sábado, 7 de janeiro de 2017

O palco do mundo

Quando eu nasci o palco do mundo
O grande teatro já foi preparado
Já estava esperando-me, adequei-me
Planejei ser o autor do meu próprio enredo
Trilhei por cenas que não faziam parte
Do meu roteiro, tentei mudar alguns trechos
Fui coadjuvante em algumas episódios
O manto sagrado faz o pano de fundo
Os holofotes celestiais iluminam as cenas
Fiz do mundo o palco,da vida um espetáculo
As cortinas do cenário foram abertas
Para o grande show começar
O  destino é o maestro que dá o tom
A platéia aplaudia o sucesso da apresentação
A engraçada comédia humana, pus-me
A pensar na sinopse do filme da minha vida
Não permite-me ensaios e nem  erros
Preparei-me para o estrelato, ledo engano
O papel que foi-me dado foi de um dublê
O meu nome nunca aparecia nos scripts
Todos os papéis eram secundários
O importante é atuar bem em qualquer papel
Título da minha novela amor sem limite
Os capítulos foram tendo adaptações
Para se adaptar no longo da história

Osvaldo Teles

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Puro amor

Falo-te do puro amor que nasceu em mim
Daquele que jorra torrencial atemporal
Como fonte de água viva, Trazendo vida
Tomastes posse do coração que te pertence
Lavando todos os traços de tristeza
Transcrevo o que a minha alma sente: amor
Sem resistência entrego-me a ti com paixão
Estou entre os teus beijos e seu cheiro
Os teus braços apertam-me ao seu peito
Sinto toda a maciez do seus seios desnudos
Deliciei-me com o mel que sai da  boca
Vou costurando os retalhos dos movimentos
Lindo demais,guardaremos conosco através
Dos contratempos que possam surgir
Eis que és o bálsamo curador da minha dor
Expurgando toda maledicência existente
Vem com tudo não desfazer-se de nada
O antes não vai ter nenhuma importância
Só diga sim, para vivermos o amor
Vamos deixar ele falar por si só
Nas transformações que traz aos amantes
Vem com pressa minha amada
Para aproveitarmos cada segundo
Como se fosse o último em nossas vidas
Tudo em torno torna-se belo

Osvaldo Teles

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Minha águia interior

Minha águia interior abre a sua envergadura
Em um impulso ganha de presente o espaço
Levas-me tu como brumas no oculto do amor
Ficando claro que nascemos para nos amar
Aparecem na tela a graciosidade de te ter
Como companheira constante na decolagem
Quero ter a leveza das garças dançando
Sobre o  mar, casamento perfeito
Destemido e imponente saía voando
Cauteloso nada amedrontava-me águia minha
Levantar-me-ei rasantemente fez-me ave
Dragões perseguiram-me terrivelmente
Nas nuvens fiz a minha trincheira, sonhei
Uma batalha insana e desleal, pesadelo
Fugi de mim para não encontrar-me
Assim mesmo entrei no obscuro do mundo
O buraco negro quis puxar-me para ele
Achei a força que não sabia que existia
Aventurei-me em planetas distante
Usei os anéis de Saturno para pouso
Em Marte parei para reabastecer as energias
Vênus envolveu-me no mistério do amor
A atmosfera fez-me contemplar a beleza
Que habitava dentro do ser maravilhoso
As pestanas juntam-se para captar
As vibrações que emanam das fases da  lua
Planeie sobre a terra lá está as coisas belas
Rios, mares, florestas tive que retornar
Pois não posso esquecer da minha amada
Usarei sua sensibilidade para a decolagem
Juntamos nossos instintos de sobrevivência
Elevaste-me a um nível extremo de paz

Osvaldo Teles

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A solidão aperta

A solidão aperta o meu coração
Pego o violão e colo no peito
Ele plange o que a alma sente, chora
Chorando derramei as lágrimas sofridas

Dores que deixam o coração dilacerado
Silenciador das minhas palavras
O caminhar sozinho me  afligia
Só dando partida para o mundo dos sonhos

Cavalguei no lombo do meu cavalo branco
Louco para colocar a minha princesa
Na minha garupa e cruzarmos à noite escura
No ser mitológico alado viajamos pelas nuvens

