segunda-feira, 29 de junho de 2026

Bordando

Vou bordando, com letra dourada,

As minhas belas lições adquiridas.

Aproveitar a vida é uma coisa linda;

Ela será construída de vindas e idas,


De encontros e alguns desencontros.

Viver na sua plenitude é maravilhoso.

Deixarei os dias seguirem seu curso,

Para, no final, encontrar meu percurso.


Farei da simplicidade a minha aliada.

Não nasci dando gargalhadas à vida;

Fui concebido recebendo palmadas.

Mesmo assim, não fiquei com trauma.


Parecia até uma sinopse de um filme;

Era narrado com começo, meio e fim.

Sempre quis estar bem com a vida,

Encarando tudo com muita calmaria,


Aproveitando cada momento dos dias.

Só pretendia ficar bem comigo mesmo.

Não nasci para tornar a vida monótona;

Serei fruto da minha experiência vivida.



Osvaldo Teles

Não tenho motivos para chorar

Não tenho motivos para chorar,

As quedas serviram de lições,

Me impulsionando a continuar,

Tirando do meu peito as pressões.


Vai dando leveza às passadas,

Deixarei meu Senhor me guiar,

Seguirei firme a minha jornada,

No lombo do companheiro fiel.


Nós dois cavalgamos errantes

Por esse mundão de meu Deus,

Meus olhos ficaram brilhantes,

O meu guardião aqui apareceu.


Caindo e levantando do chão,

Dores em meu corpo provocam,

Pedi que me segurasse na mão,

As pedras sabem como machucam.


Na fé busco curar minhas dores,

O coração, repleto de esperança,

Tornou o caminho cheio de flores,

O Senhor fará aumentar a crença.



Osvaldo Teles

sábado, 27 de junho de 2026

Coração doído

Estou com o coração doído,

com minha alma chorando.

Pensei que não seria ferido,

seu olhar veio machucando.


Deixou em mim as tristezas,

lhe tratei como uma realeza,

chamando-a de minha princesa;

a ideia era te amar com calma.


Te amo, te amo, não faz assim.

Nunca pensei em te machucar.

Minhas lágrimas queria estancar,

acalmando a minha ansiedade.


Ficou no meu coração a saudade,

ficando adormecidas as fantasias,

ficando exposta minha realidade.

Queria ter de volta minhas ilusões.



Osvaldo Teles

A cortina foi retirada

A cortina foi retirada, o show começa.

Olho pra frente, mas os pensamentos

ficam presos no que deixei para trás.

O vento as minhas lembranças traz.


Sigo procurando o sentido da vivência,

busco na caminhada minha existência.

Estou ansioso diante do desconhecido.

Os nossos sonhos foram concebidos,


outros são abortados antes de nascer.

Estava prestes a conhecer um novo ser.

Já corri demais, não tenho mais pressa.

Hoje caminho devagar para não tropeçar.


Se vacilasse, minhas pernas tropeçavam;

a queda seria certa na minha jornada,

porque a paciência vai caminhar comigo,

carregando o peso dessa caminhada.



Osvaldo Teles

Retirante

As juremas secaram lá no sertão,

Suas folhas, espalhadas pelo chão,

Já são sinais de que a seca castiga,

Rachando o rico solo da caatinga,


Tornando o sertanejo um retirante,

Vai rumando para bem distante,

Deixando para trás sua triste sina.

Ficava apenas uma imagem cinza,


Que foi guardada na memória.

Na memória, levava suas histórias,

Para relembrar durante sua viagem,

Ficando gravada como uma imagem.


As suas esperanças vão declinando,

Mas o sertanejo é um cabra arretado,

Nunca se dá por vencido, recomeça

De onde o destino o conduziu, levou.


Meu cachorro vai dando seu latido,

Vou deixando o meu choro contido,

Carrego comigo minhas saudades

E lembranças da minha mocidade.



Osvaldo Teles

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Um dia vão perguntar

Um dia vão perguntar quem é este cara.

Não tem nada nessa vida que vai lhe parar,

que enfrentou as dificuldades de frente.

