Cantem, cantem, passarinhos!
Cantos jubilosos de alegria.
Revoadas fazem no céu,
Sabiás alvoroçadas de galho em galho,
Anunciando o cair das chuvas.
Pingo a pingo, a terra é regada.
A chuva cai, as palmeiras dos buritis florescem.
Os animais comem em pastos verdejantes.
Nos açudes cheios, as aves fazem a festa.
Jaçanãs dançam sobre as águas,
Os bem-te-vis comandam a sinfonia.
Preás do mato saem da moita,
As lebres saltitantes pulam das tocas.
Ninhadas de marrecos vão em direção à lagoa.
Do solo nascem frondosas árvores frutíferas.
Os mandacarus mostram suas floradas.
Os umbuzeiros doam seus frutos.
Açucena, flor menina, mostra sua resistência;
Suas raízes resistiram ao calor extremo.
Os vaqueiros entoam seus berrantes,
O som é ouvido de longe.
O gado, que até então estava magro,
Agora encontra o capim-gordura farto.
Os urubus foram buscar carniça em outra freguesia.
As Marias percorrem léguas em busca de água.
As aguadas transbordam nas cisternas.
O caboclo, filho da peste, homem forte,
Com os braços, roça os matos.
A terra está preparada para a semeadura;
Semeando, vai brotando a beleza da vida.
Asa-branca batendo asas, de volta ao sertão.
Osvaldo Teles

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