Alma de flores, colônia desejo,
Perfume leve que o tempo guardou,
Brincadeiras no final da tarde
Que a infância jamais esqueceu.
Picula riscada no chão batido,
Garrafão correndo na palma da mão,
Esconde-esconde entre risos soltos,
Liberdade em cada emoção.
Cantiga de roda no vento dançava,
No coreto da praça a vida pulsava,
E a primeira estrela lá no céu surgia,
Como um sonho que o peito guardava.
Fantasia pura de ser criança,
Ingenuidade feita de luz,
Primeira namorada, doce lembrança,
Que o coração ainda traduz.
A descoberta do mundo ,
Olhos abertos para o que viria,
Mas a ilusão, tão leve e serena,
Se perdeu na idade tardia.
E hoje, na alma, ainda floresce
Um tempo que o tempo não levou,
Pois quem foi criança de verdade
Nunca deixa de ser quem sonhou.
Osvaldo Teles

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