Em meus dias, Ele nunca estará ausente.


Tenho meu Deus que caminha comigo;

Ele ao lado, não temerei nenhum perigo.

As Suas forças vão me fazer prosseguir,

revigorando as minhas para não desistir.


Estarás comigo em qualquer estação;

já Te entreguei, ó Senhor, o meu coração.

Por onde eu andar, vais me acompanhar;

durante o percurso, me ensinarás a Te amar.


Segue orientando para não ficar perdido;

Senhor, jamais me darei como um vencido.

Vem das minhas entranhas a minha energia,

transformando tudo numa grande alegria.


Esse cara é o grande protegido do Divino,

que lhe deu amparo desde que era um menino.

Guiou seus passos por estradas tortuosas,

livrando-o dos laços do passarinheiro.



Osvaldo Teles

Ôh Coisa Maravilhosa

Ôh, coisa maravilhosa é te amar.

Estar em seus braços me faz sonhar,

Sentindo a beleza de viver a vida.

Não vou deixar a emoção contida,

Deixarei ela livremente se expandir;

Espontâneos, os lábios vão sorrir,

Sentindo a sensação de ficar contigo.

Vou ter comigo um ombro amigo.


Nossos laços estão sempre abertos,

Para que possamos fazer o que é correto.

Na sua boca encontro a seiva do amor,

Vais me amando com todo o seu fervor.

Em suas mãos encontrei suas carícias,

Vou absorvendo toda a sua sensualidade.


Estou vivendo os dias como se fossem 

Os últimos; da minha existência 

Corpo e alma buscam sua sensibilidade.

Com dois seres felizes nos deparamos,

Entre beijos e abraços nos encontramos.

Os delírios tomam conta da nossa mente;

Em seu colo encontrei o meu conforto.



Osvaldo Teles

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Fui num rela-bucho

Fui num rela-bucho lá no Sapé,

O salão estava cheio de mulher.

Sairei de lá quando Deus quiser,

Só faltava a bela dona aparecer.


Não seria uma paixão passageira,

Vai ser bebedeira a noite inteira,

E eu vou ficar só olhando de fora,

Os desejos dentro do peito afloram.


Suaves vão saindo as passadas,

A mulherada vai ficar ouriçada.

Vou ficar só na paquera, na busca

Daquela que será a minha amada.


Chamarei a preferida para dançar,

A noite vai ser pequena para amar.

As vibrações tomam conta de nós,

Para nos levar a deslizar pelo salão.


Estou me sentindo um grande galã,

Desse rela-bucho não vou sair são.

Os corpos juntos, por dentro, queimam,

Fazendo reacender minha chama.



Osvaldo Teles

Vou ficar numa boa

Estou tranquilo, vou ficar numa boa.

Sei que as lágrimas podem cair,

mas não vou ficar chorando à toa.

Com o passar do tempo, elas vão parar.


Foste meu sonho, que um dia sonhei.

Diante de uma belíssima deusa, parei.

Fizeste-me sentir sensações lindíssimas.

Fiz de tudo para ser compreendido.


O sincero amor não correspondido,

lhe amei com toda intensidade.

Pensei ter encontrado a felicidade.

Deixarei adormecido o que me fez mal.


Um dia perceberás que errou por demais,

é que o ciúme te deixou com cegueira.

Não esquecerei os momentos felizes,

o que nosso amor me proporcionou.


Tudo foi maravilhoso enquanto durou.

Tenho certeza de que nada será como antes.

Algo de bom aconteceu entre nós dois.

Era muito intensa a nossa paixão.



Osvaldo Teles

domingo, 21 de junho de 2026

Afrodite

És uma mulher perfumosa,

Seu aroma exala pelos poros;

O seu cheiro me deixa louco,

Embriagando-me aos poucos.


Desencadeando essa paixão,

Espantando a minha solidão,

Estonteante é a sua lindeza,

Me apaixonei, tenho a certeza.


Que fiquei diante de uma deusa,

Mais parecia a deusa Afrodite;

Tens um belíssimo semblante,

Estou encontrando, acredite.


