terça-feira, 24 de março de 2026

O tempo não levou

Alma de flores, colônia desejo,

Perfume leve que o tempo guardou,

Brincadeiras no final da tarde

Que a infância jamais esqueceu.


Picula riscada no chão batido,

Garrafão correndo na palma da mão,

Esconde-esconde entre risos soltos,

Liberdade em cada emoção.


Cantiga de roda no vento dançava,

No coreto da praça a vida pulsava,

E a primeira estrela lá no céu surgia,

Como um sonho que o peito guardava.


Fantasia pura de ser criança,

Ingenuidade feita de luz,

Primeira namorada, doce lembrança,

Que o coração ainda traduz.


A descoberta do mundo ,

Olhos abertos para o que viria,

Mas a ilusão, tão leve e serena,

Se perdeu na idade tardia.


E hoje, na alma, ainda floresce

Um tempo que o tempo não levou,

Pois quem foi criança de verdade

Nunca deixa de ser quem sonhou.



Osvaldo Teles

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