Já apanhei muito nesta vida.
Venha cá que lhe dou um abraço.
Tem certeza? Vá lá e receba.
Lá ele! Não quero receber nada.
Sou bicho bravo, não pego
nem no laço; amanço boi no braço.
Me deixe quieto, seu moço,
não gosto nem de alvoroço.
Não sou bicho para ter peia;
gosto mesmo é de liberdade.
Sou direito, não gosto de rodeio
nem de gente que rodeia.
Sou nascido no mato, sou brabo.
Quer falar? Por favor, fale logo.
Nem venha com seu monólogo.
Se vier morno, estou quente.
Armado até os meus dentes,
levo tudo na maciota — lá ele!
Às vezes ninguém me suporta;
quando chego, fecham logo a porta.
Osvaldo Teles

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