Cometas nos guiando pelos labirintos celestiais
Tirando-me da tristeza pungente, inerente
Sempre quis razões para os acontecimentos
As lacunas que acompanha-me, incomoda

Quis apenas a lógica,o sentido da existência
Deixei pendurado na parede da lembranças
Tudo que trouxe-me aprendizado
Encontrei o eu perdido nas minhas ilusões

Valente encarei todas as dificuldades
Confiante tornei-me a minha princesa
Já estava abraçando-me por trás
Sentada no lombo do meu cavalo branco

Osvaldo Teles

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Serenata do amor

As estrelas piscam lá no alto,
A contemplar, eu fico aqui embaixo.
Vem, minha querida, para a janela,
Deslumbrante, escutar a serenata.

A melodia que fala do nosso amor,
Chuva de prata sobre o seu corpo,
A lua emoldurada lá no céu,
O sereno deixa-me molhado.

Trêmula, a voz sai ritmada, compassada,
Na balaustrada, a amada desdenha,
No solo, um ser anseia tê-la nos braços,
Os meus sonhos voaram para ti.

Cada dedilhada dada no violão,
O som ecoa procurando a sua alma,
Quebrando o silêncio existente no ser,
Garoando, saímos dançando, emotivos.

Ao sentir o seu corpo tocando o meu,
Causando desordem em mim,
Perdendo o compasso dos sentidos,
A embriaguez dos meus pensamentos

Lhe deixa presa aos meus sentimentos,
Rompe o sol, a alvorada vai aparecendo,
Junto à sinfonia de pardais,
Revoada de andorinhas,

Dando boas-vindas ao dia que começou,
Dois perdidos na noite se reencontrando,
No belo amanhecer, com os corpos unidos,
Cantarolando hinos para o amor.


Osvaldo Teles

domingo, 1 de janeiro de 2017

Perdi o bonde

Perdi o bonde das 00:00 horas, vou esperar
O mapa simplesmente voou para longe
A expectativa de encontrar os meus planos
Teve que aguardar pela próxima condução
Fiquei desesperado na estação, desiludido
Clemência ao deus dos sonhos, deixei-vos
Adormecidos e fui criando a minha fantasia
Entorpecido pela fadiga desfaleço, durmo
O sono dos anjos, o subconsciente desperta
Tudo vem à tona, perdido  nas interrogações
Como sair deste emaranhado de questionamentos
Corri desorientado dentre as estações
Alternando lucidez com belos devaneios
Revelando toda essência do homem
É imprecidivel um caminho continuou
Prosseguir sem medo das ciladas perversas
Não aceito a estagnação do crescimento
Confusamente vai encaixando-se o novo
Nada será como antes tudo mudou
Sei que o bonde não será o mesmo
Os passageiros foram mudados
Dize-me tu que alimenta o meu sonhar
Em que parada vou encontrar a realização
Dos meus propósitos e desembacar realizado
Dando risadas dos imprevistos da jornada
Contendo aprendizado em cada tropeço
Leva-me a ver as estrelas cadentes
Serem sepultadas no planeta terra
Depois de iluminar a noite dos amantes
Poseidon sequestra a beleza da lua
Depois que tritão declarar seu amor por ela
Para que o mistério dos sonhos continue vivo

Osvaldo Teles

Foi-se embora

Foi-se embora a bendita consciência
Para que eu quero-te, só faz atrapalhar
Pensar faz-me perder tempo e os momentos
Lembraremos tudo que marcou o que vivemos
As marcas ficaram nas gavetas das lembranças
Sobre mim deixastes os sinais que nos vincula
O encontro foi o destino que providenciou
O andar errante e solitário acabou
A minha alma ganhou leveza para caminhar
O cérebro envia vibrações positivas
O coração passou a bombear o sangue
De uma forma  heterogênea pelas veias
Dando equilíbrio para corpo e mente
A nossa aliança foi forjada no amor
A paixão cresceu em canteiros férteis
Fertilizada com muito amar e carinho
Levei-te aos meus aposentos, deitartes
Nos trancamos no mundo dos sonhos
Não sabota à decolagem vamos partir
Afinal somos as engrenagens de partida
Deixaremos o ar ditar a nossa direção
Em alta temperatura ele vai refrescando
Tudo é  voraz, quando damos conta passou
Já estamos em outra dimensão

Osvaldo Teles