segunda-feira, 4 de maio de 2026

Sociedade excludente

 Sociedade Excludente


Osvaldo Teles


Introdução


Quem rouba de verdade não é apenas o indivíduo comum exposto diariamente nos noticiários, mas sim a elite branca que detém a máquina do Estado. O sistema, estruturado dessa forma, revela-se profundamente excludente. Nos ministérios, a presença de uma ou outra figura negra muitas vezes serve apenas para maquiar uma falsa diversidade, enquanto, nas supremas cortes, a ausência de pessoas pretas levanta um questionamento inevitável: trata-se realmente de falta de competência ou de um reflexo de um Estado historicamente marcado pelo preconceito da elite dominante?


Desenvolvimento


A sociedade contemporânea não rompeu com as práticas de dominação do passado; ao contrário, frequentemente as reedita sob novas formas, enquanto, contraditoriamente, prega uma igualdade que não se concretiza. É possível perceber que as estruturas de poder resistem à ascensão da população negra, sobretudo quando essa ascensão ocorre por meio do conhecimento — um dos principais instrumentos de transformação social.


Nesse contexto, a presença do afrodescendente em espaços de saber e poder incomoda, pois desafia padrões historicamente estabelecidos. Essa realidade dialoga com reflexões de Max Weber sobre as limitações impostas pela estrutura social, na qual o indivíduo tende a permanecer na condição em que nasce, ao mesmo tempo em que confronta a perspectiva de Pierre Bourdieu, que aponta o conhecimento como um caminho possível para a ascensão social.


Além disso, é inegável que o país carrega uma dívida histórica com a população negra. Após séculos de exploração, os antepassados foram abandonados sem qualquer garantia de direitos. Hoje, os reflexos desse passado permanecem evidentes: grande parte da população negra ainda vive nas favelas, em condições precárias, com acesso limitado à educação de qualidade e inserida majoritariamente em subempregos, o que perpetua o ciclo de desigualdade.


Conclusão


Diante desse cenário, torna-se difícil sentir-se representado pela classe política atual. Em grande medida, ela atende aos interesses da burguesia, enquanto setores religiosos, em muitos casos, atuam alinhados aos grandes empresários. São esses grupos que, na prática, influenciam e determinam as regras do jogo social e econômico.



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