Os pensamentos fervilhavam,

As fantasias tomam as ideias;

Vou sendo tomado pelo amor,

Nunca tinha visto tanto encanto.


As sensações assumem o corpo,

Levam-me a momentos de loucura;

Vejo minha deusa se materializar,

E meus lindos sonhos se realizam.



Osvaldo Teles

sábado, 20 de junho de 2026

Liberta a alma

Liberta a alma do plano terreno,

elevando-a ao mundo celestial,

fazendo-me ter um viver pleno;

farei minha fé suplantar o carnal.


Ouve, Senhor, os meus clamores;

em Seu nome entoarei louvores.

Bendirei ao Senhor o tempo todo,

deixarei a força do Seu amor agir.


Levarei no peito, como um talismã;

não me preocupo com o amanhã,

só pretendo viver um dia por vez.

Vais preencher as lacunas do ser.


Farei, Deus, segundo a Sua vontade;

serei, ó Pai, fruto da Sua caridade.

Fui transformado em Seu fiel amor,

encontrei na jornada meu Salvador.


A esperança me fizera prosseguir;

com fé no coração, não vou desistir.

Retirando a trava dos meus olhos,

não foi preciso pegar os atalhos.



Osvaldo Teles

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Fortalece-me

 Me fortalece


Fortalece-me, não me deixe em tentação.

Da sua orientação preciso, ó Senhor.

Sejas meu rochedo, minha proteção,

Faz do coração reservatório de amor.


Ó meu Pai, necessito do seu amparo;

Para trilhar com o Senhor me preparo.

Sei que estás comigo nos dias difíceis,

Prometo, com as palavras, me edificar.


A minha alma, pelo seu amor, suplica.

Ó Pai, peço-lhe o seu valoroso perdão

Para dar tranquilidade ao meu coração,

Preparado para receber suas bênçãos.


Meu Deus, sei exatamente o meu papel,

Vou ser para sempre o seu devoto fiel.

Os movimentos turbulentos já passaram,

As inquietações do peito se acalmaram.



Osvaldo Teles

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Estou cansado

O que está pensando, amor?

Já me causou muitas dores.

Estou cansado de sua cisma,

Vamos esquecer das brigas.


Queria recomprar o tempo,

É puro amor que sinto por ti.

És a mais bela, minha amada,

Vais ser para mim a namorada.


Só preciso dos seus carinhos,

Não suporto mais ficar sozinho.

Venha, amor, para o nosso ninho,

Sem você aqui não tem sentido.


Os dias passam sem colorido,

Nem vou ocultar o sentimento.

Devolve ao espírito sua alegria,

Devolvendo à minha vida magia.


Por favor, faz meu coração bater

No compasso das suas emoções.

Que os meus olhos voltem a ter brilho,

E as passadas retornem aos trilhos.



Osvaldo Teles

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Aventura noturna

Partir para uma aventura noturna,

Sentir o aroma das damas-da-noite.

A luz da lua é para mim a lanterna,

Tentei me esquivar dos seus açoites.


Os seus braços eram o meu capote,

Os seus lábios foram o meu pote.

Os efeitos da lua me hipnotizavam,

No encontro, carnaval, nos amamos.


Para me encarar, tinha muita sorte,

Deixando essa força tomar conta.

Vais comigo por onde eu andar,

Sobre as estrelas iremos nos entregar.


O amor já toma conta da gente,

Não tenho medo dessa escuridão.

Vou andar segurando na sua mão,

Serás, na noite escura, minha guia.


Já estou pronto para te enamorar,

Seus olhos eram minha lamparina.

Seu perfume invade minhas narinas,

Deixando-me inebriado com seu aroma.



Osvaldo Teles

Lampião e Maria

Virgulino Ferreira da Silva,

conhecido como Lampião,

o cabra valente do sertão,

rei do cangaço brasileiro.


O bando era temido na região,

era temido por onde passava.

O cabra era um trabalhador,

mas o sistema para o crime o levou.


Vivia embrenhado no mato,

seu pai o sistema matou.

