sexta-feira, 12 de setembro de 2025

No canto da senzala

No canto da senzala geme um escravo,

Depois de receber no lombo chicotadas.

Um dia fui homem livre, mas o sistema

Colocou travas nas minhas passadas.


As correntes prendiam os meus passos,

Escravidão, grande mácula da sociedade.

Foi aberta uma chaga na humanidade,

Muitos homens foram escravizados.


Para gerar fortunas para os barões,

Ecoa o canto de libertação nas senzalas.

Os tambores africanos ecoam no Brasil,

Nunca foi e não será nossa terra varonil.


Deus do céu, cadê a bondade desse povo?

Os seres humanos que foram escravizados...

O navio negreiro abre a vela em alto-mar,

Buscam no além-mar os seus orixás.


Tira, por favor, dos seus pés os grilhões,

Deixa o clamor chegar aos seus deuses.

O som do atabaque ecoa nos terreiros,

Mesmo que seja o seu grito derradeiro.



Osvaldo Teles

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