quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

O sol castiga

O sol castiga o meu sertão,

deixando o solo rachado.

Se a chuva não molhar o chão,

nada poderá ser plantado.


O solo fica duro, não pode;

o sertanejo será castigado.

Perdi os sentidos, alucinei

ao ver o gado emagrecido.


As galinhas caindo no quintal,

a cena era desanimadora.

Meu cavalo era pele e osso;

ao olhar, só dava desgosto.


As feias bonecas de milho

morriam esturricadas no pé.

Nem as rezas tiveram efeito;

implorei até para São José.


Olhei para o céu e perguntava:

“Pai, para que tanto sofrimento?”

Tinha hora que não aguento,

só quero ter sua benevolência.



Osvaldo Teles

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