À Maria Bonita, seu coração

ele entregou ao amor, amor.


Um lindo amor eles viveram,

em uma grande emboscada.

No Raso da Catarina morreu,

pagou o preço de não ceder.


Às convenções da sua época,

e teve a cabeça arrancada

para ser exibida como prêmio,

guardada como louros da vitória.



Osvaldo Teles

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Puxa a sanfona

Puxa a sanfona, chama o forró,

O triângulo e a zabumba

Vão fazendo a marcação,

Que esse povo quer dançar.


Essa noite só vamos sair no pó,

Bota o doze baixos para chorar.

Hoje é dia de festa e bebemorar,

É para beber e feliz namorar.


Só saio daqui quando o galo cantar,

Vou chamar a garota para brincar

De quadrilha e pular fogueira.

A alegria vai tomar conta do salão,


Vai ser muita animação,

Assumindo a batida do coração.

O cheiro de fumaça invade o quintal,

Vou sentindo essa noite magistral.


A magia assume o espaço,

A felicidade vai saindo aos maços.

A imaginação encontra os astros,

Na dança sigo os seus passos.



Osvaldo Teles

domingo, 14 de junho de 2026

O tempo não para

O tempo não para, ele passa em galope,

Vou seguindo a suavidade do seu trote.

Muitas vezes, não dá para vê-lo passar,

Não dando para acompanhar o seu avançar.


Sendo tão rápido que nunca retornará,

No meu ponto de partida, a mente ficará.

Passando, deixando as marcas no corpo,

Queria apenas fazer dele o meu aliado.


Alguns sonhos vão ficando de lado,

Outros, no decorrer, serão ressuscitados.

Algumas fantasias vão sendo despertadas,

Tornando as ilusões nossas aliadas.


As ações do tempo nos deixam paralisados,

Deixando o pensamento parado.

O que passou ficará apenas na lembrança,

Para alimentar a nossa esperança e crença.



Osvaldo Teles

sábado, 13 de junho de 2026

Ficava na janela

Ficava na janela vendo ela passear,

Via de relance o seu vulto passar.

A cada passada, o coração acelerava;

O seu suave aroma me embriagava.


Os olhos seguiam os passos dela,

Nunca tinha visto coisa tão bela.

Diante de tanta beleza, me apaixonei;

Foste a mulher que sempre sonhei.


As fantasias dançavam na cabeça,

As ilusões na minha mente começam.

Mesmo à distância, já te amava;

Em silêncio, o corpo te desejava.


Foi amor que nasceu no meu peito,

Ali tinha encontrado o amor perfeito.

Seu perfume chegava embriagante,

O olhar era penetrante e inebriante.


Andava como se fosse uma passarela,

Pintando a minha vida em aquarela.

Nos braços dela eu pretendia estar,

Sem nenhum pudor, quis me entregar.



Osvaldo Teles

Já estive só

Já estive só no meio da multidão,

Mas o amor não me acompanhou.

Encheu o vazio do meu coração,

Das pancadas doídas não amparou.


O ontem já ficou em meu passado,

Deixando meu coração sangrando.

A solidão tomava conta do ambiente,

Retirando o sorriso dos meus lábios.


Meu olhar ficou perdido no horizonte,

Buscando em mim o meu elo partido,

Tentando esquecer o que se passou,

Mesmo que seja para mim muito doído.


Sentia-me alheio ao que estava por vir,

Fazia perceber que só pensava em si.

Em minha alma deixaste uma ferida,

As ações nunca foram compreendidas.



Osvaldo Teles

Quando lembro

Quando lembro do dengo do meu bem,

Os meus pensamentos vão além.

Os seus toques meu corpo implora,

Esqueço de tudo nessa hora.


Quero estar contigo, amor, agora.

Vem, nega, vem para o chamego,

Quero, amor, o seu aconchego.

Arrepios vais me fazer sentir,


O amor no peito vai aflorando,

Só vai dar nós dois juntinhos.

Os seus beijos estou querendo,

Em seus braços vou sonhando.


