terça-feira, 2 de junho de 2026

Vamos para o terreiro

Vamos para o terreiro, vamos sambar,

o sol está quente, vamos refrescar.

A alegria é grande, dá para contagiar,

a colheita foi boa, dá para a gente festejar.


O pandeiro está comendo no centro,

lá do fundo vai saindo o coro,

a cantoria vai ecoando no espaço,

da tristeza só ficam os seus traços.


Nos quadris vem o seu molejo,

depois de sairmos do pelejo,

os dedos desfilando no pandeiro,

quero ver quem entra na roda primeiro.


Os movimentos tomam conta do corpo,

dando leveza aos nossos passos,

parece que voamos como pássaros,

as batidas dão ritmo às passadas.



Osvaldo Teles

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Cavalgamos

Cavalgamos juntos em velocidade,

éramos dois seres; por alguns

momentos, éramos um só,

sentindo no rosto o vento


da nossa liberdade.

Não havia hostilidade,

hábios, cortávamos o estradão.

Às vezes, soltei as rédeas.


A viola ia gemendo nas mãos,

o violeiro tocava sua canção.

Como raios, era eu e o mangalarga;

solitários, nós dois viajamos,


deixando de lado minha carga.

O sopro da brisa na face

ia aliviando as tensões da viagem.

Pude apreciar as belezas à margem.


Sigo a estrada sem saber o paradeiro,

me tornei um verdadeiro aventureiro.

Deixei para trás a linha do horizonte,

não vejo mais nada à minha frente.



Osvaldo Teles