequentemente as reedita sob novas formas, enquanto, contraditoriamente, prega uma igualdade que não se concretiza. É possível perceber que as estruturas de poder resistem à ascensão da população negra, sobretudo quando essa ascensão ocorre por meio do conhecimento — um dos principais instrumentos de transformação social.


Nesse contexto, a presença do afrodescendente em espaços de saber e poder incomoda, pois desafia padrões historicamente estabelecidos. Essa realidade dialoga com reflexões de Max Weber sobre as limitações impostas pela estrutura social, na qual o indivíduo tende a permanecer na condição em que nasce, ao mesmo tempo em que confronta a perspectiva de Pierre Bourdieu, que aponta o conhecimento como um caminho possível para a ascensão social.


Além disso, é inegável que o país carrega uma dívida histórica com a população negra. Após séculos de exploração, os antepassados foram abandonados sem qualquer garantia de direitos. Hoje, os reflexos desse passado permanecem evidentes: grande parte da população negra ainda vive nas favelas, em condições precárias, com acesso limitado à educação de qualidade e inserida majoritariamente em subempregos, o que perpetua o ciclo de desigualdade.


Conclusão


Diante desse cenário, torna-se difícil sentir-se representado pela classe política atual. Em grande medida, ela atende aos interesses da burguesia, enquanto setores religiosos, em muitos casos, atuam alinhados aos grandes empresários. São esses grupos que, na prática, influenciam e determinam as regras do jogo social e econômico.



domingo, 3 de maio de 2026

Não adiantou nada

Não adiantou nada me afastar,

continuo com você na cabeça.

A sua lembrança comigo está,

mesmo que eu peça que esqueça.


Fiz de tudo para lhe esquecer,

amo, por mais imaturo que seja.

Fiz de tudo para você perceber,

lhe possuir o coração, enseja.


Te carrego nas minhas ilusões,

vais aumentando as fantasias.

Ainda sinto fortes palpitações,

provoca sonhos em demasia.


Quis ficar quieto no meu canto,

remoendo minha dor sozinho.

Tentei fugir dos seus encantos,

mudando até o meu caminho.



Osvaldo Teles

Atravessava as noites

Atravessava as noites, solitário,

No amanhecer, levantava abatido,

Passando a ser um suplício diário,

E com meu coração no peito, ferido.


E as gotas de tristeza no meu rosto,

Nos olhos, ficaram os traços da dor,

A alegria tinha perdido o seu posto,

A alma sentia a falta do seu amor.


Chorei por diversas vezes sua falta,

Deixei de lado minhas expectativas,

Fica turvo e se apaga a luz da ribalta,

Não encontro nenhuma perspectiva.


Tudo ao entorno ficará na penumbra,

A sua ausência só faz me maltratar,

Diante da sua beleza, a alma deslumbra,

A sua presença vem me completar.



Osvaldo Teles

sábado, 2 de maio de 2026

Vou vivendo a vida

Vou vivendo a vida a cada dia,

sem me preocupar com o amanhã.

Assim farei dela uma linda poesia,

dela só pegarei a sua manha.


O amanhã só a Deus pertence,

darei passos em câmera lenta.

Na batalha, não sei quem vence,

dizem: feliz é quem tenta.


De qualquer forma, a morte chega,

corri demais, agora vou devagar.

Fico parado, esperando passar,

nas esquinas, ela pode me pegar.


De qualquer forma, a morte bate,

na porta vai bater — para que correr?

Não tem jeito, um dia vai me abraçar.

Irei aproveitar o tempo que me resta.



Osvaldo Teles

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Abre a roda

Abra a roda que eu vou entrar,

Vou entrar com todo molejo.

Bate palmas que vou sambar,

Sente a emoção do seu cortejo.


Samba de roda é cultura popular,

É muita ginga na cintura, na cintura.

Segura a saia, bota a saia pra rodar,

O corpo girando parece uma pintura.


Vamos dar uma rodada no salão,

Bota poeira para subir do chão.

Solta o corpo ao ritmo do tambor,

O coração vai sentindo a emoção.


A pele vai liberando o seu calor,

Os passos vão sendo sincronizados.

