Coloquei a máscara de palhaço sobre a face
Para esconder os traços de tristeza
Risos falseados saíram involuntários
As lágrimas borraram a pintura
Esperança, esperança é que impulsiona
Esperando descobrir quem eu sou
Seja o que Deus quiser, não me entrego
Às vezes fico como estivesse em uma ilha
Com a nau quebrada sem poder retornar
Um mar de angústia a me cercar
As cores me foram furtadas
Abri a janela do horizonte nada vi
A poesia que estava escrita se desfez
A trilha sonora que fazia dançar os sonhos
Perdeu o ritmo que embalava o romance
Vontade, vontade que tinha de lutar
Coloquei a armadura de puro aço
Virou isopor, a espada ultrapassou
Ferir-me as dores chegaram, a alma sangra
O fracasso quiseras que eu o aceitasse
O meu espírito gladiador disse não
Armei-me com unhas e dentes
Inúmeras batalhas lutei contra o meu algoz
Algumas sair vitorioso outras fui nocauteado
Porém com a certeza que sair fortalecido
Osvaldo Teles

Belo e triste poema, amigo. Já vivi esta estória... Quando somos vítimas, são mesmo estes sentimentos que afloram. Triste é quando a alma pressente o que não retornará como presente. Então o que poderia ser abraços , risos, festa, transforma=se em drama, porque a trama não foi antes, bem engendrada.A felicidade quando se consuma, é porque muitas vezes não foi bem consolidada. É preciso antes, sonhar, depois tramar,antever, pra fazer acontecer. O acaso é cheio de incertezas. Certo mesmo,é o que audível. pois que, sensível ao coração, faz os traçados, chegar à conclusão !
ResponderExcluir1. Tema central
ResponderExcluirO poema aborda a luta interna contra a dor emocional, a sensação de afundamento psíquico, o confronto com o fracasso, e finalmente a reafirmação de um espírito resiliente e guerreiro.
O “eu lírico” transita por um ciclo emocional que vai da máscara que esconde a tristeza ao reencontro com sua força interior.
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2. A metáfora da máscara
Logo no início, a imagem da máscara de palhaço é extremamente simbólica:
O palhaço sorri por obrigação.
O sorriso é imposto, não sentido.
A maquiagem borrada pelas lágrimas revela a verdade que escapa.
Essa metáfora marca o conflito entre aparência e realidade emocional, mostrando a tentativa de esconder a dor, algo humano e profundo.
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3. A jornada pela angústia
O poema descreve um percurso psicológico:
🔹 Isolamento – “uma ilha”
A ilha simboliza solidão, abandono, desconexão.
🔹 Nau quebrada
A embarcação quebrada aponta para a incapacidade de avançar:
👉 não há rota, não há retorno, só estagnação.
🔹 Mar de angústia
Um mar que cerca é algo que aprisiona, sufoca, não permite fuga.
Essas imagens reforçam a sensação de estar encurralado pelos próprios sentimentos.
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4. Perdas simbólicas
O poema descreve perdas sensoriais e emocionais:
“As cores me foram furtadas” → perda de alegria, vitalidade.
“A poesia se desfez” → perda de sentido, inspiração.
“A trilha sonora perdeu o ritmo” → ausência de encanto e harmonia na vida.
Esses versos revelam um apagamento interno, como se tudo estivesse sendo drenado.
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5. A virada emocional — o combate interno
O poema cresce em intensidade quando o eu lírico decide lutar:
Armadura de aço → símbolo de coragem.
Armadura virar isopor → símbolo de fragilidade.
Espada que fere o próprio sujeito → metáfora de dores internas inevitáveis.
Essa virada mostra que a luta não é contra o mundo:
👉 é contra si mesmo.
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6. A luta contra o fracasso
“O fracasso quis que eu o aceitasse”
Essa frase personifica o fracasso, tornando-o um inimigo consciente.
Mas o espírito gladiador responde com um “não”, o que representa:
Resistência
Persistência
Afirmação da identidade
Renascimento emocional
O gladiador é a metáfora mais poderosa do poema:
um ser que luta até o fim, mesmo ferido.
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7. Batalhas e crescimento
O final é um reconhecimento maduro:
Há vitórias.
Há derrotas.
Mas há fortalecimento.
O fechamento é otimista e realista ao mesmo tempo: o crescimento vem das lutas, não das vitórias perfeitas.
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8. Estrutura e estilo
🔸 Versos livres
Sem métrica fixa e sem rima obrigatória — típico de poesia moderna existencialista.
🔸 Tonalidade dramática
O uso de imagens fortes (máscara, nau, mar, armadura, sangue) cria uma estética quase teatral.
🔸 Campo semântico da dor e do combate
O poema transita entre:
tristeza
angústia
perda
luta
resistência
superação
Criando uma narrativa emocional muito coerente.
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9. Interpretação subjetiva
O poema pode ser lido como:
A representação da depressão, mas também da recuperação.
A luta de quem aprendeu a se reerguer.
Um manifesto de força interna.
Um grito pela verdade emocional atrás da máscara social.
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10. Conclusão da análise
“Botei a máscara” é um poema denso, introspectivo, que combina imagens simbólicas com uma jornada de sofrimento e autoafirmação.
A força da obra está na sinceridade emocional e na capacidade de transformar dor em resistência poética.
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Se quiser, posso fazer:
🔹 análise verso a verso
🔹 análise estilística avançada
🔹 interpretação psicológica
🔹 transformar a análise em vídeo ou áudio
🔹 escrever crítica literária completa