terça-feira, 12 de agosto de 2025

Se aconchega

O céu se confunde com o mar,

o seu silêncio me faz sonhar.

O sol brilhante sobre eles reluz,

a miragem nos olhos reproduz.


Sobre a areia, dois corpos, nus;

estou esquecendo dos seus prós.

Se despindo de todo o seu pudor,

te entregarei todo o meu amor.


A brisa acaricia as peles nuas,

sentiremos as sensações tuas.

Nas estrelas vou, os pensamentos,

o ser se enche de contentamento.


Retirando dos corações as trancas,

comungando as almas harmônicas,

se deita ao meu lado e se achega,

e em meu peito se aconchega.


Sobre a luz da lua vamos nos amar, 

Os astros farão o jogo de luz, 

O abstrato ganhará corpo e alma, 

Só nós dois sobre a luz das estrelas.



Osvaldo Teles

Cadê océ omi

Cadê océ omi que até agora não chegou 

Seu tempo que foi cronometrado acabou 

Farta um pouquinho para tudo recomeçar 

Vem para rinha que tá pronto, vem labutar 


O facão está amolado pronto para cortar 

Oxi seu moço não tira o facão da bainha 

Se não for para trabalhar não desenbahia

Cadê océ seu moço chega logo por favor 


Chega rápido como se fosse um trator 

Tá chegando a hora do plantio começar 

Não veja a hora da plantação florescer 

Sobre o brilho do novo belo alvorecer 


Do pé de caju vou colher as castanhas 

Do pé de umbú quero colher os umbus

Do pé de feijão pretendo colher feijões 

Os meus bois não quero dá para urubus 



Osvaldo Teles

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Semi-prisão

Vivia em uma semi-prisão,

o sistema ditava as normas;

no pé foi colocado grilhão,

o capitalismo só muda de forma.


Vivia enclausurado, sem ter saída;

busquei a liberdade para o meu lado.

De qualquer forma, ele se transforma,

pensei que era livre — que nada!


Tentei quebrar minhas correntes;

vai demorar, mas não tarda.

Os pensamentos eram errantes,

a cor da pele era responsável


pelo racismo maldoso dessa gente.

Alguns disseram que era vitimismo;

quem sentiu as pauladas sabe a dor

que dilacerava um pobre coração.


Mas as marcas do chicote ficaram;

só quem sentiu que sabe que dói.

Ficando marcado no interior d’alma,

saberá que o mal, por si só, se destrói.



Osvaldo Teles

Planos Econômicos e a Velha Ordem mundial

 Planos Econômicos e a Velha Ordem Mundial

Por Osvaldo Teles

Eu ainda era menino, acompanhava, pelos jornais e pela televisão, as notícias sobre os planos econômicos que o Brasil implementou na década de oitenta. O país vivia em crise constante. Andávamos com uma corda no pescoço, colocada pelo FMI. Não tínhamos vida própria: eram eles que ditavam as regras, assumindo o papel de verdadeiros agiotas.

Até nossa experiência com foguetes foi sabotada. Literalmente, éramos tratados como o quintal dos Estados Unidos. Queriam que vivêssemos sempre sob seu jugo para se apropriarem de nossas riquezas. Fomentavam golpes, como o de 1964, um dos mais perversos, para manter o controle sobre o Brasil e sobre toda a América Latina. A sensação era de que estavam sempre prontos para “tirar o nosso couro”.

Décadas depois, continuo sem ver frutos concretos dessa chamada parceria Brasil–Estados Unidos da América. Nunca encontrei um povo tão autoritário quanto o norte-americano. Em vez de semear a paz, fomentam guerras. Mantêm alianças sombrias, como com Israel, onde crianças e mulheres são mortas indiscriminadamente.

Mas o mundo começa a mudar. Sempre me perguntei: por que o comércio internacional precisa ser lastreado no dólar? Por que não usar as moedas de cada país? O equilíbrio econômico global depende disso. Só assim todos poderão crescer, reduzir desigualdades e oferecer à população condições reais para uma vida digna.

Esse novo equilíbrio também exige frear a proliferação de armas nucleares. E, principalmente, garantir que os países mais pobres recebam incentivos para melhorar a vida de seus cidadãos. Sem isso, continuaremos presos a uma velha ordem mundial — desigual, autoritária e injusta.



O valor da vida

O valor da vida é contado em filigrana.

Cada um vai dar o seu devido valor.

Sofrer ou ser feliz vai depender

de que ângulo se enxergar a vida.


Fui agraciado pelo dom maravilhoso,

nasci já com o meu destino traçado.

Acordei, abri os olhos, estou vivo;

o resto vem por acréscimo.

Fica provado o poder do grande Deus.


Vou colocar tudo em Suas mãos,

pois, para sofrer, não tenho nenhuma vocação.

Fui colocado neste mundo para ser feliz;

deixarei os dias seguirem o seu curso.


Para a vida encontrar o seu destino,

sei que não sou mais nenhum menino.

Ninguém nasceu para ser semente;

as estadias têm um tempo determinado.



Osvaldo Teles

domingo, 10 de agosto de 2025

Cada beijo

Cada beijo que lhe dei despertava desejos,

viciante era acariciar a suavidade da sua pele.

Sou tomado pela vontade de beijar sua boca

e sentir o sabor framboesa dos seus beijos.


Sentindo o aroma inebriante do seu perfume,

desencadeando em mim um grande ciúme,

os meus desejos ocultos estão vindo à tona,

fazendo os impulsos acelerarem meu coração.


Vou sentindo no corpo as suas palpitações,

aos poucos perco o controle de minhas ações,

não penso em nada, vou agindo por instinto,

querendo tornar esse amar infinito e bonito.


Na minha mente vão aumentando os conflitos,

a cada toque sou levado ao espaço sem fim.

É a mágica do amor agindo dentro de mim,

colocando a sua pessoa em primeiro lugar.



Osvaldo Teles

Machucou

Machucou meu coração, machucou,

Deu até muita vontade de chorar.

Despedaçou uma alma que sonhou,

Muitas lágrimas me fizestes derramar.


Foi em vão o amor que lhe dediquei,

Se lembra de um passado inexistente.

Neste mundo muito louco, te procurei

Para sermos felizes por muito instante.


A sua indiferença me causou sofrimento,

Você brincou demais com meu sentimento,

Deixando o meu coração em fragmentos.

Procurei te entregar o melhor de mim,


Querendo receber apenas o seu “sim”.

O mais nobre dos sentimentos te entreguei,

Tenha certeza que jamais iria te machucar,

Só pretendia o verdadeiro amor te entregar.



Osvaldo Teles