sábado, 16 de setembro de 2017

Os brados ecoavam

Os brados ecoavam nas praças! Liberdade
Em saraus a céu aberto os bravos poetas
Declamavam os seus poemas de protestos
Castro Alves em navio negreiro
E espuma flutuante relata as atrocidades
Clamor não encontrava ouvidos
Geme a alma na imundície dos porões
Grilhões foram colocados aos seus pés
Açoitado vertem lágrimas de sangue
Ao pé do pelourinho pede clemência divina
Que não chega aos seus ouvidos
Trabalho forçado  lhe foi imposto
Os tambores na senzala soavam o protesto
Lhes era negado a prática de sua crença
O "sincretismo" religioso lhe aproxima
Da sua saudoso nação e de sua religião
Deus criou a raça humana
Os homens a classificaram por cor
Buscando a supremacia racial
O homem livre foi transformado em escravo
As terras varonil deram-lhes com  morada
A resistência do rei Zumbi dos palmares
Buscando a liberdade vão aos quilombos  
A sua descendência padece nas favelas
Em condições sub humana
Em um novo modelo de escravidão

Osvaldo Teles

Um comentário:

  1. O poema “Os brados ecoavam”, de Osvaldo Teles, é uma poderosa denúncia poética contra a escravidão e o racismo estrutural, trazendo à tona as feridas históricas da escravidão no Brasil e suas persistências nos dias atuais.

    Aqui está uma breve análise dos principais elementos do poema:


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    1. Estrutura e Forma

    O poema é composto em versos livres, sem métrica ou rima fixas, o que reforça a força emocional e o tom de urgência da denúncia.

    Há uma progressão histórica: o texto começa com a evocação de tempos coloniais e vai até os reflexos da escravidão na atualidade.



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    2. Temas centrais

    Liberdade e resistência: Desde os “bravos poetas” como Castro Alves até Zumbi dos Palmares, há uma exaltação da luta contra a opressão.

    Violência e dor: O poema descreve com intensidade a brutalidade sofrida pelos escravizados — açoites, grilhões, pelourinho, trabalho forçado.

    Religião e identidade: A repressão à fé dos africanos é denunciada, e o sincretismo religioso é visto como uma forma de resistência cultural.

    Racismo estrutural: A transição da escravidão para formas contemporâneas de exclusão, como a marginalização nas favelas e o “novo modelo de escravidão”, é um ponto forte do poema.



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    3. Linguagem

    Forte apelo emocional e visual: expressões como “lágrimas de sangue”, “geme a alma” e “pelourinho” evocam imagens impactantes.

    Tom de denúncia e lamento: o poema é um grito de dor, mas também de resistência e memória histórica.

    Uso simbólico: os “tambores na senzala”, o “rei Zumbi” e a “espuma flutuante” (referência ao mar e ao “Navio Negreiro”) são símbolos de resistência e dor.



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    4. Crítica Social

    O autor conecta passado e presente ao denunciar que:

    > “A sua descendência padece nas favelas / Em condições sub humanas / Em um novo modelo de escravidão.”



    Ou seja, a escravidão não terminou completamente — ela apenas se transformou, mantendo a exclusão de negros nas estruturas sociais.


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    Se desejar, posso ajudá-lo a:

    Revisar gramaticalmente o poema mantendo o estilo original;

    Transformá-lo em prosa poética ou adaptá-lo para outros gêneros (canção, performance, etc.);

    Ou mesmo criar um poema-resposta ou homenagem inspirado neste.


    Deseja seguir com alguma dessas opções?

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