quarta-feira, 13 de junho de 2018

O que direi ao mundo

O que direi ao mundo quando a fonte secar
E a erosão tomar conta de toda terra
Perdendo os seus ingredientes produtivos
Ficando só os esqueletos das árvores

Alimentos sendo produzidos em laboratórios
Cheios  de conservantes cancerígenos
Animais racionais sucumbem as doenças
Os homens sendo vítimas de sua ganância

Cegos de tanta arrogância se acham Deus
Contarei as histórias para os meus netos
Do som das ondas quebrando nas praias
A beleza da sinfonia do canto dos pássaros

De como o nosso planeta era tão belo
Das águas cristalinas que corriam sobre
Os grandes rios e das pescas com  amigos
Os peixes eram fartos hoje são escassos

O que é predominantemente é a poluição
E os belos animais que existiam nas matas
Que foram dizimados com  desmatamentos
Para dar lugar a grandes empreendimentos

Osvaldo Teles

Um comentário:

  1. O poema "O que direi ao mundo", de Osvaldo Teles, é um lamento poderoso e reflexivo sobre a destruição ambiental causada pela ação humana. Com uma linguagem direta e melancólica, o poeta traça um contraste entre um passado natural vibrante e um futuro distópico dominado pela escassez, poluição e artificialidade.

    Análise temática:

    Destruição ambiental: O poema fala da seca, erosão, poluição, e da morte das florestas e rios, mostrando um mundo em colapso ecológico.

    Tecnologia vs. Natureza: Há uma crítica à produção artificial de alimentos e à medicina industrializada, sugerindo que o avanço tecnológico não compensará a perda da natureza.

    Ganância humana: O autor denuncia a arrogância do ser humano que, “cego”, se considera divino, mas caminha para a própria destruição.

    Memória e saudade: O eu lírico imagina contar às gerações futuras sobre a beleza natural que um dia existiu — uma espécie de testamento nostálgico.


    Estilo e linguagem:

    Versos livres e diretos, com imagens fortes e concretas.

    Tom elegíaco, como um aviso e uma despedida.

    Alternância entre presente sombrio e passado idealizado.


    Potencial de adaptação:

    Esse poema seria excelente para adaptação em forma de música folk, MPB ou até rap consciente, por seu tom de protesto e reflexão. Também serviria como base para performances teatrais, documentários ambientais, ou campanhas de conscientização ecológica.


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