O vaqueiro vai tocando a boiada:
— Ôi, boi! — vamos cortando a estrada,
Deixando a poeira marcar o rosto,
Dando dribles no tinhoso destino.
Com o berrante vou tocando o gado,
Vendo à minha frente um estradão.
Vamos cavalgando em comunhão;
Na capanga carrego a esperança.
Sobre a cabeça, a saudade dança
Quando da minha amada me lembro.
Os espinhos pontiagudos perfuram,
Deixam suas marcas na alma.
Boi da cara preta não me mete medo:
Te derrubo no braço e te pego no laço.
Encourado para combater as picadas,
Na viola vou tocando a minha toada.
Osvaldo Teles

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