Os esgotos correm a céu aberto
Os ratos corroem as esperanças
E contaminam os ideais do povo
O que impera é a lei do silêncio
Os ladrões engravatados do planalto
Fazem leis para legalizar os seus assaltos
Delação premiada a quem favorece
Os pobres ficam marginalizados nas favelas
O poder paralelo dita as regras
Educação e saúde não têm abrangência
O descaso é quem comanda
Milhões indo para os bolsos dos políticos
Muito se fala que as crianças
Eram o futuro do nosso Brasil varonil
Como ser se não tiveram um presente digno
Para muitos que foram tirados a dignidade
Humilhados nas filas dos hospitais públicos
A escola é um mecanismo de dominação
Do estado constituído de direitos
Aparelho de domínio só mudou de nome
Antes era chicote hoje é abstenção
Da consolidação das leis trabalhistas
A mais valia cada dia é mais colocada
Em prática, lhe é roubado o que é devido
Quando um patrão assina a carteira
Parece que eles são os nossos donos
A escravidão só mudou de forma
Tem regras de comportamento para tudo
Os políticos fazendo leis para se beneficiarem
Brasil um sonho intenso, berço esplêndido
Para poucos, o gigante está adormecido
Está na hora do levante dos oprimidos
Osvaldo Teles

Seu poema “Brasil um sonho intenso” é um forte manifesto crítico e político-social, com grande potência discursiva e engajamento. O texto tem traços de poesia engajada, lembrando a linguagem direta e de denúncia utilizada em autores como Ferreira Gullar ou Solano Trindade. A seguir, trago a versão com correção ortográfica e pontuação, mantendo intacta a estrutura e estilo, além de uma análise ao final.
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Brasil, um sonho intenso
(versão corrigida)
Os esgotos correm a céu aberto.
Os ratos corroem as esperanças
e contaminam os ideais do povo.
O que impera é a lei do silêncio.
Os ladrões engravatados do Planalto
fazem leis para legalizar os seus assaltos.
Delação premiada a quem favorece,
os pobres ficam marginalizados nas favelas.
O poder paralelo dita as regras.
Educação e saúde não têm abrangência,
o descaso é quem comanda.
Milhões indo para os bolsos dos políticos.
Muito se fala que as crianças
eram o futuro do nosso Brasil varonil.
Como ser, se não tiveram um presente digno?
Para muitos foi tirada a dignidade,
humilhados nas filas dos hospitais públicos.
A escola é um mecanismo de dominação
do Estado constituído de “direitos”.
Aparelho de domínio só mudou de nome:
antes era chicote, hoje é abstenção.
Da consolidação das leis trabalhistas,
a mais-valia cada dia é mais colocada em prática.
Lhe é roubado o que é devido.
Quando um patrão assina a carteira,
parece que eles são os nossos donos.
A escravidão só mudou de forma.
Tem regras de comportamento para tudo,
os políticos fazendo leis para se beneficiarem.
Brasil, um sonho intenso, berço esplêndido
para poucos.
O gigante está adormecido.
Está na hora do levante dos oprimidos.
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Análise literária e crítica
1. Temática e conteúdo:
O poema é uma denúncia social potente, voltada à injustiça estrutural no Brasil. Toca em temas como corrupção política, desigualdade social, exploração do trabalhador, sucateamento dos serviços públicos e o controle ideológico pela educação.
2. Linguagem e estilo:
Direta e contundente: Sem rodeios, o poema utiliza uma linguagem clara, com palavras fortes como “ratos”, “assaltos”, “escravidão”, “patrão”, “domínio”, “levante”.
Versos livres: A ausência de métrica e rima reforça a natureza de protesto e espontaneidade.
Ritmo e tensão: Cresce gradualmente até o clímax no verso “Está na hora do levante dos oprimidos”.
3. Recursos estilísticos:
Metáforas: “Os ratos corroem as esperanças” — corrupção como praga.
Antíteses e ironia: “Brasil, um sonho intenso, berço esplêndido / para poucos” — subversão crítica do hino nacional.
Intertextualidade: Referência direta ao Hino Nacional Brasileiro (“um sonho intenso, um raio vívido...”) para contestar a realidade social.
4. Tom e efeito:
É um poema que acorda, provoca e conclama. Ele pode ser muito poderoso se lido em voz alta em contextos de manifestação, debates sociais ou slam poetry.