Fico olhando para o nada,
Choro sozinho no silêncio,
Deixando a mente parada,
A solidão como prenúncio.
Chega, maltrata o coração;
Alheios ficam meus olhos,
Fixados em uma só direção,
Vão bem longe, sem atalhos.
Não quero a tristeza comigo,
Quero, nos lábios, um sorriso.
Me afastar disso não consigo;
Está comigo mesmo, preciso.
Arredio igual a um touro brabo,
Estou com as ideias paradas.
A alma busca seu desagravo,
Deixando a minha voz calada.
Fiquei quieto, a mente distante,
Num espaço que não me cabe,
Tornando-me um ser caminhante;
Numa mágica, o ser feliz se abre.
Osvaldo Teles

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