Os desejos nos lábios alimento,

Te amar por inteira me proponho,

Despertando em mim os sonhos

Do nosso lindo conto de fadas.


É gostoso estar no colo da amada,

Sentindo as carícias no momento.

O fogo da paixão será acendido,

Pelo carinho da felicidade ando.



Osvaldo Teles

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Como faço

Como faço para preencher o vazio

Que ficou com a sua triste partida?

Fiquei chorando quando ela partiu,

Suas palavras foram muito doídas.


Senti a sua ausência no meu leito,

Feriu um coração que tanto te ama.

Sabia que nunca fui um ser perfeito,

Planejei não fazer nenhum drama.


Era maravilhoso lhe ter nos braços,

Tinha a sensação de estar no jardim.

A sua fragrância exalava no quarto,

Sentindo o suave aroma de jasmim.


A saudade não cabia nesse espaço,

Fizera-me sentir um grande farrapo.

Tentei desvencilhar-me dos perniciosos,

Diante do espelho me sentia um trapo.


Nos olhos vem à tona a lembrança,

Transbordando em torrenciais prantos,

Perfurando o meu peito como lança,

Retirando dos meus olhos o encanto.



Osvaldo Teles

Paz

Não discuto com ninguém,

fique com a sua razão.

Prefiro ter a minha paz,

o que quero é viver bem.

 

Amar a vida sou capaz,

não faço nenhuma questão

de estar com alguém.

A vida é curta demais

 

para ficar brigando por besteira.

Basta o destino dar uma rasteira.

Sou do tipo paz e amor,

não estou aqui para confusão.

 

Só quero fazer amizade,

pregar a fraternidade,

abraçar a vida

do jeito que vier.

 

Somos filhos do mesmo Pai,

do Criador do universo.

Venha tranquilo, meu irmão,

traga amor no coração.

 


Osvaldo Teles

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Caminho da roça

Vou pegar o caminho da roça,

Pra poder aproveitar a festança.

Com o coração cheio de alegria,

Estou chegando todo prosa.

 

Com a felicidade que contagia,

O cheiro do licor sinto de longe.

Chego pronto para o forrozão,

Pego a dama pelas mãos.

 

E começo a dançar:

vai ser só arrasta-pé,

com comida a noite inteira,

vai rolar muita brincadeira.

 

Não vou ver o tempo passar,

sentirei o perfume das meninas.

Forrozeiro, toca a sanfona,

para cantar e dançar!

 

Quero sentir essa emoção

da festa de São João.

Todos os caminhos me levam

para curtir esse festão.

 


Osvaldo Teles

Tende piedade

Tende piedade de mim, Senhor,

Tu és a minha eterna salvação.

Com o Senhor não tenho temor,

Será meu Deus, minha proteção.

 

Tenho certeza que és o protetor,

Andas comigo de mãos dadas,

Sendo o orientador da caminhada;

Posso dizer que és o meu camarada.

 

As minhas passadas vais guiando,

As Suas pegadas vou seguindo;

Vou reforçando a minha fé em Ti,

Confiante, posso dizer: estou aqui.

 

Vais me impulsionar a prosseguir,

Me preparo para o que está por vir.

Para o que acontece me preparo,

Deixo o meu coração preparado.

 

Tende misericórdia do Teu filho,

Tira dos meus ombros o peso do castigo.

Nas esquinas, afasta os perigos;

Mais ainda, me agarro ao meu Divino.

 


Osvaldo Teles

terça-feira, 9 de junho de 2026

Como foi sofrido

Acredite, não vou mais chorar,

Hoje vou sair para me divertir.

Não queria deixar de te amar,

Chorando, doeu ver você partir.

 

Tentei não deixar as lágrimas

Molharem o meu rosto triste,

Como foi sofrido o seu adeus!

Nada pude fazer para mudar.

 

A única coisa que fiz foi aceitar.

Irei em busca de um novo amor,

Quero recomeçar tudo de novo,

Vou me recuperar desse tombo.

 

Tentando apagar da minha vida

As experiências que foram vividas,

Mas suas marcas estão gravadas

Como tatuagens em minha alma.