Como um tambor, o coração bate,

Parece que o corpo vai sair voando.



Osvaldo Teles

Escravo moderno

 Escravidão Moderna: a Dominação Invisível no Capitalismo Contemporâneo

Por Osvaldo Teles (baseado no poema “Escravo moderno”)


A ideia de escravidão costuma remeter a um passado marcado por correntes visíveis, senzalas e ausência total de liberdade formal. No entanto, o conceito de “escravo moderno”, como apresentado no poema, convida a refletir sobre formas mais sutis — porém não menos impactantes — de dominação presentes na sociedade contemporânea. Trata-se de uma escravidão que não aprisiona o corpo com correntes de ferro, mas condiciona a mente e limita as possibilidades de existência por meio de estruturas econômicas e sociais.

No centro dessa reflexão está o sistema capitalista, descrito como um mecanismo que “edita sua forma de dominação”, adaptando-se ao tempo e às circunstâncias. Diferentemente da escravidão clássica, o trabalhador moderno é formalmente livre, mas, na prática, precisa vender sua força de trabalho para sobreviver. Essa relação, marcada pela dependência econômica, cria uma dinâmica desigual, em que o capital detém o poder e o trabalho se submete às suas exigências.


O poema evidencia um dos principais conflitos dessa estrutura: a relação entre capital e trabalho. O trabalhador produz riqueza, muitas vezes em níveis superiores ao necessário para sua própria subsistência, mas não recebe de forma proporcional ao que gera. Essa diferença — frequentemente chamada de exploração — sustenta o acúmulo de riqueza nas mãos de poucos, enquanto a maioria permanece com “as sobras”. Assim, o trabalho deixa de ser apenas uma atividade produtiva e passa a ser também um instrumento de manutenção das desigualdades.

Outro ponto importante é a ideia de “grilhões invisíveis”. Esses grilhões representam mecanismos como a necessidade constante de emprego, o medo do desemprego, a falta de oportunidades e a pressão por produtividade. São elementos que não se veem, mas que condicionam comportamentos, limitam escolhas e mantêm o indivíduo preso a uma lógica de sobrevivência. O ambiente de trabalho, nesse contexto, pode se tornar uma espécie de “prisão simbólica”, onde o indivíduo permanece não por escolha plena, mas por necessidade.


A crítica também se estende à postura de parte dos detentores do capital, retratados como insensíveis às condições do trabalhador. O foco exclusivo no lucro, quando desvinculado de responsabilidade social, contribui para a desumanização das relações de trabalho. O resultado é um ciclo em que o trabalhador se desgasta continuamente, enquanto os frutos de seu esforço se concentram em poucos.

No entanto, o poema não deve ser interpretado apenas como denúncia, mas também como convite à reflexão crítica. Compreender essas dinâmicas é o primeiro passo para questioná-las e, eventualmente, transformá-las. A discussão sobre justiça social, valorização do trabalho e distribuição de renda torna-se essencial nesse cenário.


Em síntese, “Escravo moderno” revela que a escravidão não desapareceu por completo — ela apenas se transformou. Hoje, assume formas mais complexas e menos visíveis, exigindo consciência e debate para ser reconhecida e enfrentada. O poema de Osvaldo Teles, ao dar voz a essa realidade, cumpre um papel importante: o de provocar, inquietar e despertar a reflexão sobre o mundo do trabalho e as estruturas que o sustentam.



Osvaldo Teles

quinta-feira, 30 de abril de 2026

A contribuição de Pierre Bourdieu para o Serviço Social

Osvaldo Teles – Assistente Social

Resumo

O presente artigo discute a contribuição de para o Serviço Social, destacando sua relevância na compreensão dos mecanismos de dominação presentes na sociedade. A partir de sua sociologia crítica, fundamentada nas relações de poder e na análise das estruturas sociais, evidencia-se a importância da educação e da conscientização como instrumentos de emancipação dos indivíduos. O estudo ressalta ainda a pertinência dos conceitos de violência simbólica e dominação simbólica para a prática profissional do assistente social.

Palavras-chave

Serviço Social; dominação simbólica; violência simbólica; educação; emancipação social.


