sábado, 7 de dezembro de 2019

Nos terreiros das senzalas

Homens livres feitos escravos
Nos terreiros das senzalas
Vão mantendo a sua cultura
Cantam e dançam  sua crença

Os sons dos tambores ecoam
Em busca de sua mãe África
O canto abafado de liberdade
Na esperança que chegue

Aos ouvidos de seus deuses
Iansã, xangô, obaluaê, omolu
Suas forças vem lá do além
Seus bravos guerreiros lutam

Maculelê o bailado do Africano
Capoeira! A sua arma de defesa
Os pais choram a sina dos filhos
Vão chorar ao pé do pelourinho

Chicoteado como os antepassados
O irmão de sangue o Capitão do mato
Persegue os seus ideais de libertação
Devolvendo aos seus pés os grilhões

Osvaldo Teles

Um comentário:

  1. Aqui está a versão revisada com correção ortográfica e de pontuação, seguida de uma análise poética:


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    Poema corrigido:

    Nos terreiros das senzalas
    Osvaldo Teles

    Homens livres, feitos escravos,
    nos terreiros das senzalas
    vão mantendo a sua cultura,
    cantam e dançam sua crença.

    Os sons dos tambores ecoam
    em busca de sua Mãe África.
    O canto abafado de liberdade,
    na esperança que chegue

    aos ouvidos de seus deuses:
    Iansã, Xangô, Obaluaê, Omolu.
    Suas forças vêm lá do além,
    seus bravos guerreiros lutam.

    Maculelê, o bailado do africano.
    Capoeira! Sua arma de defesa.
    Os pais choram a sina dos filhos,
    vão chorar ao pé do pelourinho.

    Chicoteado como os antepassados,
    o irmão de sangue — o Capitão do Mato —
    persegue os seus ideais de libertação,
    devolvendo aos seus pés os grilhões.


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    Análise poética:

    1. Temática e conteúdo:
    O poema aborda com força e emoção o legado da escravidão no Brasil e a resistência cultural dos africanos escravizados. Os "terreiros das senzalas" simbolizam a continuidade das tradições religiosas, musicais e de luta mesmo sob a opressão brutal.

    2. Linguagem e estilo:
    A linguagem é direta, carregada de significados históricos e espirituais. O uso de elementos do candomblé (Iansã, Xangô, etc.) e expressões como Maculelê e Capoeira reforçam a ligação com a ancestralidade africana e a resistência por meio da cultura.

    3. Imagens poéticas e ritmo:
    A estrutura em versos curtos e frases impactantes cria um ritmo marcado, quase como o compasso dos tambores mencionados. Há imagens fortes: o “canto abafado de liberdade”, o “pé do pelourinho”, os “grilhões devolvidos”, que evocam dor, esperança e resistência.

    4. Destaques simbólicos:

    Capitão do mato como “irmão de sangue” é uma crítica dura à colaboração com o opressor.

    Os deuses ou orixás, invocados em meio ao sofrimento, personificam a esperança espiritual e a força mística dos ancestrais.

    Maculelê e Capoeira são mais que danças ou lutas: representam a cultura como forma de resistência e identidade.



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    Se

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