 

As feridas ainda não cicatrizaram,

As nossas vidas se cruzaram.

Não tenho como fugir da saudade,

Tenho que aceitar a dor da partida.

 


Osvaldo Teles

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Vamos brindar

Vamos brindar à vida e o amor,

Dando graças ao nosso Senhor.

Vou Te exaltar de todo coração,

A alma se regozija em devoção.


Eis aqui quem vai cantar louvores,

Já ouviste os meus clamores.

Livraste-me do peso dos castigos,

Vais estar para sempre comigo.


Foste, Senhor, a luz que ilumina,

A minha escuridão se dissipou.

Me alegro, Deus, em Tua palavra,

Muitas vezes andaste lado a lado.


Deste-me impulso para continuar firme,

Dando orientação aos meus passos.

Deste leveza às minhas passadas,

Sendo o meu amparo nas quedas.


Senti Tua força quando me seguraste,

O poder do Teu amor pude absorver.

É o Senhor quem me dará a Sua força,

Serás a bússola a me dar direção.



Osvaldo Teles

domingo, 7 de junho de 2026

Anarriê


O amendoim já tá cozinhando,

O milho está assando no fogão,

O licor está enfeitando a mesa,

A laranja descascada na bandeja.


A fogueira será acesa no terreiro,

Chuva de prata caindo no chão.

Só falta chegar o sanfoneiro

Para animar a noite de São João.


Chamei minha amiga para pular

O figueirão, vamos pular, comadre!

Vai ser festança a noite inteira,

A sanfona vai comer no centro.


Os casais dançando no salão

Até o amanhecer do novo dia.

Vai ter muito quentão para beber,

As pernas bambas de tanto dançar.


O coração fica batendo de emoção

Quando pego a prenda pelas mãos.

Anarriê! A quadrilha está passando,

A alegria toma conta dos corações.


Osvaldo Teles

Dindinha já me dizia

Dindinha já me dizia que a vida era dura,

Não vai adiantar lhe colocar armadura.

Fiz igual a São Tomé, tive que ver para crer,

Já concebido, apanhando para aprender.


Fui recebido por ela à base de palmadas,

Foram muito doídas, me fizeram chorar.

Tenha cuidado lá fora, haverá muitas armadas

Para tentar te aprisionar, vão te amarrar.


Abrindo os meus olhos para o mundo lá fora,

Se não tiver cuidado, ele vai te devorar.

Em cada esquina tem um perigo à espera,

Ande de cabeça erguida, olhando para frente.


Usando a sua sabedoria como a sua guia,

Deixando Deus guiar os seus passos.

Assim encontrará o seu caminho correto,

E não é que minha dindinha estava certa?



Osvaldo Teles

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Saudade

A saudade pula a porteira

E vai em busca do tempo,

No seu trote, na sua carreira,

Sem ver os seus contratempos.

 

As lembranças são um diferencial,

Nos ligando aos tempos bons,

Resgatando momentos felizes —

Solto as rédeas das recordações.

 

Deixando o coração apertado,

Os pensamentos se tornam alados.

Sei que, no avanço dos ponteiros,

Nunca mais vou ser o mesmo.

 

O que passou, nada voltará mais,

Voltar ao meu passado, jamais!

Vou seguindo novos roteiros,

Construindo lindos cenários.

 


Osvaldo Teles

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Comer é gostoso

Comer é bom, comer é gostoso,

Mas tem que ter dinheiro no bolso.

Essa carestia está demais,

Daqui pra frente é só pra trás.


O dinheiro é pouco para as contas,

Não dá para começar o mês.

O resto vai pagar o freguês,

Enquanto isso o patrão fica rico.


Os trabalhadores correm riscos,

Antigamente se dizia: é preço

De banana; hoje é preço de caviar.

O pobre, coitado, só faz trabalhar.


Malmente dá para se alimentar,

O salário é só para enganar.

As contas não dá para pagar.

Mantendo o povo escravizado,


Principalmente o assalariado,

Com a corda sempre no pescoço.

Comer é bom, o sistema não deixa,

Mais é o trabalhador que paga a conta.



