terça-feira, 30 de setembro de 2025

Estado x Capital

Estado e Capital: uma análise sociológica

Osvaldo Teles – Assistente Social

Introdução

O Estado, em sua essência, surgiu da necessidade de manter organizadas as relações sociais e, principalmente, de enfrentar as oposições de classe. No entanto, seu surgimento não foi neutro: ele emergiu no próprio seio dos conflitos sociais, tornando-se, via de regra, o Estado da classe mais poderosa, economicamente dominante e, consequentemente, politicamente hegemônica. Dessa forma, obtém novos meios de perpetuar a subjugação e a exploração da classe oprimida.

O Estado em Marx, Weber e Bourdieu

Segundo Karl Marx, o Estado constitui-se como o maior aparelho de dominação, estando sempre ao lado da classe dominante. Para ele, essa estrutura não atua como mediadora imparcial dos conflitos sociais, mas sim como instrumento de manutenção do poder da burguesia.

Max Weber, por sua vez, amplia a reflexão ao destacar o fator social. Para o autor, o indivíduo encontra barreiras para ascender dentro de um grupo social, em razão das relações de poder e da estratificação que organizam a sociedade.

Pierre Bourdieu, sociólogo francês, introduz uma análise voltada ao papel do conhecimento e da educação como instrumentos de poder. Para ele, a escola funciona como um aparelho ideológico do Estado, responsável por reproduzir as desigualdades sociais. Sua teoria da violência simbólica mostra que as relações de força entre os agentes sociais apresentam-se de forma transfigurada, não apenas como imposição da classe dominante, mas também como resultado do jogo complexo entre os diferentes agentes sociais.

Do feudalismo ao capitalismo

Com o declínio da ordem feudal, uma nova sociedade emergiu: não mais dominada pelos senhores feudais, mas pelo capitalismo e pelos modernos capitalistas. Nesse cenário, a ausência, na obra de Karl Marx e Friedrich Engels, de uma análise sistemática e aprofundada sobre o Estado levou muitos intérpretes a afirmar que não existe propriamente uma teoria política marxista. Tal lacuna abre espaço para debates e para a necessidade de novas interpretações acerca de suas reflexões.

Estado, mediação e luta de classes

Ainda que se reconheça a função organizadora do Estado, o capitalismo influencia fortemente todas as suas ações, transformando-o em um espaço de manutenção dos interesses da classe dominante. Nesse contexto, o Estado deveria atuar como mediador dos conflitos entre as classes sociais, mas, na prática, acaba por reforçar o antagonismo entre capital e trabalho.

O trabalhador, ao vender sua força de trabalho, nem sempre obtém o retorno esperado, pois produz mais do que deveria e recebe menos do que necessita para viver dignamente. Essa contradição fundamental alimenta as lutas de classes, elemento central da crítica marxista ao sistema capitalista.

Considerações finais

A análise do Estado sob as perspectivas de Marx, Weber e Bourdieu revela sua complexidade como instituição de poder. Longe de ser um espaço neutro de mediação, o Estado tem historicamente servido como instrumento da classe dominante, reproduzindo desigualdades sociais e legitimando relações de exploração. Entretanto, as tensões e resistências dos agentes sociais demonstram que as relações de poder estão sempre em disputa, abrindo possibilidades para transformações e rupturas.



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