segunda-feira, 6 de julho de 2026

Fico olhando

Fico olhando para o nada,

Choro sozinho no silêncio,

Deixando a mente parada,

A solidão como prenúncio.


Chega, maltrata o coração;

Alheios ficam meus olhos,

Fixados em uma só direção,

Vão bem longe, sem atalhos.


Não quero a tristeza comigo,

Quero, nos lábios, um sorriso.

Me afastar disso não consigo;

Está comigo mesmo, preciso.


Arredio igual a um touro brabo,

Estou com as ideias paradas.

A alma busca seu desagravo,

Deixando a minha voz calada.


Fiquei quieto, a mente distante,

Num espaço que não me cabe,

Tornando-me um ser caminhante;

Numa mágica, o ser feliz se abre.



Osvaldo Teles

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