Osvaldo Teles

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Trago história

Trago história que o tempo ajudou a ditar,

E as minhas lembranças que irei cantar.

Pelos caminhos que a vida me conduziu,

Deixo para trás as pancadas que me feriram.


Levando apenas a roupa do meu corpo,

Seguirei caminho com a cabeça erguida.

Ao nascer nada trouxe, nada levo comigo,

Agradecerei ao destino seu ombro amigo.


Seguirei em parceria com meu Divino,

Cortando o cordão umbilical com o terreno.

Não vou bater de frente com ninguém,

Na minha caminhada vou distribuir o bem.


Viver é simplesmente maravilhoso, gostoso.

Algumas quedas serão inevitáveis, mas levanto.

O mais importante é ter superação,

Amando o meu próximo como um irmão.


Vai ter choro e também muitos sorrisos,

Esquecer o que machucou, estou disposto.

Pelas estradas vou distribuindo flores,

Do meu coração arrancarei minhas dores.



Osvaldo Teles

terça-feira, 2 de junho de 2026

Renasci em seu amor

Senhor, renasci em seu amor,

Minha fé em ti me fez levantar.

A pequenez foi se agigantando,

Em seu nome, o céu se abriu.


Quando o silêncio faz morada

Em meu coração, faço oração.

Coloco em prática a devoção,

Meu peito se torna um oráculo.


Seu nome é, para mim, sagrado,

Estarás sempre ao meu lado.

Em ti encontro minha fortaleza,

Que seja feita a sua vontade.


Sabes, Senhor, tudo o que me faz

Longe de duvidar do seu poder.

És o Senhor de todos os exércitos,

Em minha defesa, vem, Senhor.



Osvaldo Teles

Faz transbordar

Senhor, afasta de mim as dores,

Enche o meu caminho de flores,

Faz transbordar em mim o amor,

Protege-me do mal, ó meu Senhor.


Faz-me caminhar na tua estrada,

Seja o orientador da minha jornada,

Das suas palavras serei portador,

Da sua compaixão serei devedor.


Acompanhando-me até os confins,

Levando-me a passear pelos jardins,

Pai nosso caridoso, tenha piedade,

Retira da minha mente a ansiedade.


Guiando-nos pelo caminho correto,

De amor, meu coração está repleto,

És o guardião dos meus pensamentos,

Vais amenizando os meus sofrimentos.


Buscando no Senhor a minha paz,

Vou me religando com o meu Pai,

Percebo a tranquilidade que me traz,

E toda a minha dor de mim se vai.



Osvaldo Teles

Vamos para o terreiro

Vamos para o terreiro, vamos sambar,

o sol está quente, vamos refrescar.

A alegria é grande, dá para contagiar,

a colheita foi boa, dá para a gente festejar.


O pandeiro está comendo no centro,

lá do fundo vai saindo o coro,

a cantoria vai ecoando no espaço,

da tristeza só ficam os seus traços.


Nos quadris vem o seu molejo,

depois de sairmos do pelejo,

os dedos desfilando no pandeiro,

quero ver quem entra na roda primeiro.


Os movimentos tomam conta do corpo,

dando leveza aos nossos passos,

parece que voamos como pássaros,

as batidas dão ritmo às passadas.



Osvaldo Teles

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Cavalgamos

Cavalgamos juntos em velocidade,

éramos dois seres; por alguns

momentos, éramos um só,

sentindo no rosto o vento


da nossa liberdade.

Não havia hostilidade,

hábios, cortávamos o estradão.

Às vezes, soltei as rédeas.


A viola ia gemendo nas mãos,

o violeiro tocava sua canção.

Como raios, era eu e o mangalarga;

solitários, nós dois viajamos,


deixando de lado minha carga.

O sopro da brisa na face

ia aliviando as tensões da viagem.

Pude apreciar as belezas à margem.


Sigo a estrada sem saber o paradeiro,

me tornei um verdadeiro aventureiro.

Deixei para trás a linha do horizonte,

não vejo mais nada à minha frente.



Osvaldo Teles