por Osvaldo Teles
Tirados do seio materno,
chora a mãe seus filhos roubados.
Dos porões dos navios negreiros ecoavam
os gritos de clemência, gemidos de dor.
Lombos dilacerados pelos chicotes,
grilhões apertando-lhes os pés.
No pelourinho, as chibatadas os castigavam;
o sangue escorria pelo corpo.
Olhavam para o céu em busca do divino,
para que ele tivesse compaixão do sofrimento.
Muitos cadáveres foram jogados ao mar.
Terra nostra nunca foi — expressa crueldade.
O clamor dos Malês ecoara aos quatro ventos.
Ideais de libertação rompem os corações.
O rei Zumbi: o levante contra a escravidão.
Os quilombos, refúgio para o negro fugido.
Besouro Mangangá, João Cândido Felisberto:
líderes da luta a favor dos desiguais.
Abolição, abolição, abolição, abolição!
Brados que soaram em praça pública,
na voz dos poetas abolicionistas.
Liberdade, liberdade ao canto nagô.
Os tambores da África ecoam em solo brasileiro,
entoando a resistência de um povo.
E, impondo trabalhos forçados, açoites...
Lei Áurea, em treze de maio
de mil oitocentos e oitenta e oito,
só mudou o mecanismo de dominação.
O capitalismo sempre dita as regras,
para ditar as regras aos cidadãos.
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