A luz amarelada do entardecer
Entra tímida pela janela entreaberta
Na mesa uma fotografia esquecida
Ao lado de um copo pela metade
E de uma rosa sem viço, morta
Um silêncio profundo no ambiente
Parece ter som o som da ausência
No canto do quarto a sua camisola
No canto a sanfona descansa calada
Como o coração que desaprendeu amar
As notas que antes falavam de amor
Agora durmo entre lágrimas não enxutas
Lá fora o céu em tons de cinzas
O vento leva consigo o eco do adeus
Mas dentro do peito a paixão ainda arde
Como brasa escondida à espera do sopro
Para a paixão ser reacendida no coração
Osvaldo Teles

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