Sou favelado, mas não sou coitado.
Os antepassados foram açoitados.
O sistema do destino se apropriou;
Os seus lombos, o chicote cortou.
Favela, o medo domina suas vielas.
Tem que andar com muita cautela,
Sendo o Estado aparelho ideológico,
Criando regras para seus cidadãos.
Sem poder quebrar os paradigmas,
O seu salário pago é uma bagatela.
Vai criando nas mentes um enigma,
Deixando em seus corpos sequelas.
O Estado deveria ser uma sentinela
Para proteger os seus indivíduos.
O que fazem é lavar as suas mãos,
Tornando este sistema promíscuo.
A desigualdade persiste na sociedade,
Privando o ser humano de dignidade.
Vivendo um cotidiano de insegurança,
Só faz dificultar a mobilidade social.
Osvaldo Teles

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