Homens livres feitos escravos
Nos terreiros das senzalas
Vão mantendo a sua cultura
Cantam e dançam sua crença
Os sons dos tambores ecoam
Em busca de sua mãe África
O canto abafado de liberdade
Na esperança que chegue
Aos ouvidos de seus deuses
Iansã, xangô, obaluaê, omolu
Suas forças vem lá do além
Seus bravos guerreiros lutam
Maculelê o bailado do Africano
Capoeira! A sua arma de defesa
Os pais choram a sina dos filhos
Vão chorar ao pé do pelourinho
Chicoteado como os antepassados
O irmão de sangue o Capitão do mato
Persegue os seus ideais de libertação
Devolvendo aos seus pés os grilhões
Osvaldo Teles

Aqui está a versão revisada com correção ortográfica e de pontuação, seguida de uma análise poética:
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Poema corrigido:
Nos terreiros das senzalas
Osvaldo Teles
Homens livres, feitos escravos,
nos terreiros das senzalas
vão mantendo a sua cultura,
cantam e dançam sua crença.
Os sons dos tambores ecoam
em busca de sua Mãe África.
O canto abafado de liberdade,
na esperança que chegue
aos ouvidos de seus deuses:
Iansã, Xangô, Obaluaê, Omolu.
Suas forças vêm lá do além,
seus bravos guerreiros lutam.
Maculelê, o bailado do africano.
Capoeira! Sua arma de defesa.
Os pais choram a sina dos filhos,
vão chorar ao pé do pelourinho.
Chicoteado como os antepassados,
o irmão de sangue — o Capitão do Mato —
persegue os seus ideais de libertação,
devolvendo aos seus pés os grilhões.
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Análise poética:
1. Temática e conteúdo:
O poema aborda com força e emoção o legado da escravidão no Brasil e a resistência cultural dos africanos escravizados. Os "terreiros das senzalas" simbolizam a continuidade das tradições religiosas, musicais e de luta mesmo sob a opressão brutal.
2. Linguagem e estilo:
A linguagem é direta, carregada de significados históricos e espirituais. O uso de elementos do candomblé (Iansã, Xangô, etc.) e expressões como Maculelê e Capoeira reforçam a ligação com a ancestralidade africana e a resistência por meio da cultura.
3. Imagens poéticas e ritmo:
A estrutura em versos curtos e frases impactantes cria um ritmo marcado, quase como o compasso dos tambores mencionados. Há imagens fortes: o “canto abafado de liberdade”, o “pé do pelourinho”, os “grilhões devolvidos”, que evocam dor, esperança e resistência.
4. Destaques simbólicos:
Capitão do mato como “irmão de sangue” é uma crítica dura à colaboração com o opressor.
Os deuses ou orixás, invocados em meio ao sofrimento, personificam a esperança espiritual e a força mística dos ancestrais.
Maculelê e Capoeira são mais que danças ou lutas: representam a cultura como forma de resistência e identidade.
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