Vou deslizando pela tela o pincel,
passeando sobre ela, cores vão surgindo.
As linhas sensuais do seu corpo surgem.
Quis te desenhar com toda perfeição,
mas foi no seu conjunto de imperfeições
que tornou-se única, em uma beleza pura.
Não precisa de retoques, nasceu perfeita.
Adorno suave sobre o corpo esguio,
o véu dava o tom de sua pureza.
As mãos escorregavam pelos contornos,
deixando à mostra as suas curvas sinuosas.
Pele de pêssego, face de romã,
seios macios e saborosos como uvas.
Pasmando-me com um belo sorriso no rosto,
entrando meteoricamente coração adentro.
Pintando o seu autorretrato, tracei-te linda,
traços mais finos e precisos do que os da Monalisa.
Pintei as facetas de todas as duas
em uma só mulher; era tudo que eu queria.
Passei para o quadro toda a essência de mim,
instrumento que me motiva a continuar a criar.
Uma mente puritana, ávida por sua obra,
engendrar o amor que me fez feliz.
Osvaldo Teles

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