1. Introdução

A obra de constitui uma das mais importantes contribuições à renovação da sociologia crítica, influenciando diretamente diversas áreas das ciências humanas, entre elas o Serviço Social. Sua produção teórica permite a análise das relações de poder e dos mecanismos invisíveis que estruturam o corpo social, oferecendo subsídios fundamentais para a compreensão das desigualdades sociais.

Nesse contexto, o Serviço Social se apropria de suas categorias analíticas como forma de fortalecer a intervenção profissional, sobretudo no que se refere à conscientização dos indivíduos e à luta pela emancipação social.


2. Bourdieu e a compreensão da dominação social

A sociologia bourdieusiana constrói-se em torno do desenvolvimento das relações de força entre os agentes sociais e dos mecanismos simbólicos que sustentam essas relações. Para o autor, a dominação não se apresenta apenas de forma explícita, mas também por meio de processos sutis e naturalizados no cotidiano.

Dessa perspectiva, destaca-se o conceito de dominação simbólica, que se refere à imposição de significados e valores que legitimam a ordem social vigente. Tal dominação ocorre de forma invisível, sendo internalizada pelos indivíduos, o que contribui para a manutenção das desigualdades.

Outro conceito central é o de violência simbólica, entendido como um tipo de coerção exercida de maneira indireta, por meio do reconhecimento e da aceitação das estruturas de poder pelos próprios sujeitos sociais.


3. A contribuição para o Serviço Social

A partir dessas formulações, contribui significativamente para o Serviço Social, especialmente no que se refere à compreensão crítica da realidade social e à intervenção profissional.

O Serviço Social, ao incorporar tais conceitos, busca promover a conscientização dos indivíduos acerca de sua posição na estrutura social, incentivando o reconhecimento das condições históricas e estruturais que determinam suas vivências. Esse processo visa romper com a chamada “falsa consciência”, possibilitando a construção de uma leitura crítica da realidade.

Nesse sentido, a educação social assume papel fundamental, sendo compreendida como instrumento de transformação e de ruptura com os paradigmas de dominação. A prática profissional orienta-se, portanto, pela identificação de classe e pela mobilização dos sujeitos sociais na luta por direitos e por justiça social.


4. Tensões ético-políticas na prática profissional

A incorporação das contribuições de também evidencia tensões no âmbito do Serviço Social, especialmente entre o universo político e o projeto ético-político da profissão.

O assistente social encontra-se inserido em estruturas institucionais que, muitas vezes, reproduzem relações de poder e mecanismos de dominação simbólica. Assim, sua atuação exige constante reflexão crítica sobre o exercício do poder simbólico e seus impactos na prática profissional.

Dessa forma, o desafio consiste em desenvolver uma intervenção que, ao mesmo tempo em que atua dentro dessas estruturas, busque transformá-las, promovendo a emancipação dos sujeitos e a efetivação dos direitos sociais.


5. Considerações finais

A contribuição de para o Serviço Social é significativa, pois oferece instrumentos teóricos que possibilitam a análise crítica das desigualdades sociais e dos mecanismos de dominação presentes na sociedade.

Seus conceitos de dominação simbólica e violência simbólica permitem compreender como as relações de poder se reproduzem de forma sutil e naturalizada, desafiando o Serviço Social a desenvolver práticas que promovam a conscientização e a emancipação dos indivíduos.

Assim, a articulação entre teoria e prática torna-se essencial para o fortalecimento do projeto ético-político da profissão, reafirmando o compromisso com a transformação social e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.



Osvaldo Teles 


É tanta saudade

É tanta saudade que chega a doer,

fazendo a minha tristeza remoer.

As recordações me fazem chorar,

as saudosas lembranças castigam,


fazem regressar ao meu passado.

Os desejos são grandes por demais,

não me olhe assim, senão te traço.

Só quero te ter em meus braços,


vais acalmando o meu coração.

Me seduz no seu jogo de sedução,

é muito amor que tenho para lhe dar.

O penetrante olhar me fez apaixonar,


belas sensações seus carinhos trazem.

Não pretendo te esquecer jamais,

sou dependente dos seus beijos,

só faz aumentar os meus desejos.



Osvaldo Teles