quinta-feira, 2 de abril de 2026

Não se aperreie

Não se aperreie, não, seu moço,

Só faz adiantar os seus passos.

Ainda tem um dia após o outro,

Tudo vai acontecer naturalmente.


Para recalcular e seguir em frente,

O cabra nasce no sertão valente,

Fica armado até os seus dentes,

Vivendo em detrimento do outro.


O sol castiga o ombro da gente,

Subindo do chão vapor escaldante,

Nos tornando um sobrevivente.

Do solo sobe uma poeira cinzenta,


Tirando da gente a nossa alegria.

A enxada trinca ao tocar a terra,

As sementes morrem nas covas,


Deixando a esperança à prova.

A vida continua, mas não é fácil,

Mas, quando chove, tudo floresce,

Devolvendo a alegria do sertanejo.



Osvaldo Teles

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