Fixo na distância a ser percorrida,
Preparo-me para botar o pé na estrada.
Na algibeira, coloco a esperança;
na capanga, a fé, como arma para desventuras.
No lombo, um gibão de couro,
para me proteger do sopro atmosférico.
O vento norte sopra as incertezas,
prosseguir com o peito apertado.
As recordações me acompanham;
os lírios que enfeitavam murcharam.
A pressa impedia de contemplar a paisagem,
que estava lá, contemplativa e concernente.
Sair do seio da família, a nostalgia me persegue.
Busco na estrela-guia lembranças de lá.
Passou em alta velocidade sua imagem,
fui registrando as paisagens na memória.
Engolido estrada adentro, sumi na poeira.
Alquimista, mudei os pedregulhos em joias,
para coroar as dificuldades superadas,
canalizando todas as forças.
Para tornar possível a longa jornada,
não me era permitido vacilar;
as armadilhas eram inúmeras.
Regressar intacto não será possível.
As mudanças estarão escritas na testa.
Só vou colher aqui o que semeei,
trazendo encantamento para o viver.
Osvaldo Teles

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